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20 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Falta apoio a mulheres com câncer no local de trabalho, aponta estudo - Jornal Brasil em Folhas
Falta apoio a mulheres com câncer no local de trabalho, aponta estudo


Pesquisa divulgada hoje (22) aponta que falta suporte no ambiente de trabalho para as mulheres com câncer de mama. Segundo o levantamento, 78% das pacientes relataram que, após receberem o diagnóstico da doença, faltou apoio da empresa onde trabalham. Quase metade das mulheres entrevistadas (49%) disse que precisou abandonar o trabalho após o diagnóstico de câncer. Essa porcentagem sobe e atinge 58% na faixa etária entre os 36 anos e 45 anos.

A pesquisa Câncer de Mama Metastático: a voz das pacientes e da família, foi realizada pelo Instituto Provokers em nove capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Curitiba e Porto Alegre. Foram ouvidos 170 pacientes e 240 familiares. De acordo com as participantes, quando existe algum tipo de suporte na empresa onde trabalham, na maioria das vezes está relacionado a uma flexibilização de horário ou permissão para se ausentar quando necessário.

Quando questionadas sobre a atividade que faziam antes de receberem o diagnóstico e que mais sentem falta, 48% mencionou justamente o trabalho. Nenhuma das entrevistadas citou a existência de qualquer tipo de suporte específico para o tratamento oncológico em seus empregos.

As pacientes apontaram ainda dificuldades para manter a renda familiar que tinham antes do diagnóstico. Segundo a pesquisa, as dificuldades para manter a rotina de trabalho e os gastos associados ao tratamento reduzem em 38% a renda das pacientes usuárias do sistema público e em 15% para aquelas que se tratam por meio da rede privada. Como consequência disso, mais de um terço das mulheres ouvidas (36%) pela pesquisa afirma que usa suas próprias economias para custear o tratamento.

Família

A pesquisa mostra também que a percepção de sofrimento diante do diagnóstico de câncer de mama é maior entre os familiares do que pela própria paciente. Segundo o estudo, 88% dos familiares dizem que experimentaram muito sofrimento ao receber o diagnóstico de tumor em alguém da família, enquanto isso ocorreu com 72% das pacientes.

Mesmo fragilizada, a família ainda é a maior fonte de apoio para as pacientes. Para quase um terço das entrevistadas (29%), o companheiro é a principal fonte de apoio, seguida pelos filhos (28%), irmãos (14%), amigos (4%) e ex-marido (1%).

“Quando a família se vê diante de uma doença como essa, é claro que todas as atenções se voltam para a paciente. Mas é preciso olhar com mais atenção para o familiar, para essas pessoas que, embora profundamente abaladas com a descoberta de uma doença tão grave em alguém que amam, tentam se manter firmes para fornecer o apoio que esperam delas naquele momento”, explica Paula Kioroglo, psicóloga do Hospital Sírio-Libanês e psico-oncologista pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia.

Para 71%, a família ficou mais unida após a descoberta da doença, visão que é compartilhada por 75% dos familiares.

“Muitos questionamentos passam pela cabeça da mulher que recebe um diagnóstico de câncer de mama avançado. Como contar para os filhos? Será que o companheiro estará ao lado dela durante todo o tratamento? E o trabalho, será necessário abandonar a profissão? Todas essas dúvidas reforçam a importância do apoio e do acolhimento a essa paciente, de modo que ela se sinta fortalecida para atravessar esse momento da melhor forma possível”, disse Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia.

Para 91% da sentrevistadas, o diagnóstico da doença trouxe também mudanças negativas como o abandono do trabalho e as dificuldades para cuidar da casa e de realizar afazeres domésticos. Pouco mais da metade dos familiares entrevistados (51%) disse que foi preciso realizar uma adaptação nos horários para auxiliar no tratamento. Metade disse ainda que precisou abandonar atividades como viajar com a família (50%) e sair aos finais de semana (45%) durante a fase de tratamento.

Edição: Amanda Cieglinski

 

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