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 BC prefere não sinalizar próximos passos na definição da Selic - Jornal Brasil em Folhas
BC prefere não sinalizar próximos passos na definição da Selic


Por conta das incertezas relacionadas à economia brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou por não sinalizar os seus próximos passos. Na última semana, o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano.

“Em termos de sinalização futura, todos concordaram que o maior nível de incerteza da atual conjuntura recomenda se abster de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária”, diz a ata da reunião, divulgada hoje (26) pelo Banco Central, em Brasília.

Na reunião, o Copom avaliou os efeitos da greve dos caminhoneiros na economia ainda em recuperação. Para o Copom, os dados de abril “sugerem atividade econômica mais consistente que nos meses anteriores”. “Entretanto, a paralisação no setor de transporte de cargas no mês de maio dificulta a leitura da evolução recente da atividade econômica. Indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho, deverão refletir os efeitos da referida paralisação”, diz a ata.

Para o Copom, a evolução da economia em julho e agosto deve indicar “com mais clareza” o ritmo da recuperação, “que poderá se mostrar mais ou menos intensa”.

“O cenário básico do Copom contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, embora em ritmo mais gradual que o estimado antes da paralisação”, destaca a ata.

No cenário internacional, o comitê ressalta o aumento das taxas de juros dos “países centrais”, como os Estados Unidos.

Com a alta dos juros americanos, investidores podem retirar investimentos de países emergentes, como o Brasil, para investir nos Estados Unidos. Isso faz com que o dólar fique mais caro e aumenta as oscilações no mercado internacional.

Entretanto, o Copom diz que a economia brasileira tem capacidade de absorver “revés no cenário internacional, devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação baixa no passado recente, expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de recuperação econômica”.

O Copom também reforçou a necessidade de reformas, como o da Previdência, e ajustes na economia brasileira para reduzir “os riscos para deterioração do cenário para economias emergentes”.

Alta do dólar

Na reunião, o comitê discutiu o grau de repasse da alta do dólar na economia brasileira e concluiu que isso depende de vários fatores, como o nível de ociosidade da economia e as expectativas da inflação. O Copom disse que acompanhará as diferentes formas de repasse da alta do dólar para a inflação.

Na ata, o comitê voltou a enfatizar que a política monetária brasileira não reage de forma automática a alta do dólar. Para o Banco Central, os choques externos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva e na propagação dos preços na economia não diretamente afetados.

“Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia e pelas expectativas de inflação ancoradas nas metas. Portanto, não há relação mecânica entre choques recentes e a política monetária”, destacou.

Ao definir a taxa Selic, o Banco Central está mirando na meta de inflação, que é de 4,5% este ano, com limite inferior de 3% e superior de 6%. Para 2019, a meta é 4,25% com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%.

Edição: Kleber Sampaio

 

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