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 Ofensiva na Síria repercute no Congresso norte-americano - Jornal Brasil em Folhas
Ofensiva na Síria repercute no Congresso norte-americano


Na política interna norte-americana, representantes dos dois partidos majoritários – republicanos e democratas – reagiram ao ataque aéreo lançado pelos Estados Unidos, em conjunto com a França e o Reino Unido, sobre alvos sírios com potencial químico. De modo geral, democratas questionaram o modus operandi escolhido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e o fato de a decisão ter sido tomada antes de passar por uma consulta ao Congresso. Os republicanos, entretanto, mostraram-se mais favoráveis.

O líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, afirmou no Twitter que vê de maneira positiva um ataque para punir e impedir que o governo sírio use armas químicas, mas demostrou receio com o agravamento da situação. Uma ação pontual e limitada para punir e impedir que Assad [presidente sírio, Bashar Al Assad] faça isso novamente é apropriada, mas a administração precisa tomar cuidado para não nos levar a uma guerra maior e mais complicada na Síria, ponderou.

A deputada Nancy Pelosi, líder democrata na Câmara de Representantes (órgão similar à Câmara dos Deputados brasileira), uma crítica ferrenha da gestão Trump, foi menos receptiva. Também na rede social Twitter, afirmou que, embora o mais recente ataque de armas químicas contra o povo sírio tenha sido um crime de guerra brutalmente desumano, uma noite de ataques aéreos não substitui uma estratégia coerente.

Muitos republicanos elogiaram a ação conjunta, respaldando a decisão de um ataque como resposta ao suposto uso de armas químicas pelo regime de Assad. O Partido Republicano escreveu no Twitter que a barbárie de Assad não pode mais ser tolerada, e que Estados Unidos e seus aliados atacaram em consequência às ações do governo sírio. Até mesmo republicanos críticos da gestão Trump reagiram de maneira positiva. O senador John McCain, um dos nomes eloquentes do partido, que lutou contra a extinção do Obamacare (sistema de saúde criado pelo governo Obama) recentemente, elogiou o ataque.

Aplaudo o presidente por tomar uma atitude militar contra o regime de Assad e estou agradecido aos britânicos e franceses por entrarem conosco em ação, afirmou na sua conta no Twitter.

Consulta ao Congresso

Vários democratas questionaram a legalidade do ataque, uma vez que o Congresso dos Estados Unidos não foi consultado. O senador Tim Kaine, da Virgínia, afirmou que a decisão de Trump de lançar ataques aéreos contra a Síria sem a aprovação do Congresso é ilegal. E completou no Twitter: Precisamos parar de dar aos presidentes um cheque em branco para travar uma guerra. Hoje é a Síria, mas o que o impedirá de bombardear o Irã ou a Coreia do Norte depois?

Os republicanos, entretanto, divergiram. O deputado Thomas Massie, do Kentucky, afirmou que a consulta não é necessária. Eu não li a Constituição da França ou da Grã-Bretanha, mas li a nossa e lá fala da autoridade presidencial para atacar a Síria.

De um modo geral, parlamentares de ambos os partidos afirmaram que a decisão tem respaldo constitucional, uma vez que a última atualização sobre o tema, de 2001, concede ao presidente autoridade para usar a força militar sem aprovação do Congresso.

Edição: Juliana Andrade

 

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