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 Suicídio, prisão, escândalos: o trágico destino dos presidentes brasileiros - Jornal Brasil em Folhas
Suicídio, prisão, escândalos: o trágico destino dos presidentes brasileiros


O presidente Michel Temer, quando ainda era vice-presidente em maio de 2012, junto com a então presidente Dilma Rousseff e os ex-presidentes José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor

Suicídio, golpe de Estado, impeachment, escândalos ou prisão: ser eleito presidente no Brasil pode levar a um destino trágico.

No sábado, a prisão em Curitiba do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, caiu com uma bomba.

Não somente porque Lula (2003-2010) deixou o cargo como um dos presidentes mais populares do mundo, mas também porque lidera todas as pesquisas para as eleições de outubro.

Mas, se for olhar por outro ângulo, a vertiginosa queda de Lula foi como de praxe.

Os presidentes brasileiros vivem no Palácio da Alvorada, projetado por Oscar Niemeyer, dispõem de grandes reservas petroleiras, governam um país com 209 milhões de habitantes, com a maior floresta do mundo e, possivelmente, também com a melhor seleção de futebol. Mas, por alguma razão, as coisas tendem a ir mal.

Ao menos Lula completou seus dois mandatos.

Sua sucessora, Dilma Rousseff, a quem ajudou a vencer a eleição de 2010, sofreu um impeachment acusada de ter manipulado as contas públicas em 2016, na metade do seu segundo mandato.

Quem ficou com o cargo presidencial foi seu vice-presidente, Michel Temer, que conta com uma popularidade de 5%.

O presidente se mantém de pé apesar de seu futuro ser incerto: no ano passado, foi denunciado duas vezes por corrupção, se tornando o primeiro presidente do Brasil em exercício a ser acusado de um crime comum. Por enquanto, está protegido pela imunidade presidencial.

Se formos um pouco para trás, até 1992, encontraremos Fernando Collor de Mello. Ele também sofreu um impeachment acusado de corrupção e deixou o cargo após dois anos de mandato.

Os procuradores agora o acusam novamente e em 2015 confiscaram sua espetacular coleção de carros de luxo.

E apenas como uma amostra, outro dos cinco ex-presidentes vivos do país, José Sarney (1985-1990), também é investigado por corrupção.

Sarney chegou à Presidência como companheiro de chapa de Tancredo Neves, que venceu a primeira eleição democrática após a ditadura, iniciada em 1964, mas morreu antes de tomar posse.

- Tragédia -

Fazer política é operação de risco, escreveu Angela Alonso em sua coluna de domingo no jornal Folha de S.Paulo. No Brasil, há risco de perder a eleição, a liberdade (a voga é cadeia) e a vida.

Isso era especialmente certo para o presidente João Goulart, popularmente conhecido como Jango.

Ele se tornou presidente em 1961 depois da renúncia de Jânio Quadros, que durou somente meio ano no cargo. Depois, em 1964, Goulart sofreu um golpe de Estado que instaurou uma ditadura de duas décadas.

Passou o resto da vida no exílio e morreu na Argentina em 1976, oficialmente de um ataque do coração, embora haja versões de que foi envenenado.

Mas o caso mais trágico dos presidentes do Brasil foi, sem dúvidas, o de Getúlio Vargas. O populista governou o país em dois períodos entre os anos 1930 e 1950, fazendo grandes esforços para transformar seu setor de energia.

Em 24 de agosto de 1954 atirou no peito, atingindo o coração, com um revólver dentro do palácio presidencial, deixando uma carta ao povo brasileiro: Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte.

- Questão de democracia -

Ao escavar a história brasileira, a situação não melhora muito. De fato, o primeiro presidente do país fundou a República com um golpe de Estado em 1889, acabando com o Império do Brasil.

Maurício Santoro, professor de Ciência Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), considera que a triste vida dos presidentes reflete problemas profundos a respeito da democracia brasileira.

É uma democracia com mais espaço do que antes, mas continua marcada por essa instabilidade, afirma. Dificulta para os presidentes fazerem uma política de longo prazo, considera.

A boa notícia é que a campanha contra a corrupção que colocou tantos políticos em uma situação delicada reflete a crescente maturidade do país.

A diferença é que aqui temos um Poder Judiciário que tem uma certa autonomia, sobretudo nos escalões de base, que tem uma capacidade muito grande de investigação, afirma Santoro.

A sociedade mudou mais rápido do que o próprio sistema político, afirma.

Os brasileiros estariam cada vez mais prontos para eleger presidentes estáveis e honestos.

Isso poderia ser possível em outubro deste ano?

Julgando pelos atuais candidatos a presidente, temo que vá demorar um pouco, lamenta o analista.

 

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