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 Brasil e Suíça, rivais só no futebol - Jornal Brasil em Folhas
Brasil e Suíça, rivais só no futebol


Ao estrearem daqui a pouco, na Copa do Mundo da Rússia, Brasil e Suíça são rivais apenas no futebol. Os dois países têm fortes laços que os unem há séculos. Uma história de união que começa com a chegada dos primeiros suíços ao Brasil entre 1819 e 1820.

Eles deixaram para trás uma Europa mergulhada em uma grande crise econômica, desemprego e fome em todo o continente. A maioria proveniente do cantão de Friburgo, na Suíça, beneficiados por decreto humanitário de Dom João VI. O decreto previa a vinda ao país de 100 famílias, “mas, na prática, vieram 430 famílias”, disse à Agência Brasil o presidente da Colônia Suíça em Nova Friburgo, Geraldo Thurler.

A viagem não foi fácil. O navio mais rápido chegou nas terras brasileiras depois de 55 dias. Um quarto dos colonos morreu durante a travessia. “De 2.006 pessoas, chegaram 1.600”, conta Thurler. A primeira comitiva chegou à região serrana fluminense, onde se instalaram, no dia 16 de novembro de 1819.

Assim que chegaram, os suíços batizaram a região em que passaram a habitar de Nova Friburgo, hoje uma cidade com 186 mil habitantes, situada a 140 quilômetros do Rio de Janeiro. A cidade foi fundada por suíços de 11 cantões. Existem 26 cantões na Suíça, que são áreas independentes e integrantes do Estado Federal Suíço.

Deve-se aos suíços, segundo Thurler, a importação das primeiras matrizes de gado nelore para o país. “Foi a origem de praticamente 80% do gado de corte do país”. A colonização acabou se expandindo para municípios vizinhos, como Cantagalo, Duas Barras e Santa Maria Madalena. Geraldo Thurler destacou que nessa caravana de imigrantes vieram profissionais, como carpinteiros, queijeiros, ferreiros, que contribuíram para o desenvolvimento local. “Trouxeram a expertise da mão de obra suíça para cá. A partir daí, houve uma adaptação deles à realidade local”.

Parceria

O Brasil é o maior parceiro comercial da Suíça na América Latina, com um volume de negócios entre as duas economias equivalente a R$ 12 bilhões. Produtos da indústria farmacêutica e da indústria química estão no topo das exportações suíças para o Brasil, enquanto metais, pedras preciosas e agrícolas são os produtos brasileiros mais importados pela Suíça. Cerca de 370 empresas suíças atuam no Brasil e geram mais de 60 mil empregos diretos.

Até a década de 1920, o Brasil foi o destino preferido de muitos suíços, que se espalharam também por fazendas de café do oeste Paulista, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. Hoje, o Brasil abriga a maior comunidade suíça da América Latina, com cerca de 15 mil suíços. A presença de brasileiros na Suíça é maior, com cerca de 20 mil pessoas.

Acordos

Recentemente, importantes acordos têm dado dinamismo às relações bilaterais, como o que põe fim à dupla tributação de empresas suíças que atuam no Brasil e vice-versa. Também estão em andamento negociações para um acordo de livre comércio entre a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e o Mercosul, blocos econômicos dos quais fazem parte os dois países. Nas áreas de pesquisa e inovação, um novo plano de ações foi firmado para garantir intercâmbio de pesquisadores e apoio a instituições e programas de pesquisa.

O presidente do Parlamento Suíço, Dominique de Buman, que esteve recentemente no Brasil participando das comemorações dos 200 anos da imigração suíça no Brasil, em Nova Friburgo, cidade conhecida como Suíça brasileira, não quis arriscar um placar. Ele disse à Agência Brasil que, seja quem for o vencedor, o futebol é que vai ganhar.

“Não haverá nenhum tipo de surpresa, porque é o futebol que vai ganhar. Sabemos que a Suíça é um país muito pequeno. E o Brasil tem história, com seu DNA orientado para o futebol. Mas a Suíça pode provocar um resultado surpreendente porque somos uma nação fundada com base numa imensa força de vontade. Mas é o princípio de cada jogo: cada um sai com chances iguais, cada um pode ganhar e o essencial é que as relações entre as duas equipes se intensifiquem após a partida”.

*Colaborou José Romildo

Edição: Aécio Amado

 

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