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 Seminário Conhecer revela visões diversas sobre futuro digital - Jornal Brasil em Folhas
Seminário Conhecer revela visões diversas sobre futuro digital


Diferentes olhares sobre o futuro digital e o papel dos seres humanos nesse novo potencial mundo dominaram o segundo dia de palestras do Seminário Conhecer, que termina amanhã (16) na capital alagoana.

O evento trouxe, para um mesmo espaço, pelos menos quatro importantes nomes da Singularity University - uma das principais universidades voltadas às novas e potenciais tecnologias, como a robótica, com sede no Vale do Silício, dentro da estrutura da Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa). Em comum, esses futuristas e antropólogos destacam que a velocidade com que as mudanças vêm ocorrendo no mundo só tende a aumentar.

Com a missão definida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequena Empresas (Sebrae) – organizador do evento – de apontar caminhos para uma educação empreendedora, esses professores não hesitaram em fazer alertas sobre a necessidade de uma adaptação completa dos padrões de ensino. “Nossa educação está no passado”, afirmou o futurista e empreendedor Tiago Mattos.

Ao longo de uma hora de palestra, Mattos conseguiu arrancar gargalhadas da plateia formada por educadores e técnicos, em sua maioria apreensivos com as novas exigências de uma educação a ser reconstruída para alcançar mais eficiência, aumentando aprendizagem e reduzindo evasão por desinteresse de uma geração “conectada”.

Primeiro, é preciso tentar entender o tamanho da mudança. Existe uma mudança, ela é grande, e vai afetar todas as atividades”, alertou Mattos. No entanto, Mattos aliviou as projeções futuras para colegas de área, garantindo que a profissão que ele também exerce não vai acabar. “Mas não significa que vamos dar aula como sempre se deu nos próximos 20 anos. Vamos ter que reaprender a ser professores no século 21. Se não atualizar nosso software, vai dar tela azul até queimar”, disse.

Ao longo de décadas, educadores e escolas mantêm um modelo que, segundo a linha dessa universidade, segue padrões industriais e, por isso, é linear, segmentado e previsível. A justificativa estaria no padrão criado há anos e inspirado na logística das linhas de montagem das fábricas.

“O sistema educacional é igual. Não é à toa que temos escola com todo mundo uniformizado como [em] uma fábrica, com evolução linear, com horário para entrar e com uma sirene, igual a uma fábrica. O que estamos fazendo é treinando pessoas para trabalhar no chão de fábrica, e o mundo do futuro não é mais um chão de fábrica. É criativo. O mundo não é mais linear”, afirmou Mattos, destacando ainda a necessidade de buscar mais multidisciplinaridade na aprendizagem.

“Quando a gente entende o futuro – não com a cabeça, mas com o coração e com o estômago –, abraça esse futuro e enfrenta os medos, pode chegar a esse espaço de inovação”, ressaltou o futurista, citando ainda frase do escritor e também futurista norte-americano Alvin Tofler, segundo o qual os analfabetos do século 21 não seriam aqueles que não sabem ler ou escrever. “Os analfabetos do século 21 são só os que não sabem aprender, desaprender e reaprender.”

A formação do colega de Singularity, Francisco Barreto Araújo, que no início do segundo dia de seminário falou sobre o futuro entre digital e humano, reforça o conceito. Araújo apresenta-se como um antropólogo que se apaixonou por tecnologia e buscou aperfeiçoamento em áreas que vão da educação infantil à engenharia.

“Nossa geração está sendo impactada, e isso deve, sim, impactar a maneira como a gente aprende. A gente vive em um mundo volátil, ambíguo, incerto e complexo. Fazer previsões neste mundo é impossível”, disse Araújo. Para ele, o desafio da inovação é o foco nas pessoas. “Não há outro modelo sem colocar o ser humano no meio dessa inovação. O desafio não é correr atrás porque está ficando para trás, e sim buscar fazer inovação para alguém, e pensando no por quê [da inovação].”

Enquanto a Singularity concentrou esforços em apontar o tsunami tecnológico, a Ph.D. Heide Neck, professora de empreendedorismo na Babson College (Estados UnidosA), trouxe dinâmicas que são aplicadas em suas aulas para mostrar que é possível criar “conforto” entre os alunos para poderem lidar com as incertezas e mudanças como as que afetarão as carreiras no futuro.

“Não tenho certeza se o computador terá, no futuro, capacidade de liderar, transcender e criar. Podemos ensinar os alunos como navegar pelas incertezas. Como professores, temos uma responsabilidade incrível, que é uma dádiva e um peso: nosso trabalho é mudar a mente dos estudantes, [ensinar] como competir neste mundo”, afirmou.

Envolvendo a plateia em dinâmicas simples, com uso de quase nenhuma tecnologia, a especialista apresentou um novo conceito, ainda não testado, que definiria inteligência empreendedora.

Para Heide, é possível conduzir alunos em um caminho em que eles identifiquem anseios e coloquem em prática, não apenas focando novos negócios. “No ensino empreendedor, você abraça as falhas para aprender. Toda vez que você fracassa ou falha, tem informações que ninguém mais tem. Isso é competitivo num mundo em que há informação para todos.”

*A repórter Carolina Gonçalves viajou a convite do Sebrae

Edição: Nádia Franco

 

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