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19 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Trump poderia condicionar Nafta à questão migratória com México - Jornal Brasil em Folhas
Trump poderia condicionar Nafta à questão migratória com México


O presidente americano, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (23) que obrigar o México a conter o fluxo de imigrantes em situação irregular poderia ser uma condição dos Estados Unidos para a renegociação do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).

O México, cujas leis de imigração são muito duras, poderia deter o fluxo de pessoas que atravessam para os Estados Unidos. Poderíamos fazer disso uma nova condição para nosso novo Nafta, afirmou, no Twitter.

Nosso país não pode aceitar o que está acontecendo! Também temos que ter rapidamente fundos para o muro na fronteira com o México, acrescentou.

O anúncio de Trump foi feito mais de uma semana depois de comentar que as negociações para atualizar o Nafta com México e Canadá estão caminhando bem, embora não haja data exata para concluí-las.

O ministro mexicano da Economia, Ildefonso Guajardo, disse recentemente que existe quase 80% de chances de se chegar a um acordo sobre o Nafta no começo de maio. A ministra canadense das Relações Exteriores, Chrystia Freeland, também destacou que as negociações para um acordo estão avançadas.

- Inaceitável -

O México decide sua política migratória de maneira soberana, e a cooperação migratória com os Estados Unidos acontece quando for conveniente para o México, tuitou o chanceler mexicano, Luis Videgaray.

Seria inaceitável condicionar a renegociação do Nafta a ações migratórias fora desse marco de cooperação, acrescentou.

Não é a primeira vez que Trump vincula a relação comercial ao tema migratório.

No início de abril, Trump advertiu o México de que a galinha dos ovos de ouro do Nafta está em jogo, se não tomar medidas para deter a caravana de mais de mil migrantes centro-americanos que viajavam para a fronteira com os Estados Unidos.

Seus tuítes e a decisão de mobilizar até 4.000 membros da Guarda Nacional para reforçar o limite sul do território até 30 de setembro de 2018 tensionaram ainda mais a relação bilateral.

O presidente mexicano rebateu, respondendo que as atitudes ameaçadoras, ou faltas de respeito, são desnecessárias, e determinou uma ampla revisão de toda cooperação com os Estados Unidos.

- Pressão sobre caravana de migrantes -

A caravana de migrantes que deflagrou a fúria de Trump no início de abril se reduziu para cerca de 600 pessoas, em sua maioria centro-americanos. Na semana passada, os ativistas que a lideram disseram que ajudariam 200 desses migrantes a solicitarem asilo nos Estados Unidos, porque fogem da violência, ou da repressão.

O presidente continua monitorando a situação. Uma nação soberana que não pode defender suas fronteiras não será mais uma nação soberana, disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, pedindo ao Congresso que aprove a legislação para acabar com as brechas jurídicas que impedem a proteção das fronteiras.

A necessidade de corrigir estas lacunas e fragilidades em nosso sistema de imigração é crítica, disse o procurador-geral Jeff Sessions, que determinou assegurar que haja suficientes promotores e juízes de imigração disponíveis na fronteira para tratar dos casos que possam surgir decorrentes desta caravana.

O governo dos Estados Unidos incentiva as pessoas com pedidos de asilo ou outras reivindicações parecidas a buscarem proteção no primeiro país seguro que ingressarem, incluindo o México, afirmou, em um comunicado.

Os que buscarem asilo podem ser detidos, enquanto seus pedidos são processados e os que não os tiverem serão expulsos de imediato, acrescentou.

- Pressão por eleições -

A nova reivindicação de Trump sobre migração e comércio acontece duas semanas depois de o próprio presidente ter dito que as negociações com México e Canadá para modernizar o Nafta estão caminhando bem.

Peña Nieto fez essa mesma avaliação, após se reunir com o vice-presidente americano, Mike Pence, em paralelo à Cúpula das Américas em Lima, em meados de abril, embora tenha dito que não há absolutamente data alguma marcada para assinar um novo Nafta.

Na época, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reconheceu a necessidade de obter avanços diante de um pesado calendário político.

Existe, definitivamente, um momento positivo, e estamos avançando. É um desejo e um reconhecimento que os prazos que as eleições do México e as de meio de mandato nos Estados Unidos nos impõem significa que temos certa pressão para avançar nas próximas semanas, disse ele em Lima.

Desde a campanha eleitoral, em 2016, Trump ameaça retirar os Estados Unidos do Nafta, apesar de a indústria americana e de membros do Partido Republicano alegarem que o país se beneficia desse acordo em vigor desde 1994.

 

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