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23 de Jan de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Governo realiza formatura de cursos técnicos em penitenciária - Jornal Brasil em Folhas
Governo realiza formatura de cursos técnicos em penitenciária


Oportunidades, vida nova, sonhos, realizações, acreditar. Essas foram algumas das palavras que mais ecoaram na formatura de 53 detentos nos cursos técnicos de Informática e de Segurança do Trabalho, realizada nessa quarta-feira (11/4), no Complexo Penitenciário Público-Privado, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (EMBH). Os formandos cumprem penas em regime fechado no local.

Os cursos foram desenvolvidos pela Diretoria de Ensino a Distância da Utramig, instituição de ensino vinculada à Sedese, e viabilizados a partir de convênio com a MRV Engenharia e a Gestores Prisionais Associados (GPA), responsável pelo complexo. A iniciativa, pioneira em presídios brasileiros, segue as diretrizes do Governo de Minas Gerais de atendimento às pessoas em situação de risco e vulnerabilidade e deve servir de modelo para outros estados.

“Nós estamos fazendo literalmente o que governo orientou: levar políticas sociais àquelas pessoas que ainda não tiveram oportunidade”, declarou a presidente da Utramig, Vera Victer, na cerimônia.

Vera lembrou aos formandos que eles fazem parte de 1% da população carcerária do país, pequeno grupo que teve a oportunidade de realizar um curso técnico, sendo este o primeiro curso técnico a distância. A presidente da Utramig ressaltou, ainda, a importância da formação profissional para a reinserção social dos detentos.

“Estes cursos trazem para vocês uma identidade profissional. Depois de atravessar esta ponte para o mundo externo, vocês vão poder se apresentar à sociedade com dignidade e com uma identidade profissional. Vocês podem dizer eu sou técnico de Informática, eu sou técnico em segurança do trabalho”, afirmou Vera. As pessoas veem diferente aqueles que se esforçam, que se dispõem a adquirir o conhecimento e a fazer dele uma ferramenta para uma vida melhor”, acrescentou.

Para o secretário-adjunto de Administração Prisional, Marcelo José da Costa, o fundamental para a ressocialização dos presos é oferecer oportunidades.

“Quando se forma uma turma como esta, você está tendo êxito em uma política pública. A sensação é de muito orgulho, satisfação, mas também de muita vontade de continuar fazendo”, afirmou. Ele també mdisse acreditar que o resultado desta ação impulsionará a realização de outras. “Para fazer mais, o primeiro caminho é vontade. Depois, parceiros como MRV Engenharia, a Utramig e a GPA, para mostrarem que é possível também”, complementou.

Segundo o diretor do Instituto MRV, Raphael Lafetá, participar desta parceria “é realizar uma ação efetiva na transformação destas pessoas pela educação”. Ele relatou também o quão emocionante é ver o resultado do investimento. “Satisfeito demais pela formatura deles, e torcendo para que eles possam enxergar isso como uma grande oportunidade de mudança na vida. Que seja um marco para seguirem um caminho diferente”, declarou.

Lafetá acredita que o preconceito é ainda um problema sério em nossa sociedade. Para ele, é necessário o engajamento de empresários e da sociedade civil para conseguir a transformação social deste país.

“Não tem como ficar fora disso. Se deixarmos apenas como responsabilidade do poder público, não vamos conseguir transformar este país. As pessoas têm que se mobilizar e as empresas tem uma função importantíssima, pois elas oferecem emprego”, finalizou.

Oportunidade de uma nova vida

“Não importa quão estreito seja o portão, quão repleta de castigos seja a sentença, o que importa, agora, é que podemos ser vencedores”, declarou, em seu discurso de agradecimento, o formando Igor Miron da Costa, sob o olhar emocionado de sua mãe Vera Lúcia Costa Silva. Na ocasião, ele fez questão de agradecer aos professores e pelo apoio dos familiares que, independentemente das dificuldades, jamais nos abandonaram.

Para Vera Lúcia, a formatura do filho é um momento muito especial. “Ainda não chorei nem sei o porquê”, disse. Ela contou, com orgulho, que o filho já fez diversos cursos de capacitação na penitenciária e está buscando uma alternativa para quando estiver em liberdade. “Quando sair, eu tenho certeza, ele terá uma nova vida. Esta oportunidade de estudar é muito importante para ele e para a família toda”, disse, emocionada.

Patrícia Fernanda de Azevedo também não disfarçava o orgulho pela formatura do irmão Leonardo de Azevedo. “É gratificante, pois a gente vê que a sociedade está oferecendo uma oportunidade de crescer, de ser alguém na vida”. Ela revelou que temia muito, pois “geralmente, falam que quem vai pra cadeia sai pior do que entrou. Ver ele buscando um caminho diferente é muito importante pra gente”, comemorou.

Uma experiência diferente

“Foi uma experiência profissional cheia de desafios”, enfatizou a pedagoga, Luciana Minelli, servidora da Utramig responsável pelos cursos. Ela relatou que os cursos, por serem ofertados dentro do presídio, tiveram algumas ressalvas.

“Os alunos não puderam ter acesso a vídeos, a chat e algumas bibliografias eram bloqueadas. E essas ferramentas deixam o ensino a distância mais atrativo e dinâmico. Para que os alunos não ficassem desmotivados, os encontros presenciais, que aconteciam de 15 em 15 dias, foram didaticamente preparados com vídeos, debates, redações, arguições”, destacou.

Luciana disse, também, que seus familiares ficaram apreensivos ao saber que ela iria ministrar aulas em um presídio, mas que ela não enfrentou nenhum problema. “Fiquei impressionada com a organização, limpeza e segurança do presídio”, enfatizou. Para ela, orgulho e alegria são os sentimentos por “ter contribuído na ressocialização e na educação profissional desses alunos”, concluiu.

 

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