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14 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Marconi faz previsão otimista sobre um possível governo Temer - Jornal Brasil em Folhas
Marconi faz previsão otimista sobre um possível governo Temer


Em entrevista à jornalista Fabiana Pulcineli, do jornal O Popular, publicada na edição de hoje, o governador Marconi Perillo faz uma ampla análise sobre o momento atual da política brasileira e o que o governo de Goiás tem feito para enfrentar esse momento de crise econômica. Diz esperar que um possível governo de Michel Temer seja melhor para Goiás, porque ele tem experiência legislativa, comandou a Câmara dos Deputados por três vezes e deve focar em poucas reformas, mas as mais importantes, para realizar o governo de transição. Para Marconi, Temer precisa sinalizar, de início, como vai tocar a administração, quais as prioridades, dentro da realidade fiscal do governo, e agir para diminuir os gastos públicos. Sobre Goiás, faz um raio X de como está enfrentando a crise, priorizando a diminuição das despesas e a equalização com a receita. Diz ainda que a reforma administrativa que realizou no final de 2014, onde já previa esse momento de crise, tem ajudado seu governo a atravessar com qualidade esse momento de dificuldade econômica, que tem prejudicado em muito a arrecadação do Estado.

- Como está a sua aproximação com o vice-presidente Michel Temer? Como o senhor acha que será essa relação em um provável governo Temer?

A minha relação com o governo federal foi muito institucional, republicana. E essa relação existe com o Poder Executivo em nível federal, com o Legislativo, com o Judiciário, e também existe aqui em Goiás com todas essas instituições e outras. E é uma relação também muito republicana em relação aos municípios. Eu tenho hoje uma relação aberta com todos os prefeitos que me procuram, independentemente de partido. Com um eventual governo Temer eu não tenho dúvida de que haverá alterações significativas, talvez até para melhor. Até porque ele precisará contar com a governabilidade de muitos integrantes da bancada de Goiás que são ligados à nossa aliança, à nossa coligação. Inclusive esses deputados já votaram a favor do impeachment e, pelo que tenho acompanhado pela imprensa, no caso do Senado os dois senadores que são ligados a mim, que são membros da nossa aliança também vão votar favoráveis ao impeachment. Eu tive uma conversa com o vice-presidente Temer há 15 dias. Uma conversa muito boa. Fui levar um convite para que ele fosse prestigiar a última reunião que fizemos do Consórcio dos Governadores do Brasil Central, e aproveitei para dar a ele algumas sugestões, trocar informações sobre alguns aspectos de gestão, informar sobre o que é o Consórcio Brasil Central. Na semana passada tive uma conversa com o ministro Padilha, que deverá ser, caso haja o impeachment, o novo chefe da Casa Civil. É uma pessoa da confiança do vice-presidente. Eu repeti ao ministro algumas das coisas que disse ao vice-presidente Temer. Primeiro, que o governo dele será melhor ou menos pior recebido, dependendo da fotografia que ele apresentar à Nação, em termos de membros do Ministério, do tamanho do Ministério, disse e repito que é muito grande hoje, precisa diminuir. Também diminuir o número de cargos de livre nomeação. E sugeri que, caso ele realmente não seja candidato a presidente, que ele anuncie isso. Acho que a fotografia do Ministério e o primeiro discurso que ele deve fazer, caso se efetive na Presidência, vão ser muito importantes para definir o futuro do governo dele.

- E agora ele já tem manifestado que não tem intenção de ser candidato a presidente, à reeleição. É, ele já fez isso publicamente.

- Ontem saiu uma nota no Giro falando da possibilidade dele ser candidato e o senhor ser até vice. Isso nunca foi tratado.

- O senhor acredita que ele não será candidato à reeleição?

