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 Prefeitura de São Paulo vai oferecer curso de português para 300 venezuelanos - Jornal Brasil em Folhas
Prefeitura de São Paulo vai oferecer curso de português para 300 venezuelanos


A prefeitura de São Paulo firmou hoje (13) parceria com o Centro Universitário Ítalo-Brasileiro para oferecer curso de português a refugiados. Serão disponibilizadas 50 vagas no campus da instituição em Santo Amaro, na zona sul. A cidade deve receber 300 estrangeiros como parte do programa de interiorização dos imigrantes que cruzaram a fronteira em Roraima para escapar da crise econômica e política na Venezuela. Até o momento, 161 venezuelanos estão na capital paulista.

Segundo o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Felipe Sabará, os participantes do curso serão selecionados a partir do processo de documentação. Aqueles que tiverem a situação resolvida poderão participar das aulas. “Todos terão direito a cursos, mas nesse primeiro momento, a triagem vai ser baseada naqueles que tem a documentação mais finalizada”, disse após o anúncio. O curso de português terá uma carga total de 30 horas.

Além das aulas, o prefeito Bruno Covas ressaltou que a administração municipal está tentando forma de incluir os imigrantes no mercado de trabalho. “A prefeitura está buscando espaço no mercado de trabalho com empresas de call center que, inclusive, precisam de pessoas que falem o espanhol para poder atender em espanhol”. Os venezuelanos estão sendo abrigados em Centros Temporários de Acolhimento, voltados para o atendimento da população em situação de rua.

Processo de aprendizagem

Para o fundador do Instituto Adus, organização não governamental que trabalha com integração de refugiados, Marcelo Haydu, o processo com os venezuelanos tem sido melhor do que com os haitianos, durante a crise migratória de 2014. “Diferente do que foi feito com os haitianos, que praticamente foram escorraçados lá do Acre. Dessa vez, teve uma ação um pouco mais bem estruturada”, avaliou.

A ideia de trazer os estrangeiros, atualmente concentrados em Roraima, para São Paulo também é acertada na opinião de Haydu. “Eu acho que São Paulo deveria acolher a maior parte dessas pessoas. Não sei se, na prática, isso vai se concretizar, mas eles deveriam ir para as cidades e estados mais bem estruturados. E São Paulo, dentro do Brasil, é o estado mais bem estruturado para receber refugiados e imigrantes”.

Sobre o curso de português oferecido pela parceria da prefeitura, o diretor da ONG disse não ter condições de fazer uma análise específica, por não conhecer a metodologia. Ele comparou com os resultados obtidos pelo Adus. “Geralmente, em um módulo de três meses com quatro horas por semana, essas pessoas saem com um nível razoável. As pessoas conseguem entender bem o que está sendo dito, se comunicar”.

O domínio da língua costuma chegar, no entanto, segundo Haydu, com um pouco mais de estudo. “Em seis meses, a pessoa estando no país em contato com brasileiro, sai com nível, pelo menos de audição e oral, bem satisfatório”, disse ao explicar o método de trabalho da ONG. O instituto tem uma metodologia voltada para o aprendizado de pessoas em situação de refúgio com dois módulos de três meses de aulas.

Haydu disse que as condições de aprendizagem variam muito para cada pessoa, dependendo da dedicação e do contato com a língua. “O desenvolvimento dessas pessoas que aprendem um idioma, vai muito de cada um, depende da situação que essa pessoa se encontra”.

De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, cerca de 32 mil venezuelanos já pediram refúgio ou residência temporária no Brasil desde 2015, quando começou o fluxo migratório para o país. Mas o fluxo na fronteira é ainda maior, já que muitos deles voltam à Venezuela para buscar parentes ou levar dinheiro para quem ficou. Por dia, entram de 600 a 800 venezuelanos no Brasil, mas eles não necessariamente se estabelecem no Brasil.

Edição: Valéria Aguiar

 

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