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 Metrô de SP: 50 anos de serviços e histórias de colaboradores - Jornal Brasil em Folhas
Metrô de SP: 50 anos de serviços e histórias de colaboradores


O Metrô de São Paulo reúne inúmeras histórias de vida ao longo de 50 anos, desde a fundação da empresa, em 24 de abril de 1968. A Companhia do Metropolitano se destaca por oferecer serviços de qualidade e oportunidades de crescimento profissional aos 9,8 mil colaboradores, que atuam em diversos setores: administração, operação e manutenção.

Quatro décadas nas cabines

Aos 62 anos, o operador de trem José Dias completa 40 anos de trabalho no Metrô em 2018. O início das atividades de um dos funcionários mais antigos da empresa foi em 1978, quando as composições circulavam apenas na Linha Norte-Sul (atual Linha 1-Azul).

Natural de Novo Horizonte, no interior paulista, José Dias conta que o começo da trajetória na Companhia do Metropolitano foi por meio de processo seletivo sugerido por um amigo que já trabalhava no Metrô. “Preenchi a ficha de inscrição e fiz entrevistas. Descobri que a vaga era para operador de trem. Naquela época, eu atuava na digitação do antigo Unibanco. Fiz vários testes e comecei o treinamento até me formar no cargo. Quando iniciei, a estação Sé ainda não funcionava”, revela José Dias.

De acordo com ele, as mudanças nas composições conduzidas pelos operadores exigem aperfeiçoamento constante, por causa da evolução nos equipamentos. “Para oferecermos bons serviços, sempre passamos por reciclagem. Isso nos dá a condição de excelência no transporte de passageiros. A responsabilidade é fundamental, pois chegamos a transportar 6 mil usuários em cada viagem”, avalia.

Com filhos formados no Ensino Superior graças ao trabalho no Metrô, o operador de trem demonstra orgulho em relação ao exercício profissional. “Foi o melhor que encontrei nesta vida. A convivência na empresa é igual a uma família, com o ambiente gostoso”, destaca José Dias.

De bilheteiro a supervisor de estação

Outra trajetória de sucesso na empresa é de Celso Alves, de 57 anos, supervisor da estação Vila União, da Linha 15-Prata, que opera o monotrilho. Com 32 anos de atividade na Companhia do Metropolitano, o colaborador mostra entusiasmo para se deslocar da Baixada Santista, onde reside, à zona leste da capital paulista.

O funcionário começou como bilheteiro na estação Sé, em 1986. “Atuava como auxiliar de um escritório de contabilidade em São Paulo e vi que as inscrições estavam abertas. Após a seleção pelo Metrô, passei a ter um salário quatro vezes maior”, lembra Celso Alves. Depois de dois anos, ele prestou concurso interno, se transformou em operador de equipamentos e trabalhou nas estações Paraíso e Santos-Imigrantes, da Linha 2-Verde.

Em 2018, chegou o convite para supervisionar uma das estações do monotrilho, por meio de uma equipe de quatro funcionários. “Em relação ao trabalho na Linha 15-Prata, trata-se de equipamentos de última geração, o que exige grande capacitação. O atendimento é diferenciado no monotrilho”, analisa Celso Alves.

“Sinto orgulho do Metrô, uma das melhores maneiras de se deslocar em São Paulo. Tudo que tenho é devido à empresa, inclusive com dois filhos criados. Não imagino a cidade sem os serviços da Companhia, que são essenciais para os usuários”, acrescenta o supervisor.

Liderança feminina no “cérebro” do Metrô

A nova geração de líderes do Metrô conta com a participação de Renata Yamanaka, de 34 anos, supervisora do Centro de Controle Operacional (CCO). Desde 2017, ela comanda a equipe responsável por controlar o desempenho e intervalo entre os trens, além de monitorar a energia do sistema e supervisionar as estações e equipamentos da rede.

Considerado o “cérebro” da Companhia do Metropolitano, o CCO abrange tarefas de extrema responsabilidade, uma vez que cerca de 4 milhões de pessoas são transportadas diariamente. Os funcionários da sala de controle operacional, auxiliados por painéis eletrônicos, observam o que acontece em cada trecho e podem efetuar os ajustes exigidos pelas ocorrências de campo.