Se eu fosse ele eu não seria candidato, até para que ele tenha credibilidade para fazer a transição e levar o Brasil a um porto seguro. Nós vivemos hoje a mais cruel, a mais grave crise da história do Brasil, em termos de crise econômica, política, moral, de credibilidade. A crise econômica atual é pior do que a Depressão de 1929. Nós já temos nesse período, de pouco mais de um ano, mais de 10 milhões de desempregados nas mais diversas áreas. A cada dia útil, 11 mil pessoas são mandadas embora de seus empregos. É preciso todo mundo dar as mãos para que o Brasil volte a um status de crescimento, saia dessa estagnação que prejudica todo mundo, que leva todo mundo para o buraco. Nós temos tido dificuldades nos estados e nos municípios é porque com a crise, com a retração econômica, os cidadãos compram menos, consomem menos. Consequentemente, nós temos menos impostos. Nos dois primeiros meses do ano nós tivemos uma queda de 26% de ICMS no varejo aqui em Goiás. Tivemos 10% a menos no consumo de energia. Isso resultou, é claro, em uma significativa redução da nossa arrecadação. E quando isso ocorre não há forma de conseguir manter a previsibilidade do planejamento em relação às despesas e as receitas do Estado.



- Por que o senhor não se colocou junto com o PSDB a favor do impeachment? Como alguém que quer se colocar como uma liderança nacional do partido não seria natural que o senhor participasse dessas conversas e também defendesse junto com o partido; tivesse um posicionamento claro a respeito disso? E o senhor acha que perdeu espaço no partido diante disso?

Em hipótese alguma. Eu agi com a responsabilidade de um governador, que precisa ser respeitoso com todas as instituições. Talvez eu tenha sido um dos líderes do PSDB mais consultados nos últimos 90 dias. Eu converso com deputados de quase todos os estados brasileiros que pertencem ao PSDB. Converso permanentemente com meus colegas governadores. Converso permanentemente com o Aécio, com o Serra, com os senadores do PSDB, e acho que o resultado dos votos dos parlamentares que são do PSDB de Goiás ligados à minha base é uma resposta a qualquer tipo de dúvida em relação à posição do PSDB de Goiás. Todos os votos da nossa base em Brasília foram a favor do impeachment. Eu não preciso ficar explicitando essas coisas, até porque nós, governadores, estamos preocupados com outros temas. Preocupados com o alongamento das dívidas, com a crise econômica, com recursos para investimentos nos estados. A agenda de um governador é bem diferente da agenda de um partido e diferente da agenda do Congresso. Eu tenho uma relação institucional muito sólida com o Congresso. No Senado, onde estive; na Câmara, onde estive. Eu fui colega do Temer na Câmara Federal. O que percebo é que as portas nessas instituições são sempre muito abertas a Goiás. E meu dever é não deixá-las fechar, é mantê-las abertas porque nós dependemos de leis no Congresso, dependemos de decisões importantes em muitas instituições e a opção que eu fiz foi a opção pelo diálogo, pela maturidade, pela racionalidade no trato com todas as instituições, aqui e lá em Brasília.

- O senhor fez essa opção pelo diálogo e não precisa explicitar esse seu posicionamento, mas há um ano quando a presidente Dilma esteve aqui o senhor defendeu o resultado das urnas, a democracia. Falou muito no respeito às instituições. Isso aí não fica um pouco incoerente agora?

Não, eu continuo tendo a mesma opinião. Não há diferença entre o que eu falei naquela época. Naquele dia eu dei uma resposta à intolerância da claque petista que foi lá para me vaiar, para tentar inviabilizar a minha participação no evento. Quando eu falei da legitimidade do voto nas urnas foi em resposta à tentativa de intimidação que uma claque petista tentava em relação a mim. E aí eu defendi a legitimidade das eleições para todos. E essa é uma verdade. Defendi, também, o fortalecimento da democracia do país. Isso eu fiz agora em Harvard, tenho feito por onde passo. Não vejo incoerência alguma. O que está acontecendo com o PT não é culpa minha. Eu nunca fui do PT. Pelo contrário, eu fui muito hostilizado por muitas pessoas do PT. A culpa do que está acontecendo é, fundamentalmente, da falta de diálogo por parte de alguns e da crise econômica. O que levou ao fim da ditadura militar não foram só as manifestações nas ruas e as manifestações políticas, foi, fundamentalmente, a inflação, a carestia, a corrupção e o desemprego na ditadura. Isso é que levou as pessoas à indignação, a irem para o movimento das Diretas Já, ao Muda Brasil. É mais ou menos o que aconteceu agora, apesar de certa divisão no país. O que aconteceu foram movimentações espontâneas das pessoas. As pessoas não queriam, nem os políticos. E outra coisa: os deputados que votaram agora votaram conscientes de que, se não votassem como votaram, teriam dificuldades enormes em suas reeleições ou na participação agora em eleições municipais, porque a cobrança através das redes sociais, a indignação das pessoas, foi muito grande.

