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 Jovens de comunidades do Rio poderão fazer cursos de economia criativa - Jornal Brasil em Folhas
Jovens de comunidades do Rio poderão fazer cursos de economia criativa


Os ministros Sérgio Sá Leitão (Cultura,) e Raul Jungmann (Segurança Pública) assinaram hoje (4) acordo para oferecer cerca de 50 opções de cursos profissionalizantes em diversos segmentos da economia criativa para 8 mil jovens de comunidades do Rio de Janeiro. Serão oferecidos cursos de capacitação de fotografia, produção de TV e cinema, programação em web, pintura digital, desenho e edição de vídeo, entre outras funções.

A previsão é investir R$ 22 milhões do Ministério da Segurança Pública, enquanto a Cultura cuidará da operacionalização do Programa de Capacitação Economia Criativa Gera Futuro. O acordo foi assinado durante cerimônia no Centro Técnico do Audiovisual (CTAv), na zona norte no Rio de Janeiro, com a presença de jovens, artistas e gestores culturais.

As inscrições para os cursos começam na segunda quinzena de agosto. Poderão participar jovens acima de 14 anos de 40 comunidades. Além do Rio de Janeiro, também serão oferecidas vagas em Mesquita e Duque de Caxias, municípios da região metropolitana.

Os interessados precisam ter concluído o sexto ano do ensino fundamental e estarem frequentando a escola.

Ação Social

Sá Leitão afirmou que o programa faz parte de uma ação social de suporte à intervenção federal e a ideia é que seja um projeto piloto de geração de oportunidade e renda e, consequentemente, de combate à criminalidade. Segundo ele, a disposição é para ampliar o programa para outros estados.

Nenhum setor da economia se desenvolve e realiza seu potencial sem um processo de qualificação dos profissionais. É um desafio em vários setores e também no campo da economia criativa. Não são atividades lúdicas. Claro que isso também é importante. Mas, nesse caso, estamos falando de cursos profissionalizantes e esses jovens vão sair 100% capacitados para atuar profissionalmente.

Durante a cerimônia, foi apresentada a pesquisa da Pricewaterhouse Coopers, informando que a indústria cultural e criativa no Brasil cresceu 9,1% entre 2012 e 2016. A expectativa é de que até 2021, o crescimento tenha continuidade com uma taxa média anual de 4,6%.

Levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que o setor reponde por 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gerai mais de 1 milhão de empregos diretos. Por esta razão, o Ministério da Cultura aposta que estes investimentos podem contribuir para reverter a alta taxa de desemprego que atinge 28,1% dos jovens de 14 a 24 anos.
Prevenção

Jungmann acrescentou que a prevenção está entre as prioridades do Ministério de Segurança Pública. Segundo ele, a parceria na execução do programa é fundamental e que o foco são os jovens porque eles estão entre as principais vítimas da criminalidade.

O ministro ressaltou ainda que compõe o grupo de vítimas e população carcerários os jovens, moradores da periferia, negros e com baixa escolaridade.

Não têm trabalho, não estão na escola e muitas vezes com famílias desestruturadas. Uma sociedade generosa precisa estender a mão, precisa ser solidária e não recusa essa juventude. (...) Falamos muito sobre repressão e pouco sobre prevenção e criação de oportunidades. Precisamos mudar isso. Não se trata de assistencialismo, trata-se de qualificar a juventude para que ela realize os seus sonhos com as suas próprias mãos.”
Críticas

Integrante do Cine Taquara, um projeto popular voltado para a promoção do cinema de rua, Gleyser Ferreira defendeu a inclusão de mais comunidades da Zona Oeste do Rio no programa. Não estão contempladas localidades como Jacarepaguá, Boiuna, Praça Seca, Tanque, Pechincha, Teixeira. Comunidades que recebem ocupação militar, mas não cultural, disse.

Também houve críticas aos critérios estabelecidos pelo programa. Muitos desses jovens que produzem cultura, infelizmente, não estão na escola, estão nas ruas, nas praças. Muitas vezes, eles são marginalizados pela própria rede de ensino. Como vão se inserir em um programa se não estão adequados ao primeiro requisito?”, disse o jovem Celso de Oliveira.

Ao saber das críticas, o ministro Sérgio Sá Leitão afirmou que as comunidades foram selecionadas com base em um mapa de vulnerabilidade. Segundo ele, houve avaliação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das áreas em que o nível de desemprego é mais elevado.

“Deveríamos estar celebrando que isso está sendo feito, pois não existia antes. Não faz sentido criticar uma iniciativa positiva que está nascendo e que vai beneficiar 8 mil pessoas “, reagiu o ministro. “Como poderíamos fazer uma consulta a todos os jovens de comunidades do Rio de Janeiro? São 2 milhões, seria algo inviável que impediria o lançamento do programa”.

Edição: Sabrina Craide

 

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