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20 de Abr de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Jogos Paralímpicos, novo episódio da diplomacia esportiva intercoreana - Jornal Brasil em Folhas
Jogos Paralímpicos, novo episódio da diplomacia esportiva intercoreana


Menos de duas semanas depois do encerramento dos Jogos-2018, os Jogos Paralímpicos começaram nesta sexta-feira (9) em Pyeongchang em um contexto de distensão diplomática extraordinária entre as duas Coreias, assim como entre Pyongyang e Estados Unidos.

Depois dos espetáculos culturais e da dança, seguidos do desfile dos atletas, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, abriu oficialmente os Jogos Paralímpicos, com a chama ardendo na pira. As provas começam no sábado com competições masculinas e femininas.

Até 18 de março, cerca de 670 atletas com alguma deficiência lutarão para conseguir as 80 medalhas de ouro nos Jogos em seis modalidades: esqui alpino, snowboard, esqui de fundo, biatlo, hóquei sobre o gelo e curling.

Mas para além do puramente esportivo, esta edição dos Jogos Paralímpicos poderia supor um novo episódio na evolução das relações entre as duas Coreias, enquanto o Norte participa pela primeira vez de uma Paralimpíada.

Depois de dois anos de escalada de tensões, estes últimos meses estiveram marcados por um frenesi diplomático entre o Norte e o Sul na Zona Desmilitarizada (DMZ).

No começo da semana, uma importante delegação da Coreia do Sul foi até a sua vizinha do Norte, pela primeira vez em 10 anos, enquanto uma terceira cúpula entre as Coreias acontecerá no final de abril na cidade de Panmunjom, no centro da DMZ.

Os esforços de abertura foram bem recebidos pelo presidente americano, Donald Trump, que na quinta-feira aceitou participar de uma cúpula história até o fina de maio com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

- Sem desfile conjunto -

Nos recentes Jogos Olímpicos de Inverno (9 a 26 de fevereiro), chamados de os Jogos da Paz, foram vividas aproximações entre os dois países asiáticos, oficialmente em guerra desde 1953.

Além de realizar conjuntamente um desfile de abertura, as duas Coreias formaram uma única equipe feminina de hóquei. No total, 22 atletas norte-coreanos participaram das provas.

A própria irmã de Kim Jong Un, Kim Yo Yang, presenciou o desfile de abertura, e uma delegação norte-coreana de alto nível participou da cerimônia de encerramento.

O presidente Moon chegou a apertar a mão de um general norte-coreano considerado um criminoso de guerra pela oposição.

Mas nem todas as tensões desapareceram. Embora uma delegação norte-coreana composta por dois esquiadores de fundo, quatro atletas ajudantes e outras 18 pessoas tenha realizado o seu batismo nos Jogos Paralímpicos, as duas Coreias não realizarão o desfile conjunto na cerimônia de abertura por falta de consenso sobre a bandeira.

- O ponto azul, alvo de polêmica -

Seul havia decidido não usar a versão da bandeira na qual figuram algumas ilhotas a leste da península, um pequeno ponto azul na bandeira da unificação. Segundo o Comitê Paralímpico sul-coreano, a Coreia do Norte não pode aceitar o fato de que não sejam incluídas (as ilhas) Dokdo na bandeira unificada.

Essas ilhas são reivindicadas pelo Japão, que as chama de Takeshima. Durante os recentes Jogos de Inverno, em um treinamento da equipe reunificada de hóquei da Coreia, uma bandeira que incluiu esse ponto suscitou a ira do Japão.

Seul decidiu não usar mais essa versão da bandeira.

Para além do desafio diplomático, esses Jogos Paralímpicos suporiam uma nova ocasião para os atletas russos de melhorar a reputação do país, prejudicada por um grande escândalo de doping.

A Rússia está proibida de participar em Pyeongchang, assim como dos Jogos Olímpicos, mas 30 de seus atletas paralímpicos foram autorizados a disputar sob a bandeira olímpica pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

Uma decisão que não foi bem recebida por todos, dado que dois dos 168 atletas russos que participaram do recente evento olímpico foram excluídos por doping.

 

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