- Essa falta de diálogo e a crise econômica, o senhor atribui as duas questões, fundamentalmente, à presidente Dilma?

É ela quem lidera, então certamente que ela tem uma cota maior de responsabilidade. Mas assim, se formos considerar os vazamentos das conversas do Lula com outras pessoas, acho que o que aconteceu na Câmara é resultante dessas coisas todas. Desses acontecimentos todos que deixaram grande parte da população brasileira muito indignada.

- O senhor defendeu que o PSDB tenha uma participação no governo Temer. Havia uma discussão no PSDB para saber se o PSDB deveria ou não e o senhor defendeu participação. Não é incoerente se posicionar a favor do impeachment da presidente Dilma e se aliar a um governo que terá no comando alguém que também é citado na Operação Lava Jato; que também fez indicações e tem relação com a Lava Jato, que também assinou decretos relacionados à questão das pedaladas?

Primeiro, eu não sou do PMDB. O PMDB é meu maior adversário aqui em Goiás. Incoerência seria o PSDB não participar de alguma maneira ajudando o governo. Quem está ajudando a derrubar o governo do PT são as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado. Como é que o partido se posiciona para derrubar um governo e depois não colabora com o outro? Uma coisa é apoiar as medidas que serão necessárias, principalmente reformas estruturantes que são inadiáveis. Outra coisa é participar do governo. A defesa que eu fiz e que é hoje a opinião do presidente Fernando Henrique, é a opinião dos governadores, do Aécio, dos senadores e da maioria dos deputados é que o PSDB não ofereça apoio barganhando cargos, transformando o governo em um balcão de negócios ou de barganha. Essa é uma posição clara nossa. Agora, eu defendi e todos hoje estão mais ou menos de acordo com essa tese, é que, caso o presidente necessite de quadros do PSDB, o PSDB deve indicar institucionalmente esses nomes, apoiar esses nomes e apoiar o governo. Mas em hipótese alguma nós vamos entrar nessa coisa de outros partidos, que é o toma lá dá cá. Não vai ter isso. Isso está muito claro hoje na cabeça de todos nós. E eu agi rápido porque, primeiro, eu considero que essa tese de golpe não é uma boa tese, não é uma tese verdadeira. Quem definiu o rito do impeachment foi o Supremo Tribunal Federal, e eu falei isso lá em Harvard. Segundo, eu considero que nós vivemos hoje a normalidade democrática. As instituições estão fortes, o Judiciário muito forte, o Ministério Público, a imprensa. Acho que seria imprudente se o PSDB não ajudasse agora na tentativa de soerguimento da economia e dos próprios pilares de sustentação política do governo.

- Mas aí o foco passa a ser a superação da crise política e da crise econômica, não mais da corrupção e das acusações de pedaladas fiscais?

Não sou eu quem tem que tratar disso. Isso quem tem que tratar e vai continuar tratando é o Supremo Tribunal Federal, o juiz Sérgio Moro, o Ministério Público Federal, e não há força capaz de evitar que o curso dessas investigações continue. O Brasil é um país amadurecido hoje. Se alguém pensar pelo menos de longe em tentar atrapalhar qualquer tipo de investigação no país, hoje, será execrado pela opinião pública. E eu já percebi no vice-presidente Temer toda uma tentativa de desmitificar isso. Olha, isso não é problema do governo federal. Eu sinceramente espero que as coisas voltem à normalidade no país do ponto de vista de gestão administrativa e gestão política. Temas relevantes e importantes não podem continuar à mercê do jogo político.

- E aí o senhor acha pela conversa que teve com o Temer, e que tem ouvido desse pessoal mais próximo a ele, que ele tem essa disposição para fazer essas reformas estruturantes que o senhor falou?

