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 Exposição de Fernando Madeira em Brasília termina no domingo - Jornal Brasil em Folhas
Exposição de Fernando Madeira em Brasília termina no domingo


Em sua reta final, a exposição A Arte de Conservar o Tempo, que festeja os 80 anos do artista plástico fluminense Fernando Madeira, fica em cartaz até o próximo domingo (1º), em Brasília. Além da cintilância naturalmente trazida pelo aniversário do artista, o evento tem um caráter único porque, pela primeira vez, quem assina a curadoria das obras presentes na mostra é sua esposa, Angelica Madeira, acadêmica especialista em sociologia da cultura.

Natural de Angra dos Reis (RJ), Fernando formou-se em arquitetura, ofício que exerceu, exclusivamente, por anos, até rumar para as artes plásticas. Foi imerso nelas que se sentiu mais confortável e descobriu sua predileção pelo cruzamento de materiais e técnicas, passando a se apropriar, como veículos de sua expressão, da colagem, da aquarela, do papelão e outros itens considerados meros apetrechos, como as bandagens utilizadas em cirurgias médicas que, em sua obra, encarnam uma nuance inusitada.

Angelica diz que, como curadora, optou por evidenciar a proximidade entre artes plásticas e arquitetura experimentada pelo marido, ao invés de realçar uma contraposição entre as áreas. O conceito que orientou a gente foi muito desse vínculo do trabalho dele com a arquitetura, mesmo que fosse pra desmanchá-la, em algum momento, fazer coisas mais fluidas, mais leves, pontua.

Demonstrando ter com sua parceira uma cumplicidade comparável à vivida entre o escritor José Saramago e a jornalista María del Pilar del Río Sánchez, Fernando compartilhou com a reportagem um pouco de sua trajetória.

Em sua casa, de onde se avistam veleiros nas águas do Lago Paranoá e um abacateiro que o próprio artista plantou, ele afirma não se identificar com a arte contemporânea entendida como típica do Distrito Federal, pelas escolhas temáticas que faz.

No início de seu percurso artístico, na década de 1980, Fernando procurou assimilar o método dos croquis, que nada mais são do que esboços, isto é, desenhos sem finalização e acabamento, muito comuns entre estilistas e arquitetos. Pelos olhos de Angelica, ele, que, já compôs com areia e asfalto, confere sobrevida a objetos que seriam, geralmente, descartados e integra o rol de expoentes da arte de poucos recursos.

Esse gosto pela colagem vem muito da maneira antiga de se fazer projeto, que se colava Letraset [cartelas contendo número e imagens que seriam reproduzidas em outra superfície] para fazer sombras. Você tinha diferentes autocolantes. Daí vem esse gosto pela colagem, e não é qualquer colagem, e sim uma em que ele seleciona os papéis, que, na maior parte das vezes, são retirados de cartazes, da própria rua, conta Angelica. Não é qualquer papel. Ele pega aquele que acha que possa ter algum rendimento estético pro trabalho que gosta de fazer.

Embora Fernando assuma influências de movimentos como o Nouveau Réalisme e resvale, por vezes, na verve expressionista, ele também trava contato com a tradição romântica, em momentos como a da série Serras Gerais, produzida entre 2015 e 2016. Na visão de Angelica, as obras desse conjunto em particular deixam emergir o que ela classifica como uma poética que aposta no sublime das paisagens grandiosas ou, ainda, uma afirmação da dimensão lúdica do ato de fazer colagem.

Todas essas perspectivas foram eternizadas no livro Obra sobre Papel, que, reunindo todo o legado de Fernando, foi disponibilizado gratuitamente em versão online e terá sua edição impressa lançada no próximo sábado (30), véspera do encerramento da exposição. Autor das primeiras linhas do livro, o professor e artista Pedro Alvim destaca que, para ele, cada peça do colega fluminense é como uma nave em trânsito e com um regresso imprevisível.

Mercado de arte

Fernando Madeira, que morou na França e rodou um curta-metragem durante sua estada em Nova York, comenta que, desde sua primeira exposição na capital federal, em 1989, quando completou 51 anos, o cenário artístico tem mudado. Segundo ele, vários editais de cultura têm apresentado restrições quanto à faixa etária dos proponentes, fato que tem colaborado para que artistas como ele fiquem relegados à sombra e ao insulamento.

Aqui [em Brasília], eu tive a oportunidade de frequentar uma escola de arte que não existe mais - acabou logo depois de eu sair - e, ao mesmo tempo, de trabalhar em um escritório de um pintor daqui. Aí, comecei. Na época, era muito simples você participar de exposição, porque bastava você mandar um currículo, o que você estava fazendo, três ou quatro fotos do que queria mostrar e, aí, eles escolhiam. Então, comecei a participar ativamente disso.

Nos últimos anos, porém, ele tem se perseverado, à sua maneira, sem se deixar tomar pelo desencanto, multiplicando seu conhecimento adiante. Tive uma doença em 2010, 2012, operei. Então, tive que reduzir o ritmo, mas eu continuo produzindo. E agora tenho um neto, que vai sempre ao meu ateliê. Esse neto é autista, fez 15 anos agora. E, como todo autista, ele é muito interessante. Ele está muito ligado a essa área de arte, à música. Tem uma banda de autistas, conta, revelando que pretende emplacar uma mostra com as obras do garoto, incluindo algumas que ele mesmo concluiu.

Serviço

Exposição A Arte de Conservar o Tempo
Museu Nacional da República
Setor Cultural Sul, lote 2 - Plano Piloto, Brasília (DF)
De terça-feira (26) a domingo (1º), das 9h às 18h30
Entrada franca

Edição: Denise Griesinger

 

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