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19 de Abr de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Um terço do lixo tem destinação inadequada na América Latina e Caribe - Jornal Brasil em Folhas
Um terço do lixo tem destinação inadequada na América Latina e Caribe


Um terço do lixo produzido nos países da América Latina e Caribe, o que representa 145 mil toneladas de resíduos, é descartado em locais inadequados diariamente, segundo relatório do setor de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil responde por 25% do volume destinado de forma inadequada na região.

Além disso, a geração diária de resíduos sólidos urbanos nesses países vai aumentar 25% até 2050, segundo o estudo. Os dados fazem parte do relatório Perspectivas sobre a Gestão de Resíduos na América Latina e no Caribe, documento lançado na semana passada em evento de sustentabilidade na cidade de Buenos Aires, na Argentina.

“Mesmo com algumas melhorias alcançadas em um período mais recente, cerca de 170 milhões de pessoas ainda estão expostas às consequências desse problema em decorrência dos graves impactos causados ao meio ambiente (solo, ar e água) e à saúde da população”, disse Carlos Silva Filho, diretor presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) e membro do comitê diretivo da pesquisa divulgada pela ONU Meio Ambiente.

O relatório conclui que a região latino-americana enfrenta ainda o desafio de chegar a uma economia circular, já que apenas 10% dos resíduos são reaproveitados por meio da reciclagem ou de outras técnicas de recuperação de materiais.

“Além de práticas mais avançadas de valorização e recuperação dos materiais descartados e de regras de governança, o relatório também aponta que a carência de recursos para investimentos e custeio das operações é em grande parte a causa dos problemas verificados, com impactos diretos na poluição ambiental, que é crescente, e na saúde das pessoas”, avaliou Silva Filho.

Brasil

Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, produzido pela Abrelpe, mostram que a geração total de resíduos sólidos urbanos no Brasil foi de 78,4 milhões de toneladas em 2017, crescimento de 1% em relação a 2016. Cada brasileiro também produziu mais lixo em 2017, 378 quilos por ano, volume que daria para cobrir 1,5 campo de futebol.

De acordo com a publicação, a destinação irregular de resíduos aumentou 1%, com um volume total que seria suficiente para cobrir uma área equivalente a 600 Parques do Ibirapuera, em São Paulo.

Pelo segundo ano consecutivo, houve aumento na quantidade de resíduos direcionados para lixões, que é a pior forma de destinação de resíduos, segundo a associação. Foram quase 13 milhões de toneladas destinadas a lixões no país.

“Ao compararmos os dados do panorama com os do relatório da ONU, verificamos que a quantidade de lixo enviada para lixões no Brasil corresponde a quase 25% do total de resíduos que tiveram essa destinação inadequada em toda América Latina e Caribe, ou seja, um quarto da destinação inadequada da região”, disse Carlos Silva Filho.

Ele avalia que os números apresentados são bastante preocupantes e mostram que, caso não sejam adotadas medidas urgentes para reverter esse quadro, há o risco de o problema tomar proporções irreversíveis, seja porque os custos de recuperação serão astronômicos ou porque as alternativas de recuperação não surtirão mais efeito, tamanho o grau de degradação.

Plano de resíduos

Um levantamento do Ministério do Meio Ambiente, divulgado essa semana, aponta que pouco mais da metade dos municípios brasileiros (54,8%) tem um Plano Integrado de Resíduos Sólidos. De acordo com os dados, a gestão de resíduos sólidos tende a ser maior em municípios mais populosos, variando de 49% em cidades de 5 mil a 10 mil habitantes até 83% em cidades com mais de 500 mil habitantes.

A Lei nº 12.305 de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelece que cada município brasileiro precisa elaborar um plano de gestão integrada de resíduos sólidos como condição para acessar recursos da União para projetos na área.

Edição: Sabrina Craide

 

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