Eu acho que ele vai fazer opção por algumas. Poucas. Importantes, mas poucas. Não dá para atacar tudo, até porque ele não tem um plano de governo original. Eu percebo a disposição de atacar algumas áreas mais importantes. Se ele realmente confirmar o Dr. Henrique Meirelles no comando da Fazenda, estará dando uma sinalização de que quer fazer mudanças importantes na área da economia.

- O senhor acha que vai ter um peso grande de resultados essa nomeação do Meirelles?

Eu espero. Quando falo da fotografia, estou falando de escolher bons ministros da Fazenda, Planejamento, Banco Central, Justiça, Saúde, Educação. Pelo menos essas áreas, que são áreas que, em minha opinião, representam o coração do governo. O cérebro do governo.

- O senhor falou da relação com o PMDB aqui que é o principal adversário. O senhor teme alguma articulação do PMDB goiano no sentido de atrapalhar um governo Temer?

Nenhuma. Eu atravessei o cabo das tormentas que era manter a relação com o PT de forma respeitosa e acho que, surpreendente aos olhos de muitos, porque eu fiz uma opção pelo diálogo, pelo respeito às instituições. Não tenho dúvidas de que, caso ocorra de o Temer assumir o governo, teremos uma relação até melhor porque o Temer é um político profissional, um político que já está na vida pública há décadas. Foi três vezes presidente da Câmara. Uma coisa é lidar num estado com 41 deputados, 10 secretários. Outra coisa é ter um relacionamento com 513 deputados, cada um pensando de um jeito, e conseguir ser três vezes presidente. Isso significa que ele tem mérito, pelo menos na gestão política. E foi também um bom gestor administrativo na Câmara, tanto é que ele voltou duas vezes.

- O senhor tratou com o Temer sobre a Celg? Tem alguma preocupação desse processo demorar mais?

Não tratei nada, a não ser com o governo federal. Já fiz notificações ao Ministério de Minas e Energia e ao Ministério do Desenvolvimento. O ministro do Desenvolvimento é quem preside o Conselho Nacional de Desestatização. Então nós fizemos notificações falando da situação da Celg, da demora em relação à publicação do edital e a privatização e enviei cópias destas notificações ao presidente do BNDES, ao presidente da Eletrobrás e à presidente Dilma.

– E agora, diante deste cenário todo, há um risco que isso demore?

Daqui a 10 dias, nós teremos um desfecho no Senado. Eu estou esperando já tem uns dois meses que essas coisas resolvam. Não adianta conversar com ninguém agora. Nem com a equipe da Dilma, nem com a do Temer porque esse assunto não vai ser resolvido agora. O que tem que conversar hoje são as questões mais macro: conceito de governo, sugestões para que o governo seja o mais eficiente possível. Como brasileiro e como governador eu torço para que isso ocorra.

– E o impacto disso aqui para Goiás? A gente viu uma matéria falando da redução dos investimentos no Estado, havia uma expectativa por conta das reformas que o senhor fez, por conta das medidas já adotadas de que esse ano fosse um ano em que se conseguisse reservar um pouquinho do dinheiro para investimentos.

Nós fizemos uma opção, diante do tamanho da crise, que era opção de pagar os funcionários, pagar o custeio mínimo, que é Educação, Saúde, Segurança. Nós conseguimos recursos para dar uma melhoria nas estradas – manutenção e conserva. Só para as rodovias, nós conseguimos para esse ano R$ 260 milhões. E já estão sendo investidos. Temos muitas frentes de trabalho na manutenção e conserva de 22 mil quilômetros de rodovias. Recentemente, eu consegui mais R$ 35 milhões para fazer uma operação emergencial em 1.100 quilômetros de rodovias que deveriam ser reconstruídas esse ano e nós não temos ainda previsão de recurso. Agora, não só Goiás como os outros estados têm conseguido recursos para investimentos através de operações de crédito e através de privatizações. Nós não fizemos nenhum planejamento que contasse apenas com recursos de sobras do Tesouro estadual. As reformas continuam. Continuam com muita austeridade do controle do gasto público. A Falconi e outras consultorias têm me ajudado muito. A mim, à secretária Ana Carla (Fazenda), secretário Joaquim (Gestão e Planejamento) e a nossa equipe. Então nós estamos com o pé no freio priorizando o custeio da máquina e gastos essenciais para a população, aos serviços prestados à população. De qualquer maneira, nós estamos terminando o Centro de Excelência de Esportes, estamos terminando alguns IMLs, os Cases (Centros de Atendimento Socioeducativos) em construção – quase todos, conseguimos recursos para retomar um dos presídios, vamos retomar os outros, o Centro de Convenções de Anápolis foi reiniciado, então tem muita coisa andando. Terminamos agora, já abrimos o viaduto da GO 080. Demos uma segurada geral nos investimentos que não estão na primeira ordem de grandeza de prioridades, mas estamos investindo. Conseguir R$ 260 milhões em um tempo de crise para manutenção de rodovias é algo muito relevante. E nós estamos conseguindo recursos para outras áreas também. Veja bem, o custeio dos hospitais do Estado é quase R$ 80 milhões por mês. É preciso ter dinheiro para a gente pagar este custeio, porque senão os hospitais não vão funcionar. Eles são indispensáveis para a vida das pessoas.

