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 Obama nomeia juiz moderado para a Suprema Corte dos EUA - Jornal Brasil em Folhas
Obama nomeia juiz moderado para a Suprema Corte dos EUA


O presidente Barack Obama nomeou nesta quarta-feira um progressista moderado, o juiz Merrick Garland, para a Suprema Corte americana, abrindo uma batalha por sua confirmação no Congresso dominado pela oposição republicana, embora tenha dito que o jurista de 63 anos tem o apoio dos dois grandes partidos do país.

Escolhi um candidato que é amplamente reconhecido, não só como uma das mentes legais mais brilhantes dos Estados Unidos, mas alguém que leva ao trabalho um espírito de decência, modéstia, integridade, equilíbrio e excelência, disse Obama nos jardins da Casa Branca.

Pondo fim a semanas de consultas e especulações, Obama disse que Garland é o homem adequado para o cargo e merece ser confirmado.

Segundo a Constituição americana, os nove juízes da mais alta corte do país - chamada a se pronunciar regularmente sobre grandes debates da sociedade - são nomeados em caráter vitalício pelo presidente. Cabe ao Senado aprovar ou rejeitar a indicação.

Os republicanos, que dominam o Congresso, afirmam que a substituição do juiz conservador Antonin Scalia, falecido repentinamente em fevereiro, deveria esperar a chegada do próximo presidente, em janeiro de 2017.

Segundo Obama, a experiência de Garland - ele dirigiu a investigação contra o autor do atentado em Oklahoma, Timothy McVeigh - rendeu-lhe o respeito e a admiração de líderes democratas e republicanos.

Mas vários dirigentes do Congresso aguardaram apenas o fim do discurso de Obama para confirmar que se negarão até mesmo a ouvir qualquer indicado pelo presidente, seja qual for seu currículo.

Uma maioria do Senado decidiu cumprir seu dever constitucional (...), abstendo-se de apoiar uma indicação durante um ano de eleição presidencial, disse Chuck Grassley, presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos do Senado.

Deem ao povo uma voz na decisão, disse o líder republicano no Senado, Mitch McConell.

Maior honra da minha vida

Como pano de fundo para a nomeação está a eleição presidencial de novembro, mas também a recomposição de parte do Congresso e a Casa Branca aposta em que a pressão da opinião pública force a mão de alguns senadores republicanos.

Funcionários do governo Obama apontaram, satisfeitos, que alguns republicanos aceitaram se reunir com Garland.

Segundo consulta do Washington Post e da ABC News, 63% dos americanos acreditam que o Senado deve organizar uma audiência para o magistrado indicado pelo presidente, contra 32% que afirmam o contrário.

Nossa Suprema Corte realmente é única. Deve estar acima da política. Tem que ser assim e deve permanecer desta maneira, disse Obama.

Insistir em negar um voto a Garland seria uma traição às nossas melhores tradições. E uma traição à visão dos nossos documentos fundacionais, destacou.

A nomeação de Garland, de 63 anos, põe os republicanos na posição de ignorar um juiz que já foi confirmado uma vez pelo Senado para a Corte de Apelações do Distrito de Columbia - onde fica a capital, Washington - e que se opõe ao ativismo judicial que eles próprios repudiam.

O duelo é de alta transcendência.

A corte é atualmente dividida entre quatro juízes conservadores e quatro liberais, enquanto se espera que a alta corte se pronuncie nos próximos meses sobre vários assuntos explosivos nos Estados Unidos: imigração, aborto ou a luta contra as mudanças climáticas.

Scalia foi, por mais de três décadas, o líder intelectual da ala conservadora da corte e o vínculo mais fiel para os republicanos por sua oposição taxativa ao aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e sua defesa inquebrantável da pena de morte e do porte de armas.

Sua morte deixou os conservadores sem a vantagem de 5-4 na alta corte e abriu a porta a Obama para nomear seu terceiro magistrado, depois de Elena Kagan e da juíza de origem porto-riquenha Sonia Sotomayor.

Hillary Clinton, a grande favorita à indicação democrata às presidenciais, apoiou a decisão de Obama e pediu ao Senado para assumir sua responsabilidade, destacando que, em média, o processo de avaliação de um candidato à Suprema Corte é de, no máximo, dois meses.

Enquanto isso, Merrick Garland agradeceu, comovido, ao presidente por seu apoio.

Esta é a maior honra da minha vida, disse, com a voz embargada pela emoção.

 

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