Partido social-democrata alemão aprova aliança com Merkel

Redação Redação

Os membros do partido social-democrata alemão aprovaram por ampla maioria uma aliança com Angela Merkel, que poderá finalmente formar seu governo mais de cinco meses após as legislativas que a enfraqueceram.

A chanceler comemorou, neste domingo (4), o resultado da votação interna do SPD. Estou satisfeita com o prosseguimento da nossa colaboração pelo bem do nosso país, reagiu em um tuíte postado pelo seu partido conservador.

Este quarto mandato de chanceler, e provavelmente o último de acordo com os observadores, anuncia-se muito mais delicado do que os anteriores.

A coalizão entre social-democratas e conservadores mantém apenas uma pequena maioria no Bundestag (53,5%), após as eleições gerais de 24 de setembro, marcadas por um avanço histórico da extrema direita (AfD) e uma erosão dos partidos tradicionais, incluindo a CDU/CSU de Merkel.

É neste contexto e depois de semanas de procrastinação que os militantes do SPD aprovaram a renovação da grande coalizão em fim de mandato – GroKo em alemão – por 66,02% dos votos, em um referendo interno que contou com a participação de 78,4% dos 463 mil membros do SPD, de acordo com os resultados oficiais anunciados esta manhã.

– Razão –

Agora as coisas estão claras: o SPD participará no próximo governo, declarou seu chefe interino, Olaf Scholz, à imprensa. Mas, ilustrando as hesitações em suas fileiras, ele chamou o resultado de um ato de razão.

A liderança do partido havia negociado um acordo com a chanceler em fevereiro, e os membros do partido mais antigo da Alemanha tiveram que aprová-lo em um ambiente de profundas divisões internas.

Eu informei o presidente (Frank-Walter Steinmeier) e a chanceler deste resultado, disse Scholz.

Merkel, que governa a Alemanha há 12 anos, deverá ser oficialmente eleita presidente dos deputados em meados de março, provavelmente no dia 14.

Mas em um sinal de desconfiança recíproca entre SPD e CDU/CSU, os social-democratas negociaram uma cláusula de saída de sua aliança após dois anos.

A chanceler de 63 anos nunca foi tão criticada dentro de seu partido, que ela lidera há cerca de duas décadas.

Especialmente desde que cedeu ao SPD o ministério das Finanças, pasta tradicional dos conservadores, muito apegados à austeridade fiscal, durante as negociações sobre o contrato governamental.

Vários líderes do Partido Democrata Cristão questionaram abertamente a linha centrista defendida por Angela Merkel e sua política de migração de longo prazo que viu a chegada desde 2015 de mais de um milhão de requerentes de asilo.

Essas posições alimentaram, de acordo com eles, o avanço da extrema direita, e passaram a exigir uma curva à direita.

Neste contexto, ela impôs uma pessoa próxima – e potencial sucessora à Chancelaria -, Annegret Kramp-Karrenbauer, como secretária-geral da CDU com a missão de centrar as fileiras.

E convocou para o ministério da Saúde seu principal detrator, o jovem e ambicioso Jens Spahn, afim de neutralizar sua influência, pelo menos por enquanto.

– Alívio –

Apesar de tudo, o advento de um executivo estável na Alemanha é susceptível de aliviar a situação não só o país, mas também na Europa, abalada pela crise do Brexit e pelo avanço dos nacionalismos.

Em seu contrato governamental, os dois parceiros colocaram a reforma da União Europeia no cerne das suas prioridades.

O SPD, caindo nas pesquisas devido a brigas internas, teria preferido passar à oposição após uma pontuação historicamente baixa nas eleições (20,5%).

Mas o fracasso das negociações governamentais entre conservadores, ambientalistas e liberais em novembro mudou o cenário.

A decisão de participar deste novo governo não foi fácil, reconheceu Olaf Scholz neste domingo.

Para os jovens socialistas, que lideraram uma campanha ativa contra o Groko, o resultado é uma decepção, reagiu seu líder Kevin Kühnert em um tuíte, prometendo contribuir para a renovação do partido.

As recentes pesquisas que apontam que o partido está lado a lado com a extrema direita fizeram parecer um novo Groko um mal menor para a maioria dos membros do partido.

Especialmente depois que o SPD e seu ex-líder deposto Martin Schulz negociaram, de acordo com a opinião geral, bem sua agenda, obtendo várias concessões e conseguindo chegar a seis ministérios.
– BRASIL EM FOLHAS COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – I3D 54151

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