– Governador, o Valor Econômico tem uma reportagem na semana passada falando de manobras fiscais dos governos, citando Goiás. Utilização de restos a pagar e outros tipos de manobras. O Estado vai lançar mão, vai usar este tipo de recurso diante das dificuldades? O que o senhor acha da comparação disso com as “pedaladas” fiscais do governo (federal)?

– Não tem nada haver uma coisa com a outra. No governo da Dilma foram utilizados recursos, segundo os relatórios, que foram reprovados por unanimidade pelo TCU, de bancos, de operações financeiras, para cobrir gastos do Governo Federal com programas os mais diversos. No nosso caso aqui, nós utilizamos a conta centralizadora para nos ajudar no equilíbrio de caixa, sobretudo para pagamento de pessoal, etc, isso dentro de uma pactuação formal com o Tribunal de Contas (do Estado, TCE), que definiu que, a partir do ano passado, nós iríamos começar a reduzir gradativamente, gradualmente, a utilização da conta centralizadora. E nós estamos observando isso fielmente. Estou seguro de que nós vamos ter nesse ano bem menos restos a pagar do que tivemos no ano passado e vamos ter um déficit muito menor também. Porque nós estamos trabalhando já desde o final de 2014, quando eu vislumbrei a crise na redução das despesas do Estado. Tive a coragem de prorrogar os aumentos salariais, porque havia uma programação em 2014. O cenário era um. Eu já comecei a perceber sinais que ninguém imaginava que a crise pudesse ser tão forte em 2015 e 2016 - e com o rebatimento em 2016. É provável que a gente tenha um PIB mais negativo em 2016, do que em 2015. Todo o planejamento que nós tínhamos levava em consideração um cenário de crescimento econômico, um cenário de crescimento de receita. Isso não ocorreu por conta dos efeitos cruéis da crise. E aí nós tivemos que partir para cortar despesas, para prorrogar aumentos. E é isso que vai fazer com que a gente chegue ao final do ano com uma situação bem melhor, por todos os cálculos que a gente tem, do que no ano passado. Mas ainda tem problemas, ainda sem dinheiro para fazer os investimentos que a gente espera fazer. Agora, nós estamos trabalhando várias frentes, buscando recursos, buscando o alongamento das dívidas do Estado para que a gente possa ter investimentos. E eu não tenho dúvida de que nós teremos mais recursos para investimentos além daqueles que já estamos tendo. Outra coisa: essas reivindicações não são apenas reivindicações do Governo de Goiás. Todos os governadores estão empenhados em soluções com as dívidas, em soluções para novas operações de crédito, privatizações. Então, mesmo que o Governo Federal não quisesse atender ao Governo de Goiás, ele teria obrigatoriamente que também nos atender porque nós fazemos parte da Federação e o atendimento em relação ao alongamento de uma dívida, que está lastreada em uma determinada lei, ele vale para um e vale para todos. Operação de crédito: abriu para um estado, tem de abrir para todos.

– O senhor falou da dificuldade dos estados. A maioria tem enfrentado as maiores dificuldades, os maiores gargalos, são a questão de pessoal, de folha de pessoal. Para se chegar a essa situação mais ou menos equilibrada até o fim desse ano, é certo que não vai haver data-base para o funcionalismo esse ano de novo?

