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 Capacitação aborda diagnóstico e tratamento de acidentes com animais peçonhentos - Jornal Brasil em Folhas
Capacitação aborda diagnóstico e tratamento de acidentes com animais peçonhentos


A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), com o apoio do Ministério da Saúde, realiza, em Belo Horizonte, uma capacitação de médicos e enfermeiros para diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos.
Em Minas Gerais, de 2013 a 2018, foram notificados 174.508 acidentes por animais peçonhentos (Crédito: Marcus Ferreira)

O objetivo da ação é atualizar os profissionais com informações sobre a identificação das espécies, utilização e armazenamento dos soros e vigilância epidemiológica dos acidentes, viabilizando diagnóstico e tratamento adequados aos pacientes. A capacitação foi iniciada nessa terça-feira (3/4) e segue em andamento nesta quarta-feira (4/4).

São considerados animais peçonhentos aqueles que produzem veneno e podem introduzi-lo no corpo da vítima por meio de um aparelho inoculador, constituído por presas, ferrões, cerdas urticantes, entre outros.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam a notificação de 215.946 acidentes com animais peçonhentos em 2017. Entre os mais comuns estão os causados por escorpião, seguido por aranha e serpente. Também foram notificados 399 óbitos no mesmo período, em todo o país.

Ainda de acordo com os dados do órgão, Minas Gerais é o terceiro estado com maior número de registros de acidentes. Num balanço de 2013 a 2017, as cidades com maior número de notificações no estado foram Montes Claros, com 8.184 casos, e Belo Horizonte, com 6.395 casos.

Segundo o representante do Ministério da Saúde, Flávio Dourado, é importante que os profissionais de Saúde conheçam os animais peçonhentos presentes em sua região, para que o uso adequado do soro seja feito.

“Os soros são produzidos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), Instituto Butantan, Instituto Vital Brazil e Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI). Ao todo, existem nove tipos de antivenenos brasileiros, para escorpiões, serpentes, aranhas e lagartas”, afirma Dourado.

Ele explica, ainda, que há fatores que podem interferir nas condições do paciente e, por isso, requerem atenção. São eles a faixa etária, local da picada, tipo de envenenamento, intensidade das manifestações clínicas, primeiros socorros e condutas médicas inadequadas, além do tempo entre a picada e o atendimento. Outro dado importante é que cerca de 70% dos acidentes ocorrem na região das pernas, e, por isso, é preciso ficar atento para questões como o uso de vestimenta adequada ao fazer atividades em mata alta, por exemplo.

Em Minas Gerais, de 2013 a 2018, foram notificados 174.508 acidentes por animais peçonhentos. Em 2018, até o momento, ocorreram 9.453 casos e, no ano passado, outros 41.675.

O tipo de acidente mais comum no estado é o causado por escorpião, seguido de aranha e serpente. Entre os acidentes provocados por escorpiões, 63% ocorreram em área urbana. As principais espécies presentes no estado são aranhas, escorpiões, serpentes, lonômia (lagarta) e abelhas africanizadas.

No estado, os soros são solicitados pela SES-MG ao Ministério da Saúde e depois distribuídos às Regionais de Saúde do estado, que encaminham o quantitativo adequado de forma estratégia aos serviços de saúde. Ao todo, existem 269 Unidades de Soroterapia em Minas Gerais.

Notificação adequada

A notificação adequada dos acidentes também foi tema da capacitação, realizada nessa terça-feira (3/4). Afinal, todos os casos devem ser notificados por meio de ficha específica, independentemente do animal causador dos acidentes ter sido identificado ou não.

A notificação deve ser feita, obrigatoriamente, por médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam assistência ao paciente. Os soros são distribuídos com base nos dados da ficha de notificação lançada no sistema de notificações.

A referência técnica do Programa de Vigilância e Controle dos Acidentes por Animais Peçonhentos da SES-MG, Andréia Kelly dos Santos, explica que Minas Gerais possui um dos principais serviços de toxicologia do país, localizado no Hospital João XXIII, da Rede Fhemig.

A Funed está entre as instituições que produzem os soros contra o veneno de animais peçonhentos (Crédito: Leonardo Noronha)

“O Serviço de Toxicologia do Hospital João XXIII possui um telefone que funciona 24h por dia, sete dias por semana. Em caso de dúvida sobre o manejo clínico, os profissionais de saúde podem entrar em contato com o serviço para saber como proceder em relação ao paciente. O telefone é 0800-722-6001”, observa Andréia.

Ainda de acordo com a referência técnica da SES-MG, a administração precoce e correta do soro é fundamental para o sucesso do tratamento. Entretanto, a população também deve ficar atenta para evitar complicações.

“Em caso de acidente com animal peçonhento, deve-se, no máximo, lavar o local com água e sabão e encaminhar imediatamente o paciente para atendimento médico”, explica. Não é recomendado o uso de torniquetes, garrotes ou qualquer outro procedimento que não seja o realizado pelos serviços de saúde.

Participam da capacitação profissionais de saúde de Unidades de Soroterapia e Regionais de Saúde do estado, que serão multiplicadores das informações nos municípios mineiros. O evento segue até a próxima quarta-feira (4/4).

Cuidados que podem evitar acidentes

Alguns cuidados simples podem ajudar a evitar acidentes com animais peçonhentos. Confira alguns deles:

-Entre com cuidado em locais que ficaram fechados por muito tempo;
-Sacuda cuidadosamente roupas, sapatos, toalhas e lençóis que ficaram do imóvel no período em que ele permaneceu fechado;
-Afaste as camas das paredes e evite pendurar roupas fora dos armários;
-Limpe o interior e os arredores da casa usando luvas, botas e calças compridas;
-Evite o acúmulo de lixo, entulhos e materiais de construção próximos a casa;
-Nunca colocar as mãos em buracos ou frestas;
-Sempre use luvas ao fazer a limpeza de uma casa fechada por muito tempo;
-Caso encontre algum animal peçonhento dentro de casa, afaste-se dele sem assustá-lo e entre em contato com os bombeiros ou com o centro de controle de zoonoses da sua cidade;
-Em regiões de mato alto usar sempre calça comprida e botas;
-Próximo a matas e na beira de estradas, evite deixar as portas do carro abertas, principalmente ao anoitecer;
-Jamais pegue animais peçonhentos com as mãos, mesmo que eles pareçam mortos;
-Manter limpos os locais próximos a residências, calçadas, jardins, quintais, paióis e celeiros.

 

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