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22 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Diretor do PMA defende redução do desperdício de alimentos no Brasil - Jornal Brasil em Folhas
Diretor do PMA defende redução do desperdício de alimentos no Brasil


O diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU), Daniel Balaban, afirmou que a redução do desperdício de alimentos pode ajudar a acabar com a insegurança alimentar no Brasil. Segundo Balaban, atualmente 14 milhões de brasileiros vivem em situação de incerteza, sem saber se terão comida suficiente todos os dias.


“Hoje, um dos grandes problemas do mundo é que temos alimentos suficientes, mas muito desse alimento que é produzido, é desperdiçado”, enfatizou o representante da ONU, ao participar do lançamento de uma campanha sobre o tema promovida pela empresa Unilever.

De acordo com Balaban, são desperdiçadas todos os anos cerca de 26 milhões de toneladas de alimentos. “Faz falta para muitas famílias que têm dificuldades.” Balaban ressaltou que, em todo o mundo, são jogadas fora anualmente 1,2 bilhão de toneladas de comida em condições de ser consumida. Ao mesmo tempo, ele lembra que 800 milhões de pessoas que passam fome em todo o planeta.

Para ele, o desperdício pode ser reduzido com mudanças culturais e de hábitos cotidianos. “Tem muita família pobre que também desperdiça alimentos. Acabam comprando mais do que precisam, cozinhando mais do que vão consumir”, afirmou.

Além do desperdício doméstico, o diretor do PMA destacou o impacto das perdas causadas pelo transporte inadequado de alimentos. Ele destacou que, no Brasil, a maioria dos alimentos é transportada por rodovias. Se não tiverem um bom acondicionamento, acabam chegando ao ponto final já estragados. Então, perde-se muito. De cada grupo de alimentos, um terço é jogado fora.”

Feinho e tortinho também são saborosos

O empresário Arthur Arakaki disse que viu no combate ao desperdício uma oportunidade de empreendimento. Junto com um sócio, criou uma pequena empresa de entrega de frutas e legumes com imperfeições, mas em bom estado para o consumo. “É aquilo que o varejista grande, por exemplo, não aceita porque não está nos padrões estéticos que ele acha que tem que comprar.”

As cestas com os vegetais são montadas a partir da disponibilidade dos 35 produtores cadastrados, trazendo uma seleção nova a cada semana. Como os produtos que compõem a cesta não são fixos, muitas vezes, os clientes recebem alimentos que nem sempre estão disponíveis nos supermercados. “Com a introdução desses itens diferentes na casa das pessoas, elas são obrigadas a procurar uma receita. Estimula também. É engraçado, porque as pessoas gostam”, disse Arakaki.

Arakaki e o sócio já contam com quase 1,5 mil assinantes que recebem caixas com peso que varia de 3 a 10 quilos. A empresa atende em toda a zona sul e parte da zona oeste da capital paulista.

Segundo Arakaki, o serviço atende também a uma demanda dos produtores que tinham dificuldades para escoar os alimentos com pequenas imperfeições ou fora do padrão estético. “O nosso principal propósito é o combate ao desperdício e, além disso, conscientizar as pessoas de que o feinho e o tortinho também são saborosos.”

Mais da metade dos brasileiros desperdiça

Pesquisa divulgada pela Unilever em julho mostrou que 61% dos brasileiros descartam, semanalmente, um ou dois alimentos em perfeito estado. Quase metade (49%) dos entrevistados assumiram fazer isso diariamente.

Quem compra e desperdiça assume que o grande problema é a falta de inspiração (81%). Muitos olham para a geladeira, mas não sabem o que cozinhar ou comer (78%).

Outros questões apontadãs na pesquisa são a compra de comida além do necessário (54%), pais que adquirem opções extras para satisfazer o gosto de diferentes membros da família (37%) e compra de alimentos diferentes do habitual para testar, que acabam não agradando (31%).

Os tipos de alimentos mais desperdiçados são os perecíveis, como saladas (74%), vegetais (73%) e frutas (73%). Na hora de decidir se joga fora, o brasileiro leva em conta cheiro e aparência (85%) e prazo de validade expirado (83%).

A pesquisa, feita em escala global, ouviu 4 mil pessoas – dois norte-americanos, mil brasileiros e mil argentinos, com idade entre 18 e 64 anos, no período de agosto a setembro de 2017.

Edição: Nádia Franco

 

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