Parente sem emprego é comum

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Praticamente metade dos belo-horizontinos (42%) tem alguém na família que perdeu o emprego no último ano. Entre os que foram demitidos, 61% já tinham alguma fonte secundária de renda, mas 39% não tinha nenhum plano B, segundo pesquisa da Alelo, em parceria com o Ibope Conecta. “Minha filha foi dispensada no ano passado, e eu conheço muita gente sem trabalho, que acaba achando um jeito para ter uma renda, como vender bolo ou salgados”, conta a ajudante de produção Nilzete Martins, 49.

Se ela faz parte do primeiro grupo destacado na pesquisa, a filha dela, Sara Martins, 19, está na segunda estatística. Quando foi demitida do cargo de operadora de caixa, há sete meses, ela não estava preparada. “Não tinha nenhuma outra fonte de renda”, diz. Enquanto não encontra outra colocação no mercado, ela vai fazendo bicos como babá.

Em todo o país, 31% das pessoas que estão empregadas não têm um plano B, caso sejam dispensadas. Na avaliação do diretor de marketing e produtos da Alelo, André Turquetto, como 69% têm alguma outra fonte de renda, o número não é tão preocupante assim. Segundo o levantamento, a maioria pode contar com a ajuda da família, ter dinheiro guardado, contar com alguma renda fixa (como aluguel) e ter investimentos que gerem rendimentos. “Acreditamos que hoje é mais fácil começar uma atividade paralela devido a conectividade dos dias atuais, que permite que as pessoas vendam seus serviços e produtos sem a necessidade de uma loja física. As redes sociais atuam a favor desta crescente”, analisa.

O professor de administração da faculdade IBS da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Wagner Pádua, explica que uma das razões para tamanho desemprego é a transformação do mercado. “Não há como negar que o desemprego tem causas econômicas, da crise. Mas temos uma outra causa importante, que é a mudança do perfil do trabalho. O mercado está exigindo novas habilidades, que os trabalhadores não estão conseguindo entregar”, analisa.

Segundo Pádua, a saída passa por uma iniciativa das próprias empresas, que deveriam investir mais em capacitação. “Para quem já está desempregado, a alternativa é buscar qualificação e estar aberto a novas áreas e até a novas profissões”, ressalta o professor.

A situação assusta até quem está empregado. “Eu vejo muita gente com profissão que não consegue trabalhar na área e acaba virando autônomo, porque não acha oportunidade no mercado”, conta o agente socioeducativo Patrick William.

Dando um jeito

“Conheço muita gente desempregada, como a minha filha. A situação está difícil e vejo muita gente vendendo produtos de beleza, bolo e salgados.”

Sem plano B

“Eu era operadora de caixa. Quando fui demitida no meio do ano passado, não estava preparada. Não tinha nenhuma outra fonte de renda” – BRASIL EM FOLHAS COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – I3D 53409

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