Com dez anos de empresa, Renata Yamanaka é a segunda mulher a ocupar o cargo na história. A trajetória dela começou em 2008, ao ser aprovada em concurso público para trabalhar na estação Jabaquara, da Linha 1-Azul. A supervisora passou por duas seleções internas até chegar ao CCO. “É uma gratificação pelo trabalho que fiz e um reconhecimento pelas atividades realizadas. Eu me sinto satisfeita ao participar de ações e prevenções que lidam com a vida dos passageiros”, comemora Renata Yamanaka.

Nascida na cidade de Santos, a profissional elogia a diversidade de experiências no local. “A empresa é o lugar onde faço amigos, amadureço e conheço pessoas das mais variadas culturas. Isso é incrivelmente rico para mim e tenho muito orgulho de participar da família Metrô”, completa.

Sonho realizado na manutenção das vias

As equipes de manutenção também apresentam relatos interessantes de profissionais sobre o Metrô. O técnico de manutenção especializado Fernando Ramos completa 28 anos de sonho realizado, após ser aprovado no processo seletivo da Companhia do Metropolitano iniciado em 1989.

O primeiro contato com a empresa foi como usuário da zona norte de São Paulo. Na época, ele estudava eletrônica e soube da seleção. O início da carreira foi como técnico de manutenção corretiva, no pátio da estação Corinthians-Itaquera, da Linha 3-Vermelha. Foram 14 anos na zona leste da capital paulista.

Em seguida, Fernando Ramos trabalhou no pátio de Capão Redondo, da Linha 5-Lilás, com a promoção para técnico especializado na via permanente. Aos 50 anos e integrante de uma equipe de 200 profissionais, ele cuida dos processos de conservação e manutenção, além da análise de falhas e dos sistemas de qualidade nos ramais. Diversas atividades ocorrem durante a madrugada, nos horários em que as estações estão fechadas.

“A Companhia sempre usa equipamentos de última geração e busca novas tecnologias. É um grande desafio na área técnica. Trata-se de algo importante para a cidade e fazemos sempre o melhor para os passageiros”, afirma o pai de quadrigêmeos, que demonstra orgulho ao trabalhar no setor. “Tenho gratidão e atuo com reciprocidade em relação à empresa”, avalia Fernando Ramos.

Lembranças de um dos primeiros usuários

Usuários e admiradores dos serviços prestados possuem relatos sobre o começo do funcionamento das linhas do Metrô na capital paulista. É o caso do aposentado João Battista Lazarini, de 89 anos, que participou de viagens inaugurais da Companhia em território paulistano.

Nascido e criado no bairro da Saúde, na zona sul da cidade, o ex-operador de subestações da Eletropaulo (à época, empresa Light) acompanhou os trabalhos dos primeiros operários e máquinas, em 1968, que construíram a estação na Avenida Jabaquara. João Battista Lazarini lembra que o local era o campo de futebol do clube Estrela da Saúde.

A inauguração das primeiras estações da Linha 1-Azul ocorreu em 14 de setembro de 1974. Naquela data, foram abertas as paradas Jabaquara, Conceição, São Judas, Praça da Árvore, Santa Cruz e Vila Mariana. O aposentado destaca que muitos paulistanos tiveram receio de embarcar nos trens nas primeiras semanas.

“O pessoal tinha medo das escadas rolantes. A população entrou ao longo do tempo, mas demorou algum tempo. No entanto, eu desci as escadas rolantes da Saúde no primeiro dia e fui até a Praça da Árvore”, lembra João Battista Lazarini. “Acompanhei o Metrô desde o nascimento. Eu queria saber como eles fizeram aquele túnel”, acrescenta.

O ex-operador de subestações também ressalta que é usuário do sistema até os dias atuais. “Ando sempre nas linhas. Foram muitas transformações ao longo das décadas. Perto do que já vi em outras cidades brasileiras e estrangeiras, o Metrô é a coisa mais linda do mundo”, avalia.

Com 79 estações e 89,7 quilômetros de trilhos, as atividades no Metrô são possíveis graças ao empenho dos profissionais da empresa, que fazem, desde a fundação, há cinco décadas, com que os serviços oferecidos sejam positivamente avaliados pelos usuários da capital paulista.

 

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