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 No Rio, Feira do Podrão celebra comida popular e premia açaí e coxinha - Jornal Brasil em Folhas
No Rio, Feira do Podrão celebra comida popular e premia açaí e coxinha


Não é incomum que turistas em visita ao Rio de Janeiro se surpreendam ao ouvir um carioca dizer que vai comer um podrão. A gíria, amplamente disseminada entre os moradores, pode soar a um desavisado como alerta para um produto reprovável, mas, na verdade, diz respeito a alimentos que fazem parte da cultura e do dia-a-dia da cidade. Trata-se da comida rápida oferecida nas ruas por vendedores ambulantes.

Do cachorro-quente na saída do trabalho ao x-tudo na porta de cinemas e boates, as guloseimas muitas vezes são incrementadas com uma imensa variedade de ingredientes: batata palha, milho verde, ervilha, azeitona, ovo de codorna, etc. Os podrões existem espalhados por toda a cidade, seja de maneira dispersa em bairros mais periféricos, ou de forma concentrada em áreas de movimentação noturna de jovens, como a região da Lapa, no centro.

Para celebrar essa gastronomia popular, a Feira Nacional do Podrão reuniu, ontem (11) e hoje (12), diversos vendedores em um só lugar.

No Terreirão do Samba, no centro da cidade, milhares de pessoas tiveram a oportunidade de experimentar alimentos produzidos em mais de 30 barracas. Elas traziam uma variedade significativa de alimentos, entre os quais sanduíches, cachorro-quente, tapioca, churrasquinho, pizza, yakisoba, esfirra, batata-frita, coxinha, churros e açaí. Os preços de cada podrão variavam de R$ 3 a R$ 40. Foram oferecidos desde lanches individuais até os que podiam ser compartilhados por toda uma família.

O público também pôde manifestar suas preferências por meio de voto popular e, ao final, o Açaí Tumucumaque foi premiado como o podrão mais gostoso.

Podrão exêntrico

A Delicoxinha foi, apontada como o podrão mais excêntrico devido à sua coxinha de um quilo. A Batata de Marechal, mesmo tendo exigido paciência dos interessados, que enfrentaram extensa fila, teve o reconhecimento de estabelecimento com o melhor atendimento. A menor porção da batata, cuja fama já ultrapassa os limites do bairro de Marechal Hermes, serve bem quatro pessoas. Os vendedores responsáveis por cada um dos três premiados receberão uma quantia de R$ 2 mil.

A Feira Nacional do Podrão foi idealizado por Suzanne Malta e Natália Alves, responsáveis pelo blog Onde Comer no Rio. Nossa ideia era valorizar essa comida de rua de raiz e fazer um evento que fosse um pouco na contramão da gourmetização. A gente tem visto, em muitos eventos, os espaços sendo dados apenas aos vendedores dos chamados hambúrgueres artesanais. E o podrão tem o seu valor, tem preços bem acessíveis e são bem fartos, disse Suzanne.

O evento chegou à sua segunda edição após o sucesso da primeira, realizada em março na sede do Sindicato de Telefonia do Rio de Janeiro (Sinttel), na Tijuca. Com o apoio da prefeitura, a iniciativa foi deslocada para o Terreirão do Samba. A programação também contou apresentações circenses e shows dos grupos Intimistas e Revelação. Além disso, a área infantil fez do evento uma boa opção para um programa em família.

O acesso à feira se dava mediante a aquisição de um ingresso de R$ 5 e a doação de um quilo de alimento não perecível. O projeto das organizadoras é que o evento entre de vez no calendário da cidade do Rio de Janeiro e seja realizado uma ou duas vezes por ano.

A curadoria foi na rua. Fomos aos bairros, experimentamos. Também recebemos indicações pelas das redes sociais e fomos conhecer. Os selecionados tiveram uma palestra de empreendedorismo junto ao Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas]. Eles receberam diploma de vigilância sanitária. Fizemos um trabalho completo. Não foi apenas reuni-los aqui para vender produtos e ganhar dinheiro. Houve uma campanha de preparação do evento, afirmou Natália. Segundo ela, os selecionados são de diversas regiões, mas há uma maior prevalência de barracas provenientes da zona norte. Além disso, há ainda alguns vendedores de outros municípios da região metropolitana e um de Angra dos Reis, o Los Praianos, que comercializa paletas mexicanas.

Algumas iguarias foram preparadas especificamente para o evento. É o caso da pizza de costela da Mano Pizza, de Queimados, município da Baixada Fluminense. A inovação foi bem sucedida, segundo a vendedora Aurilane Sena. Ela também aprovou o evento. Estamos tendo contato com pessoas diferentes, gostos diferentes. Recebemos dicas de um moça da Bahia que nos acrescentou bastante e que vou levar em consideração, ressaltou.

Para a advogada Nida Reis e sua filha, o evento se tornou uma oportunidade de programa familiar. Elas dividiram um sanduíche e escolheram um lanche para levar para o sobrinho que aguardava em casa. A advogada destacou as particularidades dos alimentos de cada região do Rio de Janeiro. Tem diferença. Nós moramos em Copacabana e por lá atualmente só tem hamburgueria artesanal. Geralmente os lanches são caros. E aqui temos várias opções de podrões, que é bem mais barato e muito saboroso, elogiou.

Dia dos pais

A Feira Nacional do Podrão se transformou ainda em um programa de Dia dos Pais. Foi o caso de Mauro Cordeiro, que lá estava com seus dois filhos. O carioca é muito eclético. E é bom ver essa reunião de coisas específicas dos bairros, sobretudo do subúrbio. A gente acaba conhecendo a comida de outras regiões. É comida rápida, fora de hora, gostosa, que já é comum para o carioca. E para o dia de hoje foi um excelente programa, avaliou.

Sua filha, a estudante de engenharia Mariana Oliveira, estava bastante feliz com o que carregava nas mãos: o açaí que logo viria a ser premiado como o podrão mais gostoso . Para mim, cada açaí é diferente e esse aqui está bem bom. Não sei explicar o porquê, mas está bem gostoso. Ela destacou a oportunidade oferecida pelo evento. É bem interessante. O açaí é de Cavalcanti e nós moramos na Penha. Então dificilmente iríamos conhecê-lo. Aqui se reúnem os podrões de vários lugares do Rio.

O responsável pela guloseima que faz sucesso em Cavalcanti, na zona norte do Rio, é Rodrigo Rafael. Eu vendia doces na rua e um dia apareceu um trailer disponível para aluguel. Eu e minha mulher pensamos em vender açaí. O dono do trailer não acreditava que teria saída, mas mesmo assim decidimos tentar. Fui aprender a fazer e foi um sucesso. Ficamos três anos no trailer e hoje, graças a Deus, já estamos com uma loja. No verão, chegamos a vender 15 toneladas de açaí por mês. O nosso crescimento foi muito rápido, celebrou. O Açaí Tumucumaque oferece algumas peculiaridades como o açaí na melancia e o açaí batido no liquidificador, que inclui frutas e chocolate e possui até 2 litros e meio para quem deseja compartilhar.

Edição: Maria Claudia

 

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