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16 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Estado leva artes cênicas à capital e aos territórios de desenvolvimento - Jornal Brasil em Folhas
Estado leva artes cênicas à capital e aos territórios de desenvolvimento


A estrada leva da cidade grande para o interior. A arte, o tempo, o espaço, o humano ultrapassam fronteiras, limites e territórios, unindo um ao outro, o diferente de nós.

Para reforçar a tradição cultural do teatro, do circo e da dança em Minas Gerais, o Governo de Minas Gerais, por meio do BDMG Cultural, leva grupos de artes cênicas, com sede em municípios mineiros, a circular com seu trabalho do interior para Belo Horizonte ou vice-versa.

O incentivo à circulação das mais recentes produções artísticas realizadas em Minas Gerais é o foco do programa Trilha Cultural. Nesta 13ª edição, foram recebidas mais de 120 inscrições, sendo mais de 30% do interior e cerca de 70% de candidatos de Belo Horizonte.

Os 14 grupos selecionados estão com viagens agendadas até o mês de julho para, no mínimo, 150 quilômetros de distância de sua cidade de origem, como estratégia de circulação, como prevê o edital. O circuito começou em março último.

O incentivo a cada grupo, no valor de R$ 17 mil, possibilita a descentralização artística e a democratização do acesso ao teatro, circo e dança, chegando a locais fora do circuito comercial das artes cênicas, nos 17 Territórios de Desenvolvimento.

“O edital estimula levar espetáculo de qualidade à população que não tem acesso. O estímulo aos grupos locais para circulação é fundamental porque é caro se deslocar para outros locais, e o edital busca encurtar essa distância entre as cidades e a capital mineira”

Érico Grossi, coordenador de Artes Visuais do BDMG Cultural

No calor das ruas

Experiências em edições anteriores ilustram o alcance do programa. Aterrissando em Conceição do Ibitipoca, vilarejo de pouco mais de mil habitantes, no município de Lima Duarte, Minas Gerais, o Grupo Casca, selecionado no edital 2016, levou ao público o espetáculo “Quintal” e a oficina “Recortar o real: poéticas entre o teatro e a fotografia”.

A divulgação da oficina foi um momento inicial para ter contato direto com os habitantes da cidade, nas ruas e na escola estadual, para cerca de 90 alunos. No dia seguinte, o encontro foi marcado em um ponto central da cidade. Cerca de 20 crianças apareceram. A decisão de onde a aula aconteceria foi em conjunto, no intuito de saber das crianças o melhor lugar da cidade para fazer uma oficina de teatro. O espaço escolhido foi o campo de futebol.
Grupo Casca, em Santana do Deserto / Crédito: Samuel Fortunato

Segundo o ator e integrante do Grupo Casca, João Batista Marques Filho, desde sua concepção, o espetáculo Quintal foi pensado para ser friccionado com inúmeras geografias, locais onde a dramaturgia ganhasse potência pelo seu diálogo com diferentes paisagens e culturas, colocando o grupo em constante processo de atuação e ressignificação artística.

“Vilarejos escolhidos dentro destas cidades, com menos de mil habitantes, têm ainda mais peculiaridades na sua forma de movimentar, receber, trabalhar, e mesmo viver. Nos interessa a troca como processo real para uma potencialização artística constante. Cidades do interior têm dinâmicas que lhes são muito próprias”, ilustra o diretor.

Nesse contexto diverso, uma apresentação teatral aos moldes tradicionais cedeu lugar à ideia de um projeto com bate-papo, oficina, ensaio aberto e apresentação, o que o grupo chamou de “experiência Quintal” nos povoados de Conceição do Ibitipoca, São José das Três Ilhas e Santana do Deserto, todos na Zona da Mata, onde percorreram as localidades com o Trilha Cultural BDMG.

“Participar do projeto Trilha Cultural BDMG foi um momento decisivo para que amadurecêssemos a nossa própria criação, um novo fazer artístico com interesse pela simplicidade, pelo diálogo e pela arte educação”, conclui Marques Filho.

Despertando novos olhares

Em outro canto de Minas Gerais, o Trilha Cultural também semeia a arte. A cidade de Timóteo, no Vale do Aço, recebe o duo circense El Individuo Circo Teatro Itinerante. Mercúrio e Motorzinho, os dois palhaços que formam o duo, interpretados pelos atores Marcelo Carlos Castilho e Carlos Alexandre da Silva, são vistos nas ruas, padarias, bancos e praças da cidade.

O duo está na estrada circulando com o espetáculo “Descaideirados”, realizado sempre às 18h30 ou 19h30 nos teatros e espaços públicos das cidades, além da a oficina “Vivências circenses”, com aulas e práticas sobre malabarismo e equilibrismo.

Das 20 cidades do interior que o El Individuo Circo Teatro Itinerante irá percorrer, a estreia foi em Joanésia. Em seguida o circo viaja para Dionísio e Ponte Nova, e já vem encantando os mineiros.

“Estamos olho no olho com as pessoas para despertar a curiosidade e o interesse delas sobre o circo, essa arte milenar tão importante na nossa cultura, que contribui para sensibilizar e expandir a formação de toda a população de Minas Gerais. O circo tem grande valor para a alma e para o ser humano, vemos isso no riso e no olhar das pessoas que muitas vezes têm contato pela primeira vez com o circo”, observa Castilho.
El Individuo Circo Itinerante, em Timóteo / Crédito: Divulgação El Individuo Circo Itinerante

De acordo com ele, o edital do BDMG é uma alavanca muito importante para os artistas realizarem seus trabalhos e chegar ao público que não tem tanto acesso à cultura.

“O valor de incentivo e o edital do Trilha Cultural são ferramentas fundamentais para o povo mineiro ver e conhecer a arte de seu estado. Sem esse investimento em cultura seria muito difícil realizar um trabalho junto ao povo”, conclui Castilho.

Seleção

A seleção é realizada por meio de edital público, com a participação de uma comissão julgadora independente, composta por profissionais da área de artes cênicas. O próximo edital ainda não tem data definida, possivelmente sairá no final de 2018.


 

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