Nós estamos avaliando essa questão de data-base, estamos avaliando uma porção de coisas. Nós adiamos os aumentos que estavam previstos no final do ano passado para o final deste ano, e nesses casos as datas-bases já estão inseridas. Quando nós fizemos um cálculo de aumento escalonado para a Segurança, a gente já incluía o que seria a data-base. Com gestores, a mesma coisa, com a Saúde, a mesma coisa. Quando a gente faz o aumento para a Educação do piso, também já está subentendido que a data-base está incluída. Aqui em Goiás, nós já temos um critério da data-base que é um pouco difícil de ser cumprido, porque ele leva em consideração um indexador, que é um indexador alto – e essa questão está sendo discutida internamente. Porque aumentos devem ser dados quando o Estado tem condições de arcar com os aumentos. Se não tiver, não adianta. É melhor o servidor ter menos aumentos em tempos de crise do que não receber os salários. Eu nunca atrasei salários ao longo dos meus governos. Pelo contrário, paguei, durante anos, todo o funcionalismo adiantado. Pela primeira vez eu comecei a pagar parte adiantado, parte dentro da lei, a partir de julho do ano passado; por conta das dificuldades e por conta da crise. Mas sempre priorizei. Muitas pessoas achavam que a gente ia atrasar pagamentos agora na crise. Não atrasamos e não vamos atrasar.

– Voltando à conversa do senhor com o Temer. Saiu também a notícia que o senhor queria levar o Consórcio Brasil Central até ele, em uma reunião com ele, e ele falou que não era o momento. Como é que foi isso?

– Não. Eu convidei o Temer, em nome dos meus colegas, para ir ao evento de Cuiabá (em 19 de abril). Ele disse: ‘governador Perillo, se eu começar a me movimentar neste momento agora, aí vão dizer realmente que eu estou querendo fazer golpe. Então eu tenho que ficar aqui, esperar acontecimentos, os desdobramentos’. Foi uma conversa extremamente amistosa e respeitosa. E depois eu sugeri a ele que convidasse os governadores do PSDB para uma conversa, quando ele julgasse necessário. Mais pensando nele próprio.

– E isso não está marcado, não está acertado nada?

– Acho muito difícil neste momento agora, uma agenda dessas.

– Governador, pensando nessa questão mais macro. Hoje o cenário é mais ou menos favorável para os planos do PSDB em nível nacional e para o senhor também para que o senhor espera para 2018?

– Olha, eu espero terminar bem o governo aqui. Não tenho maiores planos para 2018. As pessoas falam, ‘o Marconi quer isso, está se movimentando’. Eu me movimento muito mesmo, mas isso não significa necessariamente que eu seja candidato a alguma coisa. Agora, eu acho que o PSDB é um partido que tem credibilidade, que realizou um ótimo governo do ponto de vista de gestão, de equilíbrio fiscal, de reformas, que foi o governo Fernando Henrique Cardoso. Temos bons governos estaduais. Portanto, acho que temos todas as condições de protagonizarmos o debate em 2018, com bons candidatos. Nós temos condições de polarizar de novo a eleição de 2018. Não sei com quem, mas há essa possibilidade concreta. Acredito muito nisso e acho que, pelos quadros que o PSDB dispõe, chegaremos a 2018 com bons nomes e com uma boa possibilidade de vitória.

– O senhor citou ‘Ai de quem queira atrapalhar a Justiça e o andamento dos processos de investigação’. Como o senhor avalia a situação do presidente da Câmara Eduardo Cunha?

– Eu acho que depois do desfecho, as atenções da imprensa vão se voltar a ele. Não estou dizendo que seja isso que vai acontecer. Mas é muito provável que isso ocorra. E ele vai ter que, é claro, responder na Justiça, responder no Ministério Público, na imprensa, eventuais acusações que pesam sobre ele – ou acusações concretas que pesam sobre ele.

– Em uma avaliação do cenário, ele ter comandado esse processo até aqui lá na Câmara, isso não é prejudicial, nessa tentativa de afastar a questão do País, de reduzir...

