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25 de Sep de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 Governo sírio e aliado russo ameaçam últimos rebeldes de Ghuta Oriental - Jornal Brasil em Folhas
Governo sírio e aliado russo ameaçam últimos rebeldes de Ghuta Oriental


Centenas de rebeldes e civis abandonavam nesta terça-feira (27) Ghuta Oriental, onde o governo sírio e seu aliado russo impuseram acordos de evacuações e agora ameaçam com novos bombardeios para reconquistarem o último reduto das mãos dos insurgentes.

As tropas do governo lançaram uma ofensiva em 18 de fevereiro, apoiada pela Rússia e por milícias leais, que lhes permitiram tomar em seis semanas o controle de mais de 90% do enclave. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), mais de 1.600 civis morreram nesses ataques.

Derrotados militarmente, diversos movimentos rebeldes aceitaram abandonar suas posições em Ghuta Oriental e se retirar para Idlib, província do noroeste da Síria que foge ao controle de Damasco.

Até agora, dois grupos rebeldes aceitaram os acordos de evacuação apadrinhados por Moscou, mas ainda existem dúvidas sobre um terceiro grupo e a última zona rebelde, que rodeia Duma, cidade mais importante da região, controlada pelo Jaish al-Islam.

No total, mais de 17 mil pessoas - combatentes junto com suas famílias, mas também outros civis - deixaram Ghuta Oriental em direção ao noroeste sírio para se instalarem nesses territórios rebeldes.

O processo de evacuação se repete a cada vez. Os combatentes, sem a maioria de suas armas, assim como os civis carregando os seus pertences, se reúnem em um ponto de evacuação e embarcam nos ônibus.

Depois de várias horas de espera, nas quais são submetidos a inspeções supervisionadas por soldados russos, o comboio pode partir.

A operação prosseguia nesta terça-feira na zona sul de Ghuta, controlada pelo grupo islamita Faylaq al-Rahman. Mais de 3.260 pessoas, entre elas 770 combatentes, entraram em 50 ônibus, de acordo com a agência oficial síria SANA.

- Ultimato -

Damasco e seu aliado russo querem impor o mesmo final a Duma.

O jornal pró-regime Al-Watan, que cita uma força militar, assegurou nesta terça-feira que todas as forças mobilizadas em Ghuta Oriental se dirigem para Duma em previsão de uma vasta operação se os terroristas do Jaish al-Islam não aceitarem ceder a cidade e ir.

Em um primeiro momento, o OSDH assegurou que as negociações tinham que permitir que o Jaish al-Islam ficasse em Duma.

O grupo aceitaria o desarme e a mobilização da Polícia Militar russa em troca de assegurar que as tropas sírias não entrem em Duma, segundo o OSDH.

Mas Moscou reclama agora a saída dos rebeles, segundo fontes da oposição. Os russos não querem em Duma um acordo que seja diferente dos outros setores de Ghuta, detalhou uma das fontes.

Em uma reunião ocorrida na segunda-feira, os russos deram aos rebeldes um prazo de 48 horas para que entreguem as armas e vão embora, e ameaçaram com um ataque militar se não o fizerem, segundo uma das fontes.

Na quarta-feira está prevista uma nova reunião entre os negociadores, segundo um porta-voz do Jaish al-Islam, Hamza Bayraqdar, que denunciou a guerra psicológica do governo e de seus aliados.

- Cidades devastadas -

A tática usada pelo presidente Bashar al-Assad permitiu ao governo recuperar grande parte do território sírio. Esta consiste em cercar militarmente um setor, bombardeá-lo e lançar uma operação terrestre para incitar os rebeldes a selarem um acordo de evacuação.

Damasco está ao alcance dos morteiros disparados da zona de Ghuta Oriental. Os rebeldes lançam regularmente foguetes até a capital síria.

O governo sitiou a zona em 2013, onde viviam cerca de 400 mil pessoas antes do início da ofensiva, dificultando a chegada de alimentos e remédios.

O OSDH indicou que documentou a prisão de mais de 40 homens e jovens pelas tropas sírias nos últimos dias em zonas capturadas.

Os devastadores bombardeios e disparos de artilharia deixaram em ruínas grande parte de Ghuta, fazendo com que os moradores se vissem obrigados a fugir.

Cerca de 110 mil pessoas fugiram para as zonas controladas pelo governo, a maioria a pé usando os corredores humanitários dispostos por Damasco e seu aliado russo, segundo a imprensa estatal síria.

A ONU indicou que, desse grupo, cerca de 55 mil pessoas estão abrigadas de maneira muito precária em refúgios improvisados pelo governo sírio.

A guerra na Síria, iniciada depois da repressão de manifestantes em 2011, deixou mais de 350 mil mortos, e com o tempo se tornou mais complexa e com muitos atores intervindo no terreno.

As províncias de Idlib (noroeste) e Deraa (sul), onde rebeldes e extremistas estão presentes, ainda fogem do controle de Bashar al-Assad, assim como uma região do nordeste controlada pelos curdos.

 

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