Pressreader / UOL Banca / Nuvem



Siga, Curta e Compartilhe
#brasilemfolhas - #jonaldodia - #jornaldigital
#jornalbrasil - #newspaperbrazil - #jornalhoje


15 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
Notícias
 Seminário discute política de segurança pública e intervenção no Rio - Jornal Brasil em Folhas
Seminário discute política de segurança pública e intervenção no Rio


As medidas de segurança pública em execução no país, entre elas a intervenção federal no Rio de Janeiro, e sua relação com o atual cenário político foram discutidas hoje (6) no seminário “Desafios para a segurança pública em tempos de intervenção”, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog e pela Fundação Friedrich Ebert Brasil. Os participantes criticaram a criminalização da pobreza e a falta de planejamento e transparência das políticas públicas relacionadas à segurança.

Uma das participantes da mesa, a antropóloga e cientista política da Universidade Federal Fluminense (UFF) Jacqueline Muniz disse que as políticas de segurança passaram a justificar as políticas sociais. “Nós passamos a subordinar os direitos aos bens essenciais – cultura, educação, saúde – à segurança. Ou seja, o direito à cultura agora é para tirar o jovem do crime. Ter educação é para tirar do crime”, disse a especialista.

Esse discurso está inserido, segundo a pesquisadora, em um contexto de criminalização das parcelas mais pobres da população. “É um processo perverso que implica a criminalização dos sujeitos e depois na sua descriminalização [quando são oferecidos os serviços básicos]”, acrescentou.

Para Jaqueline, o sistema de segurança brasileiro, em especial a polícia, é desfuncional porque nunca foram definidos com clareza os papéis das diversas forças de segurança. “Ninguém sabe onde começa e onde termina a capacidade coercitiva dos meios de força combatentes e comedidos no Brasil”, disse, ao falar das corporações que vão desde as guardas municipais, incluindo também forças específicas, como a Polícia do Senado, até as polícias Civil, Federal e Militar.

Com isso, faltam, na avaliação da especialista, instrumentos de controle para a ação policial e transparência dessas instituições. “Está tudo oculto”, enfatizou.

Intervenção federal

A opacidade também é a crítica que Jaqueline faz à intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Segundo ela, não existe um planejamento prévio do que se pretende com a ação. “Sem um plano de emergência, de intervenção, fica muito difícil avaliar o que está sendo feito. Ainda que se tenha um ou outra denúncia dos diversos observatórios que foram criados por coletivos do Rio de Janeiro, pouco se sabe”, destacou.

No entanto, a antropóloga acredita que a falta de clareza é intencional, integrando que ela chama de “política da desinformação”. Para ela, nesse cenário, a opinião pública fica mais manipulável a partir do medo. “Você acaba fabricando mais ameaças para justificar dispositivos excludentes e desiguais de proteção”, acrescentou.

O procurador do Ministério Público Federal, Marlon Weichert, especialista em justiça de transição e segurança pública, acredita que esse tipo de política vem de construções autoritárias na sociedade e instituições. “A gente não pode distanciar isso de um país com sucessivos legados autoritários. Um país com pouco mais de 500 anos de história e menos de 10% da sua história é de regimes democráticos”, contextualizou.

Guerra às drogas

“Nós temos um sistema de segurança que sempre foi concebido para a repressão social, repressão ao trabalhador”, acrescentou o procurador. Segundo Marlon, como não foi feita uma transição institucional, com o fim da ditadura militar, o Estado continuou a apostar em uma estrutura policial despreparada para combater fenômenos como o crime organizado. “É uma polícia que nunca foi moldada para lidar com o fenômeno de criminalidade e democracia. Eu vou investindo, crescendo um monstro que a gente sabe de antemão que não serve para resolver esse problema”, analisou.

Essa estrutura é, em parte, sustentada, na opinião do procurador da República, com o discurso do combate ao tráfico de drogas. “Eu vou combater o varejo da droga na favela, usando de alta militarização. E isso é muito interessante, porque eu posso criminalizar a pobreza. Favela igual a local de droga. Favelado igual a traficante” diz, ao explicar como é construída a argumentação para a criminalização dos moradores de comunidades pobres.

O procurador lembra que a chamada política de guerra às drogas foi construída nos Estados Unidos e serviu de pretexto tanto para repressão de grupos internos, como o movimento negro e os contestadores da Guerra do Vietnã (1959-1975), como para intervenção em outros países. “Além de fazer o controle político, você vende armas e joga a violência para a periferia. Eu posso consumir drogas tranquilamente nos países do Norte, porque eu faço a repressão nos países da periferia”, relacionou.

Assim, Marlon diz que o sistema de segurança pública acaba sendo usado como uma política de contenção social, que mantém as áreas mais privilegiadas seguras e as comunidades pobres sob constante violência. “Quando eu militarizo, eu faço repressão social na periferia, eu impeço a organização social para discutir o problema estrutural de desigualdade. Eu não preciso de ditadura militar, porque eu consigo garantir que o pobre não vai se organizar porque ele está sofrendo a mão dura da guerra às drogas”.

Edição: Davi Oliveira

 

Últimas Notícias

Presidente Díaz-Canel defende trabalho de médicos cubanos no Brasil
Ministério vai lançar edital para repor vagas de médicos cubanos
CFM afirma que há médicos suficientes para atender Brasil
Associação lança projeto para conscientizar população sobre diabetes 2
Transposição do S. Francisco está na pauta de prioridades da transição
Temer inaugura primeira etapa do acelerador de elétrons Sirius
Temer diz que decidirá “lá na frente” reajuste de ministros do STF
Só um governador do Nordeste participa de encontro em Brasília

MAIS NOTICIAS

 

No Congresso, Temer defende reuniões frequentes entre Poderes
 
 
Bolsonaro reafirma, no Congresso, compromisso com a Constituição
 
 
Bolsonaro critica Enem e diz que prova deve cobrar conhecimentos úteis
 
 
Governo de transição dividiu trabalhos por temas em dez frentes
 
 
Para ministro, é “mais simples” unir MEC com Ciência e Tecnologia
 
 
Bolsonaro e Temer iniciam hoje formalmente governo de transição

 

 
 
 
 


ÚLTIMAS EDIÇÕES DO JORNAL BRASIL EM FOLHAS

 
 




© 2008 - 2019 - BRASIL EM FOLHAS S/A - CENTRAL DE ATENDIMENTO +55 (62) 3040-8212