– Mas aí não depende de mim. Essa avaliação tinha de ter sido feita lá no Congresso pelos colegas dele. O que eu percebo é que há uma quase que unanimidade do pensamento comum na Câmara de que se não fosse a liderança do Eduardo Cunha, eles não teriam chegado a esse desfecho. Por bem ou por mal, as pessoas falam isso dele.

– O senhor citou o Centro de Excelência e a equipe do Esporte (de O Popular) pediu para perguntar. Dizem que enquanto não sai a questão do Estádio Olímpico, está paralisado o Parque Aquático e o ginásio também.

MP – Nós nem começamos as obras do Parque Aquático. O Parque Aquático é a quarta etapa do Complexo do Centro de Excelência do Esporte. Nós, em um primeiro momento, refizemos o Ginásio de Esportes, depois nós fizemos o Centro de Excelência, que é o laboratório. Partimos para fazer todo o complexo do Centro Olímpico, do estádio, e a quarta etapa é a área do Parque Aquático. Mas não sabemos quando isso vai começar. Nós temos hoje 80% do complexo do Centro Olímpico já praticamente pronto - muito bonito e muito bem feito, por sinal. Quando tivermos viabilizado recursos, vamos “atacar” o Parque Aquático, que tem um projeto maravilhoso também. Mas, só vamos entrar lá também quando tivermos os recursos assegurados.

– Tem uma previsão de término do Estádio Olímpico?

MP – Está ‘nos finalmente’. Não sei dizer quando ficará completamente pronta a entrega, até porque essas coisas não dependem só da boa vontade da gente, do cronograma que a gente estabelece. Volta e meia surge um problema e, quando a gente fica falando em datas, acabamos sendo muito cobrados. Mas, eu passo muito ali, sobrevoo muito ali, está praticamente pronto.

– O Parque Aquático então não tem previsão de início porque tem que garantir o recurso...

MP – O Parque Aquático, por enquanto, não tem nenhuma previsão. Nós vamos primeiro viabilizar o recurso. Aí a gente começa e termina.

– Mas parece que o Ginásio de Esportes está impedido de funcionar porque precisa de obras complementares...

MP – Não tenho essa informação. A Agetop pode informar melhor. O Estádio Olímpico e o Centro de Excelência estão com 93% executado. O laboratório do Centro de Excelência, com 95% executado. Tenho uma previsão aqui, mas eu nem quero anunciar... O Centro de Convenções de Anápolis está com 79% pronto – a previsão de inauguração é para esse ano também. Do viaduto da GO 080 foi concluída a sinalização provisória, está sendo liberado em caráter experimental o tráfego na parte inferior, e a conclusão definitiva será até 18 de maio. A área do programa de manutenção e conserva rodoviária, nós já realizamos reparos em 4.535 quilômetros, além de mais de 6 mil quilômetros de roçagem e limpeza...

– Isso em que período?

MP – Esse ano. Temos todos os mapas. Em relação à manutenção dos trechos mais danificados, já temos alguns em execução e outros em mobilização. Alguns já 100% executados. Muito rápido também.

– Governador, em relação à Segurança Pública o senhor está satisfeito com as primeiras medidas?

MP – Os indicadores melhoraram muito no geral. Estive agora em um evento em que o Dr. José Eliton apresentou os relatórios de homicídios nos primeiros quatro meses do ano, a tendência de queda foi geral em todas as regiões. Goiânia, Aparecida, Anápolis, Senador Canedo, Entorno de Brasília, interior do Estado. Em todos os cenários tivemos queda em relação aos homicídios. Com o chamamento agora de mais policiais da Polícia Técnico Científica, com a biometria, creio que vamos avançar mais ainda. Vamos ter um banco de dados biométricos, um banco de dados de DNA e isso vai facilitar muito nas apurações em relação a crimes. O sujeito deixou qualquer marca, você confere no mapa biométrico e você vai identificar na hora de quem é aquela digital. Também já estamos com concursos da Segurança em andamento. Serão mais ou menos 3,5 mil policiais novos que adentrarão a partir do ano que vem – 2,5 para a Polícia Militar, 500 para a Polícia Civil, 200 e poucos para os Bombeiros, e uma parte para o Procon. Então, na medida do possível e considerando a realidade econômica do País, do Estado, nós estamos avançando.

 

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