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 Parada do Orgulho LGBT reúne 1,2 milhão de pessoas em subúrbio do Rio - Jornal Brasil em Folhas
Parada do Orgulho LGBT reúne 1,2 milhão de pessoas em subúrbio do Rio


A preocupação com a escolha do eleitor nas eleições de outubro ficou expressa no tema da 18ª edição da Parada LGBT de Madureira: Vote certo para não chorar. Queremos renovação Já. A coordenadora do encontro e presidente do Movimento de Gays,Travestis e Transformistas (MGTT), Loren Alexsander, disse que é preciso garantir representação nas casas legislativas, a fim de que haja evolução nas reivindicações do público LGBT, que, segundo ela, está cansado de votar e de acreditar, mas não recebem o apoio necessário.

A previsão dos organizadores é de que 1,2 milhão de pessoas participem da parada. Os cálculos até 16h já indicavam 800 mil pessoas espalhadas pela Rua Carvalho de Souza, onde se concentraram quatro trios elétricos, que tocavam músicas de artistas populares como as cantoras Anitta e Ludmilla. As ruas próximas tiveram o trânsito interrompido e também estavam tomadas pelo público.

“Queremos pessoas que sejam do movimento e o respeitem. Queremos o movimento dentro da política. Vote certo para não chorar, porque choramos muito. Queremos renovação já, por alguém que nos respeite. Sabem que somos muitos e agentes multiplicadores, mas, na hora de precisar, todos viram as costas. Isso é uma dor para meu coração. Tantos anos de luta e sofrimento e as pessoas não respeitam.”

De acordo com Loren, uma das bandeiras do povo LGBT que precisam ser defendidas é a definição de medidas contra a homofobia, que tem provocado vítimas no Brasil. “Se o movimento não lutar e não reivindicar isso fica no anonimato. Chega de assassinato e de violência contra LGBTs. Somos bons filhos, bons profissionais, pagamos impostos. Não somos nós que roubamos cofres públicos.”

Reflexão

A drag queen Núbia Ferreira, 40 anos, informou que, apesar das dificuldades, a parada é um dia para celebrar as conquistas do povo LGBT. Drag queen há 20 anos, Núbia acrescentou que a eleição é uma perspectiva de ampliar a adoção de medidas a favor dos seus direitos. “Espero que com, o passar do tempo, possamos conhecer melhor os políticos, os candidatos e fazermos do Brasil um país melhor, com mais dignidade e igualdade e sem corrupção.”

Para o coordenador especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, Nélio Georgini, a escolha do tema deste ano vai provocar reflexão no público, na medida em que a parada é um local de muita visibilidade.

“Por um lado é uma festa, porque estamos falando de pessoas que precisam expressar sua identidade. Por outro, o mais importante é o fazer político. A parada é um fazer político. Então, ter aqui as pessoas refletindo em um ano de eleições significa que os LGBTs estão antenados com a realidade do mundo. Nos representar significa fazer algo nas casas legislativas e no Executivo”, disse Georgini.

Para o fundador do Movimento LGBT da Baixada Fluminense, Eugênio Ibiapino, embora seja importante a realização das paradas a atuação não pode ficar restrita a um dia. O técnico de enfermagem defendeu que a luta LGBT ultrapasse o combate à homofobia. “A luta pela homofobia passa pelas outras opressões. Então, não pode se isolar. Só com a união de outros movimentos é que a gente pode avançar”, acrescentou, lembrando, que o racismo também é preconceito.

Organização

A organização da Parada recebeu apoio de órgãos públicos para sua realização. A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS Rio) da Prefeitura do Rio comandou os trabalhos no município, inclusive com a isenção de taxas para liberação de documentos para o encontro.

Pela manhã, a Secretaria Municipal de Saúde realizou atividades de ação social, com vacinação contra hepatite B e tétano, teste de HIV, distribuição de materiais de prevenção as DSTs, tuberculose, AIDS, além de 100 mil preservativos e lubrificantes. Houve também arrecadação de alimentos que serão distribuídos para pessoas soropositivas e com câncer.

Ato de amor

O estudante Pedro Ferrari, 19 anos, acompanhado de um grupo de amigos, disse que, “como LGBT, gay, homossexual assumido”, frequenta a parada em busca de respeito e de confraternização e para sempre ressaltar que esses encontros são atos de amor e de união por direitos que ainda não são garantidos. “Estamos aqui por um ato de amor. Queremos espalhar o amor pelo mundo. Queremos apenas o respeito e esse apoio”, completou.

Conforme Pedro Ferrari, o crescimento no número de paradas em várias regiões da cidade permite a participação cada vez maior das pessoas. Ele, que também é operador de telemarketing desempregado, lembrou que em setembro vai ocorrer a primeira edição da Parada LBGT da Barra da Tijuca.

Jeyson Xavier, 30 anos, é vigilante, mas aproveitou a folga para fazer um dinheiro extra. Levou para vender na parada 20 caixas com 12 unidades de latas de cerveja. O calor desde o início da concentração, no começo da tarde, estava a seu favor. “Hoje o tempo está legal e, apesar de ser fim de mês, o pessoal está gastando. .

A Polícia Militar destacou 260 policiais em viaturas e alguns montados a cavalo, com a utilização ainda de helicóptero sobrevoando o local. O esquema de patrulhamento começou a funcionar as 9h e seguirá até o final da festa, às 22 horas.

Nesta edição, a Parada de Madureira tem como padrinhos o promoter David Brazil e a atriz Viviane Araújo. Entre os shows previstos estão os das cantoras Lexa e Jojo Todynho, além das presenças de destaques LGBTs da noite carioca como Suzy Brasil, Karina Karão, Desiree e Samara Rios.

Edição: Armando Cardoso

 

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