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 Integração entre governo, academia e setor privado é fundamental, diz ministro - Jornal Brasil em Folhas
Integração entre governo, academia e setor privado é fundamental, diz ministro


O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, disse hoje (7) que o Brasil tem muita produção de pesquisas, teses de mestrado e doutorado e pós-doutorado, mas é preciso transformar tudo isso em bem-estar social, para refletir no sistema produtivo brasileiro e promover a geração de riqueza. Para ele, a integração entre o governo, a academia e empresas privadas é fundamental.

Pansera apontou que as universidades têm muitas resistências à vinculação da pesquisa no estado puro para produção de patentes e de produtos que gerem economia, mas defendeu que o conhecimento gerado no meio acadêmico tenha um sentido prático na vida das pessoas, como o caso de um remédio para combater a Zika.

“Isso para gente é fundamental, a integração do governo, a academia e o setor privado, para que tudo que é produzido em estado da arte na ciência, no futuro, vire geração de riqueza e bem-estar social”, considerou o ministro, durante palestra na aula inaugural dos novos alunos da Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para o ministro a Coppe é um exemplo de integração das universidades com o setor privado. Ele avaliou que este é o caminho para o desenvolvimento das pesquisas de que o país precisa. “O estado não tem como sustentar um sistema de pesquisa pujante a vida toda, o tempo todo. O estado precisa de apoio e a iniciativa privada tem que ver isso como um lugar para criar produtos e gerar riqueza, gerar novos processos, novos sistemas. Só assim a ciência brasileira dará um salto”.
Rio de Janeiro - Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, visita ônibus ecológico, movido a energia e hidrogênio, que será usado por atletas nos Jogos Olímpicos de 2016 (Cristina Indio do Bras

Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, visita ônibus ecológico, movido a energia e hidrogênio, que será usado por atletas nos Jogos Olímpicos de 2016

Entre os projetos da Coppe estão o ônibus urbano elétrico híbrido a hidrogênio, que pode operar com três tipos de fontes de energia elétrica e será usado por atletas no período dos Jogos Olímpicos; o Parque Tecnológico, onde estão instalados os grandes centros de pesquisas de empresas que cooperam com a UFRJ, como a Petrobras, e onde se produz tecnologia para a retirada de petróleo do fundo do mar; e o Maglev-Cobra, um trem de levitação magnética, que tem um custo reduzido na comparação com outros meios de transporte de massa.

Marco Regulatório

Pansera destacou também a importância do Marco Regulatório da Ciência e Tecnologia e Inovação, sancionado pela presidenta Dilma Rousseff no dia 11 de janeiro, para o desenvolvimento do setor e adiantou que amanhã (8) devem ser analisados no Congresso alguns vetos da lei.

De acordo com o ministro, o marco legal muda muito o panorama e a legislação do setor, entre outros pontos, no sentido de facilitar a importação de produtos de pesquisa e de reagentes, além de equipamentos importantes para as universidades e os laboratórios, como também, permite que professores de universidades dediquem até 416 horas por ano para o desenvolvimento de projetos de pesquisa entre a universidade e a iniciativa privada.

“[O marco regulatório] permite que centros como a Coppe ou a UFRJ entrem como sócios minoritários de empresas em projetos de inovação, de pesquisa e de busca de patentes e novos produtos”, exemplificou.

Pansera voltou a comentar, que o ministério está em vias de contratação de um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para garantir recursos para a área. “Já temos o OK do BID, falta agora resolver no Cofiex [Comissão de Financiamentos Externos, o órgão colegiado ligado ao Ministério da Fazenda] para que o dinheiro chegue”, explicou.

Saída da crise

Para o ministro, a saída do Brasil da crise econômica atual passa pela ciência, pela tecnologia e pela inovação e defendeu que é necessário reduzir a diferença que existe entre o setor no Brasil e das grandes potências científicas mundial. “Isso para gente é um esforço muito grande. Em 2013, o Brasil investiu 1,26% do PIB em inovação, ciência e tecnologia. Os padrões mundiais giram em torno de 2%. A Coreia investe mais de 3%, os Estados Unidos em torno de 2,8%. Nosso objetivo é chegar a 2020, investindo 2% do PIB. Em torno de 60% disso, é dinheiro público e 40% da inciativa privada. É um desafio muito grande para gente nos próximos anos”.

O ministro se mostrou preocupado com as medidas de adequação do Orçamento do governo do estado do Rio de Janeiro, que pretende reduzir de 2% para 1%, os recursos do ICMS que são destinados ao Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia. “Estamos hoje com um debate na Alerj e com o governador para que essa PEC estadual não seja votada, porque o dinheiro da Faperj [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro] é muito importante. 2% do ICMS do estado significam R$ 300 milhões por ano que vem para o sistema de ciência e tecnologia, para bolsas e compra de equipamentos”.

 

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