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19 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Durante 4 dias, Cavalcante foi tomada por teatro afro e reflexão - Jornal Brasil em Folhas
Durante 4 dias, Cavalcante foi tomada por teatro afro e reflexão


Após quatro dias, terminou a Mostra de Teatro Afro Cena, que movimentou a pequena Cavalcante, município da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Com oito espetáculos teatrais, cinco oficinas, seis rodas de prosa, exibições de documentários e exposições fotográficas, a mostra reuniu artistas de diversas áreas.

Um dos destaques foi o grupo baiano Bando de Teatro Olodum, que tem 28 anos de trajetória. O público lotou a maior praça da cidade para acompanhar a peça Ó paí, ó, montada originalmente em 1990.

A atriz Cássia Vale destacou a importância da realização da mostra em Cavalcante, cidade que abriga a comunidade remanescente quilombola Kalunga. “O Brasil tem que mostrar cada vez mais essa cara preta que a gente sabe que tem, e muita”, diz. O grupo foi responsável ainda pela oficina Performance Negra, que teve como base uma metodologia desenvolvida pelo grupo ao longo das quase três décadas de carreira. A gente tem uma grande responsabilidade enquanto artistas, sabemos que pelo Brasil afora temos um público que se inspira no trabalho do Bando. Quando a gente chega num lugar como esse, num quilombo, que tem tudo a ver com nossa identidade e raiz, ver jovens negros no protagonismo, mexendo com a arte, fazendo a sua própria arte, dá aquele impulso de que estamos no caminho certo.

Pela primeira vez, o grupo fez uma apresentação em espaço aberto. Cavalcante não tem teatro. Mas eles entendem a importância da gente levar esse tipo de mensagem onde nosso povo estiver”, destaca Ednólia Andrade, coordenadora de Produção e Execução do evento.

Um dos ideais da mostra foi buscar a troca de experiências entre grupos que usam a linguagem teatral contemporânea para falar de questões raciais.

Com a peça Vida de Escravo, o grupo de teatro Arte Kalunga Matec, da comunidade Engenho II, de Cavalcante, apresentou seu trabalho.

“A arte é um meio de libertar, é um jeito de você expressar o que está sentindo. Através da arte, a gente não se perde no mundo das drogas. Estamos tendo a oportunidade de aprender novas técnicas, de aprender com grandes atores e claro, de poder compartilhar um pouco da nossa vivência”, disse o ator Gilvan dos Santos Moreira, que integra o grupo há 10 anos. O grupo nasceu em 2008 após uma professora da comunidade identificar dificuldade dos jovens em se expressar em público.

A programação incluiu também o espetáculo Peña Folclórica, da Turma que Faz, da Vila de São Jorge, que trouxe músicas sul-americanas e performance circense. Grupos do DF, como Embaraça e Elementos Pretos, e de Goiás, como a contadora de histórias Glorinha Fulustreka, também se apresentaram em Cavalcante.

Durante a mostra, 30 jovens kalungas e afrodescendentes trabalharam como estagiários bolsistas. Eles foram selecionados por meio de projeto contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás, da Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte de Goiás.

Edição: Carolina Pimentel

 

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