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23 de Apr de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 Discurso de posse do governador Márcio França na ALESP - Jornal Brasil em Folhas
Discurso de posse do governador Márcio França na ALESP


É com muita honra, presidente e senhores deputados, que venho a essa tribuna e a essa casa para assumir o governo de São Paulo. Sei que é uma grande tarefa e da responsabilidade que isso impõe. Sou um antigo político, tenho muito orgulho da minha carreira política, tenho muito orgulho de ser político, tenho orgulho de cada voto que tive em minha vida, lutei muito para conquistá-los e sei, como os senhores sabem, como é difícil convencer alguém a votar em você.

Sou um apaixonado pela democracia, pelas coisas que vêm através do voto, pelas conquistas que o voto traz. Sou eternamente devedor às pessoas que confiaram em mim ao longo de suas vidas e que me permitiram ter uma carreira bem-sucedida e honrada. Sei que não é uma tarefa simples você fazer uma sucessão, no caso específico em São Paulo, num momento tão difícil do Brasil. Momento duro para o nosso país, com tantos problemas, aonde se confundem, de verdade, a origem e a forma do poder. O poder emana do povo e é em nome dele que é exercido.

Essa é a única forma legítima de se chegar ao poder: através do voto. É assim que eu aprendi, é assim que eu defendo, é assim que eu quero me submeter a todos os parlamentares dessa casa. Sou um apaixonado pelo Parlamento. Acho que a verdadeira representação do povo está no Parlamento. O povo elege os parlamentares para falar em seu nome. Tive muito anos em vários parlamentos e, portanto, sou muito devedor a todas minhas passagens que tive no Parlamento no Brasil, na minha cidade e em vários lugares. Sei também que a nossa tarefa enquanto parlamentares, também não é simples, porque as pessoas nem sempre compreendem o que temos de fazer e a forma de fazê-las. Mas sei que, aqui em São Paulo, a Assembleia Legislativa é parceira do Governo de São Paulo e tem colaborado muito para que pudéssemos chegar até aqui. Um estado forte, um estado soberano, um estado que é exemplo para o Brasil.

Quero dizer mais. Se fosse em, talvez, em outro canto do Brasil, eu teria muita dificuldade em assumir o Governo de São Paulo – assumir um governo, seja ele de São Paulo.

Mas São Paulo é forte e tem uma longa trajetória de ajudar e de poder proporcionar ao Brasil saídas inteligentes e saídas importantes nos momentos mais difíceis. Foi de São Paulo que saiu o berço da nossa democracia, lá na minha São Vicente, em 1532, quando Martin Afonso decretou as primeiras eleições das Américas e essas eleições até hoje ecoam em todo Brasil, porque somos adeptos da democracia.

Também, a partir de São Paulo, saiu todo esforço de nós paulistas, empreendedores, das pessoas que vieram de todos os lugares do mundo, na fusão do que chamamos a alma brasileira, quando juntamos os nativos que estavam aqui, as pessoas que vieram da Europa e de outros lugares e os africanos. Isso constitui a alma brasileira.

Foi também a partir de São Paulo que nós forjamos todo esse mapa, que a gente hoje chama de Brasil. Essa linda nação, grande nação, conquistada através de bandeiras e bandeirantes, de entradas, de pessoas que tiveram a coragem de subir a serra e enfrentar todos os problemas para poder fazer esse mapa bonito e grande, que tornou o Brasil tão grande como nação.

São Paulo deu exemplo em diversos momentos e voltou a dar exemplo na independência, quando nós resolvemos e decidimos aqui, a partir de D. Pedro, que faríamos o grito para poder nos separarmos de Portugal e nos transformarmos de colônia em terra e país. Depois, mais uma vez, foi de São Paulo que saiu a grande revolução Paulista de 1932 para defender legitimamente a posse de Julio Prestes presidente da república eleito – o último paulista eleito – e que não tomou posse porque a União não deixou. Julio teve a capacidade de fazer o seu papel e nós lutamos até o final, com muito o suor, sacrifício e o sangue de muitos paulistas.

Portanto, o Brasil nunca pôde falar que de São Paulo não partiram as soluções para os seus problemas. Nesse instante, estou convicto que de São Paulo, mais uma vez, vão sair soluções importantes para o Brasil. Estou convicto disso. Sei que de São Paulo saem as intermediações, as coisas ponderadas, as coisas que podem gerar estabilidade no Brasil. Num Brasil que, às vezes, por força de um instante, pensa que pode transformar a radicalidade, os extremos e a beligerância no formato certo da convivência. É no Parlamento que a gente resolve as nossas divergências. São os senhores que têm de resolver as divergências. O povo outorgou a cada um dos senhores essa divergência.

Acima de nós, acima dos nossos partidos, está o povo de São Paulo. Está o povo brasileiro. Ele sim é o verdadeiro dono de tudo o que nós fazemos, o dono das nossas decisões e o dono do estado brasileiro e o estado paulista. E a esse serei sempre submisso também. Quero, por fim, dizer que em São Paulo a tarefa fica muito mais simples na medida que assumo o governo das mãos de um homem honrado, de um homem que cumpre a sua palavra, de um homem digno, de um homem que é exemplo para os políticos, porque é perseverante, porque é resistente, porque é resiliente, porque conseguiu superar momentos difíceis da vida de São Paulo, da vida do Brasil e de sua vida pessoal, em especial, neste mandato. Passagens difíceis da vida dele que eu o vi superando uma a uma e, portanto, muito preparado para todos os desafios que ele pode ocupar daqui para frente.

Da nossa parte, ele vai encontrar o que eu sempre fiz na minha vida: a amizade, a decência e, acima de tudo, a lealdade, que é a palavra que marca a minha trajetória. Para àqueles que me conhecem, desde a minha primeira eleição lá em São Vicente, os meus 472 votos – eu sou capaz de dizer ainda onde estão esses votos de tanto que eu dei importância a essa trajetória.

Todos que me conhecem sabem: eu nunca abandono uma tarefa no meio, eu nunca abandono, eu nunca abandono um amigo em nenhum caminho, eu nunca abandono. Nunca divirjo de um jeito que eu possa fechar as portas, eu nunca faço isso. E sei que mais importante do que qualquer momentânea divergência, nós temos, acima de tudo, o compromisso com o povo de São Paulo, que é o povo que lidera o Brasil e que vai continuar sendo assim.

Que Deus nos proteja a todos. Quero cumprimentar de maneira muito especial todos aqui presentes e quero, claro, saudar as mulheres todas na pessoa da minha mulher, Lúcia, minha companheira de todos esses anos. Minha primeira namorada, que até hoje está comigo, aguenta os nossos sacrifícios e que é testemunha dessa relação também leal e fraterna que nós temos.

Muito obrigado a todos. Que Deus proteja São Paulo e o Brasil.

 

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