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16 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Londres celebra ponto de inflexão após expulsão de diplomatas russos - Jornal Brasil em Folhas
Londres celebra ponto de inflexão após expulsão de diplomatas russos


O Reino Unido celebrou nesta terça-feira as expulsões de supostos espiões russos ao redor do mundo como um ponto de inflexão na atitude do Ocidente em relação a uma Rússia temerária.

Vinte países, incluindo Estados Unidos e 16 membros da União Europeia, decidiram na segunda-feira expulsar pelo menos 116 supostos agentes russos que trabalhavam sob cobertura diplomática, em uma retaliação coordenada sem precedentes, inclusive no período da Guerra Fria.

Nesta terça, a Irlanda e a Otan se uniram ao movimento.

A Irlanda anunciou a expulsão de um diplomata russo, já a Aliança do Atlântico Norte (Otan) decidiu expulsar sete diplomatas russos e negar credencial a outros três, segundo informou o secretário-geral Jens Stoltenberg.

Isso manda uma mensagem clara à Rússia de que há custos e consequências para sua forma de atuar, inaceitável e perigosa, acrescentou o secretário-geral da Aliança do Atlântico Norte.

Nunca antes tantos países haviam se unindo para expulsar diplomatas russos, escreveu o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, em um artigo publicado no jornal The Times, no qual afirma que este é um golpe do qual a inteligência russa levará muitos anos para se recuperar.

Acredito que os acontecimentos de ontem podem virar um ponto de inflexão. A aliança ocidental tomou ações decisivas e os sócios do Reino Unido se uniram contra a ambição temerária do Kremlin, completou.

As expulsões foram uma resposta ao envenenamento com um agente neurotóxico do ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia em 4 de março em Salisbury, sul da Inglaterra. Os dois permanecem em estado crítico em consequência do ataque, atribuído por Londres a Moscou.

Skripal, um oficial de inteligência militar russo detido por Moscou por repassar informações sobre agentes russos a vários países europeus, chegou ao Reino Unido em 2010 graças a uma troca de espiões.

- Nova Guerra Fria -

O Reino Unido já havia ordenado a expulsão de 23 diplomatas russos após acusar a Rússia pelo ataque. Moscou negou a acusação e apontou para o serviços de inteligência britânico.

Na segunda-feira, os aliados da Grã-Bretanha seguiram o exemplo, liderados pelos Estados Unidos, que ordenaram a expulsão de 60 russos de seu território, em um novo golpe para as relações entre Washington e Moscou menos de uma semana depois do presidente americano Donald Trump ter felicitado o colega russo Vladimir Putin por sua reeleição.

Outros países se uniram imediatamente à retaliação e anunciaram expulsões em menor escala, um movimento que o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, atribuiu à pressão dos Estados Unidos.

É o resultado de pressões colossais, uma chantagem colossal que constitui, infelizmente, a principal arma de Washington no cenário internacional, afirmou Lavrov durante uma visita ao Uzbequistão.

A Rússia já advertiu que está preparando uma resposta de represália para os países que se submetem sem, afirma Moscou, entender totalmente o que está acontecendo.

Em um artigo para o jornal russo Vedomosti, o analista Fiodor Lukianov afirma que as expulsões, particularmente destrutivas para as relações entre Rússia e Estados Unidos, levam as relações entre Moscou e o Ocidente a um novo período de Guerra Fria.

Não é o fim da escalada, está claro que vai se agravar, prevemos medidas ainda mais severas, sanções econômicas contra a Rússia, advertiu, enquanto o jornal Izvestia denunciou uma ação de russofobia.

Ao anunciar as respectivas expulsões, no entanto, as autoridades ocidentais deixaram claro que compartilham a afirmação britânica de que apenas o Kremlin poderia estar por trás do envenenamento de Skripal.

- Ninguém se deixa enganar -

Em seu artigo no jornal The Times, Johnson considera que o uso de um agente neurotóxico proibido em território britânico é parte da tendência mais amplia de um comportamento temerário de Vladimir Putin.

Ele cita a anexação da Crimeia, o apoio russo ao regime sírio de Bashar al-Assad e as supostas interferências em eleições em outros países.

O fio condutor é a vontade de Putin de desafiar as regras essenciais das quais dependem a segurança de cada país, escreveu.

E, ao criticar as várias teses de Moscou para explicar o envenenamento, o chefe da diplomacia britânica respondeu: Houve um tempo em que a tática de espalhar a dúvida poderia ser eficaz, mas agora ninguém se deixa enganar.

 

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