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20 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Dilma volta a defender Lula e diz que não faz sentido conduzi-lo sob vara - Jornal Brasil em Folhas
Dilma volta a defender Lula e diz que não faz sentido conduzi-lo sob vara


Em visita oficial do governo no Rio Grande do Sul, a presidente Dilma Rousseff voltou a defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a forma como o petista foi levado para prestar depoimento na última sexta-feira (4) e disse que a oposição “fica dividindo o país”. Para ela, não faz sentido “conduzir [Lula] sob vara, se ele jamais se recusou a ir”.
Dilma disse que Lula nunca se recusou a prestar depoimento e que a alegação de que a condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a depor) tinha como objetivo proteger o ex-presidente é estranha. A presidente participa, em Caxias do Sul (RS), de cerimônia de entrega simultânea de 2.434 imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.
“[Lula] Nunca se recusou [a depor], nunca se achou, nunca o presidente Lula, justiça seja feita, nunca se julgou melhor do que ninguém. Sempre aceitou, convidado para prestar esclarecimento, sempre foi. Então, não tem o menor sentido conduzi-lo [Lula], como se diz, sob vara, para prestar depoimento, se ele jamais se recusou a ir”, afirmou a petista.
“Nem cabe alegar que estavam protegendo ele. Como disse um juiz, era necessário saber se ele queria ser protegido, porque tem certo tipo de proteção que é muito estranho. Além disso, no Brasil, nós temos assistido a vazamentos sistemáticos e esses vazamentos provam a partir de um determinado momento que não são verdadeiros, mas aí o estrago de jogar lama nos outros já ocorreu.”
Na última semana, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello afirmou à colunista da Folha Mônica Bergamo que “só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado”.

DIVISÃO DO PAÍS - Uma das razões da crise que o Brasil enfrenta, segundo Dilma, é causada pela oposição “inconformada por ter perdido as eleições”.
“O Brasil está passando por um momento de dificuldades. Uma parte desse momento de dificuldades é devido também à sistemática crise política que [os opositores] provocam no país, aqueles que são inconformados que perderam as eleições e querem antecipar a eleição de 2018”, disse Dilma.
Segundo ela, um governo tem de querer a unidade dos brasileiros e governar para todos, não só para um “pedaço da população”. “Um governo não pergunta ao fazer um programa como o Minha Casa, Minha Vida a que partido pertence, o que acredita, qual é seu credo religioso ou seu time de futebol. Um governo sempre quer a unidade do país e a oposição tem o absoluto direito de divergir. Mas a oposição não pode sistematicamente ficar dividindo o país, não pode.”
Dilma disse ainda que opiniões divergentes não podem ser demonizadas, mas é preciso exigir respeito. “Eu não acho que a gente pode demonizar ninguém, a gente não pode demonizar pessoas, não pode demonizar órgãos de imprensa, nós não podemos demonizar opinião diferente da nossa. Agora nós temos de exigir o respeito. Cada um de nós tem de exigir o respeito para si e dar o respeito aos outros”, afirmou a presidente diante dos protestos de parte da plateia que gritava “fora Globo!”.

ECONOMIA - No fim do discurso, a presidente disse que os ajustes feitos na economia têm como objetivo preservar programas como o Minha Casa, Minha Vida. “Fazemos [ajustes] como na casa da gente, sempre que precisa, sempre que cai um pouco a nossa receita. Agora, um governo tem de fazer o ajuste e olhar o que quer preservar. Nós estamos fazendo ajustes para preservar aquilo que consideramos mais importante, como é o caso do programa Minha Casa, Minha Vida.”
Ela foi aplaudida antes, durante e após seu discurso. Até quando parou de falar para tomar água, ouviu a expressão “não vai ter golpe” de simpatizantes presentes ao evento.
Como tem feito desde o ano passado, Dilma fez a entrega de casas em cinco cidades de forma simultânea, quatro delas via link. Para isso, escalou os ministros Teresa Campelo (Desenvolvimento Social) em Jundiaí, Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) em Paracatu (MG), André Figueiredo (Comunicações) em Sobral (CE), e Gilberto Kassab (Cidades) em Três Lagoas (MS).
Dilma defendeu o programa habitacional, diz que já entregou 2,5 milhões de casas e tem mais 1,623 milhão a serem entregues. “Isso significa que temos de fato o maior programa habitacional que existe na América Latina. Não vou falar que é o maior do mundo porque não tenho certeza, mas da América Latina é, desse hemisfério é.”
PUXÃO DE ORELHA- Políticos da serra gaúcha reclamaram que Dilma não participou da Festa da Uva, evento tradicional da região que celebra a colheita da uva e terminou no domingo (6). A presidente estava em Porto Alegre (a 120 km de Caxias), com sua família. Tradicionalmente, a festa recebe a visita dos presidentes da República na sua abertura. Na última edição, de 2014, Dilma participou do evento. Lula, quando foi presidente, também aceitou o convite das lideranças locais.

Diferentemente de Dilma, o prefeito de Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho (PDT), foi vaiado quando ressaltou obras municipais. Conhecido por ser simpatizante de Dilma, que já foi pedetista, Velho deu um “puxão de orelha” na presidente, cobrando verbas para a saúde, educação e agilidade na liberação de mais um aeroporto da cidade.

Após o evento, nas ruas de acesso ao local que recebeu a visita de Dilma, alguns militantes arrancaram cartazes com a expressão “fora, Dilma” que estavam em postes.

PRESSÃO - Enquanto enfrenta a ameaça crescente de impeachment e o aperto da operação Lava Jato, Dilma sofrerá pressão maior da base do PT a partir desta semana.

O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) divulgará nesta segunda (7) um manifesto anunciando protestos, bloqueios de vias, novos acampamentos e ações em prédios públicos contra o governo Dilma.

O texto afirma que a petista tem encampado as reivindicações da elite, que não há mais expectativas de que ela faça uma guinada à esquerda e que, portanto, “as pautas da direita serão enfrentadas nas ruas, sem tréguas e com radicalidade”.

 

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