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 Novo censo americano terá pergunta polêmica sobre cidadania - Jornal Brasil em Folhas
Novo censo americano terá pergunta polêmica sobre cidadania


É um fato: os Estados Unidos reintroduzirão em seu próximo censo a pergunta sobre cidadania, uma medida polêmica em um país com milhões de imigrantes em situação ilegal temerosos das políticas anti-imigração do presidente Donald Trump.

O Departamento de Comércio, que supervisiona o censo, disse que a pergunta será acrescentada por solicitação do Departamento de Justiça para ajudar a determinar possíveis violações da Voting Rights Act, lei que proíbe a discriminação racial no voto.

Somente os cidadãos americanos podem se registrar para votar, mas Trump afirmou que milhões de imigrantes em situação ilegal votaram nas eleições presidenciais de 2016, mas sem dar provas.

A última vez que uma pergunta sobre cidadania foi incluída no questionário do censo foi em 1950.

O secretário de Comércio, Wilbur Ross, disse em comunicado que obter informação completa e precisa (...) compensa os limitados impactos adversos.

A Constituição dos Estados Unidos contempla um censo com a enumeração atual de toda a população a cada 10 anos e os críticos da medida temem que a pergunta desestimule algumas minorias a participar da contagem, por medo que a informação seja usada contra elas.

Inclusive imigrantes com residência legal estariam resistentes a participar se tiverem laços com pessoas sem documentos, o que socavaria a exatidão do resultado.

O procurador-geral da Califórnia, Xavier Becerra, introduziu nesta terça-feira uma ação contra a medida por considerar que é inconstitucional.

Ao incluir uma pergunta sobre a cidadania, o governo põe de lado a ciência, o sentido comum e a Constituição, declarou Becerra.

De acordo com a Constituição, o censo determina o número de cadeiras que cada estado tem na Câmara de Representantes.

A líder da bancada minoritária da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, condenou que Trump tenha colocado a política sobre a Constituição e tenha ignorado o consenso de ex-diretores do Escritório do Censo, que expressaram preocupação sobre a confidencialidade da informação.

Responder ao censo também é fundamental para a distribuição equitativa de mais de 675 bilhões de dólares de fundos federais anuais para escolas, hospitais, estradas e outros serviços públicos, indicou o Escritório do Censo.

A contagem errônea da população de certas comunidades é um problema antigo. Os especialistas calcularam que no último censo, de 2010, no qual se fixou a população em 308,8 milhões de pessoas - um aumento de 9,7% em uma década -, cerca de 775 mil residentes latinos não foram contabilizados.

Mas desta vez o assunto pode ser de maior envergadura.

Se as minorias, com frequência concentradas nos centros urbanos que se inclinam mais pelos candidatos democratas, não participarem de maneira maciça no censo, poderia afetar o equilíbrio de poder no Congresso.

Em 2010, a população americana era de 308,8 milhões de pessoas, um aumento de 9,7% em uma década. De acordo com estimativas, atualmente seria de 327 milhões (+5,8%).

 

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