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18 de Mar de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Veja mais repercussões sobre a morte de Alberto Dines - Jornal Brasil em Folhas
Veja mais repercussões sobre a morte de Alberto Dines


O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, lamentou hoje (22) a morte do jornalista Alberto Dines, de 86 anos, a quem atribuiu o aperfeiçoamento profissional do jornalismo no Brasil. O chanceler lembrou que foi Dines que sugeriu a inclusão, na Constituição, da participação de pessoas jurídicas no capital social das empresas jornalísticas.

Aloysio Nunes afirmou também que Dines foi condecorado, em 2010, com a Ordem do Rio Branco por sua atuação como “jornalista de ofício, zeloso da ética e profundamente devotado”.

“O Observatório da Imprensa, que fundou e conduziu ao longo de mais de 20 anos, é referência obrigatória e fonte indispensável de informações para aqueles que acompanham a política brasileira. Com sua visão crítica e autônoma, ajudou a aprimorar o trabalho fundamental que realiza a imprensa numa sociedade democrática e pluralista.”

Em nota, Aloysio Nunes presta solidariedade à família e aos amigos de Dines e destaca a importância de seu legado.

“Recebi com grande consternação a notícia do falecimento do jornalista Alberto Dines. Prócer da liberdade de expressão no Brasil, inclusive durante a longa noite do regime de exceção, Dines foi e seguirá sendo uma referência para todos que lutam pelas causas da democracia e de uma imprensa livre e de qualidade.”

O chanceler encerra afirmando: “Manifesto minhas condolências aos familiares e amigos de Alberto Dines, cuja obra e exemplo de vida continuarão inspirando as atuais e futuras gerações na construção de um país mais próspero e justo, em que o jornalismo independente continuará sendo uma peça indispensável”.
Observatório da Imprensa

A morte do jornalista Alberto Dines deixou uma legião de colegas e amigos inconsoláveis. Um deles é Emília Ferraz, que dirigiu durante 15 anos o programa Observatório da Imprensa, comandado por Dines na extinta TV Educativa, hoje TV Brasil. “Foi um mestre para todos, principalmente para quem trabalhou com ele”, salientou Emília, em entrevista à Agência Brasil.

Emília lembrou que, como professor, Alberto Dines pôde ensinar muitos alunos, mas destacou que seu trabalho ia muito além disso. “Tanto no Observatório na TV, como na internet, cada artigo que Dines escrevia era uma aula de jornalismo, uma aula de sociedade, de política, de tudo. Trabalhar com ele, para mim, foi um privilégio imensurável”.

Emília não tem dúvida de que Dines vai fazer muita falta para todos. “O jornalismo perde um mestre, para mim um dos melhores do mundo, não só do Brasil. Acho que ele pode ser comparado aos melhores”, afirmou.
Revolução no JB

Na opinião do atual vice-presidente do Jornal do Brasil, Gilberto Menezes Côrtes, que entrou no jornal ainda “foca”, nome dado aos jornalistas iniciantes, Dines foi responsável por completar a revolução no JB iniciada no final dos anos 50 por Odylo Costa, filho.

“Tive o privilégio de receber, no dia 31 de janeiro deste ano, o último artigo de Dines que foi publicado no dia 25 de fevereiro, na reestreia do JB”, destacou Côrtes, falando à Agência Brasil. O texto, segundo ele, “é um primor do jornalismo”.

Côrtes entrou no JB em 1972, para participar do curso de jornalismo criado por Dines no jornal em sua gestão, que se estendeu de 1963 a 1973. Na empresa, Côrtes conviveu com Alberto Dines durante um ano e meio, até a saída do mestre, em dezembro de 1973.

Gilberto Menezes Côrtes lembrou a resistência no JB de Alberto Dines ao regime militar e sua luta contra a censura. “Enfrentou uma época difícil com equilíbrio muito grande e ensinou várias gerações. Participou da época áurea do JB, que foi de 1968 a 1974. Dines simboliza o grande período do JB”, mencionou. Para Côrtes, Dines foi um dos grandes, “se não, o maior personagem da história do Jornal do Brasil”.

* Colaborou Alana Gandra (RJ).

Edição: Davi Oliveira

 

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