Fotografia para cegos é tema de entrevista na TV Brasil

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Formada em Relações Internacionais, Hoana Gonçalves acabou caminhando para o mundo das imagens. “Desde o início, eu queria mais pela linguística, mais pelas pontes, por ligar países, pessoas. E acho que tudo tem a ver com o trabalho que faço hoje”, disse.

O trabalho com fotografia a levou a um desafio que poucas pessoas enfrentam: ensinar pessoas cegas a fotografar. Hoana contou que entrou em um projeto da Faculdade de Poéticas Contemporâneas e quis direcionar seu trabalho para os cegos. Foi pela pesquisa científica que eu cheguei a esse assunto e acabei percebendo que não tinha ninguém que pesquisava isso, que em Brasília nunca havia tido aulas de fotografia para cegos, explicou.

Para ela, a percepção de mundo mudou após começar a trabalhar com pessoas cegas. Hoana costuma usar a expressão “foto para sentir” ao se referir a esse trabalho.

“Sentir a foto é muito mais de algo que vem de dentro do que da visão em si. E hoje em dia, com aparelhos fotográficos, a gente pode perceber o que quer mostrar e conseguir mostrar isso, mesmo sem visão” detalhou.

Na prática, o começo do trabalho não foi fácil. Ela reuniu cegos que frequentavam uma biblioteca braile ao lado de sua casa e se sentiu perdida, porque não havia material prático nem teórico sobre o assunto. Foi uma construção conjunta: ela ensinando como o seu mundo visual funcionava num aparelho fotográfico, e os alunos cegos mostrando que a percepção de mundo deles era diferente e maior.

“As primeiras vezes em que fui ensinar, tinha gente que segurava o aparelho fotográfico e não sabia se ele ia sair na foto ou se saía o que estava na frente. E eu fui percebendo que a visão deles é de 360 graus, e para eles é tudo uma coisa só”, recordou.

Hoana diz que percebeu que sua visão era limitada por só enxergar para frente enquanto para eles, os cegos, não havia limitações de espaço.

Nas oficinas, eles desenvolveram as fotografias táteis, com pequenos furos no papel fotográfico para que as imagens feitas pudessem ser vistas pelos alunos cegos.

Eles ficam emocionados ao perceber que estavam retratados nas fotos”, disse.

O trabalho da fotógrafa chama a atenção não só para a inclusão social de pessoas com deficiência, mas também para as limitações de quem enxerga. E faz um alerta para o excesso de informações do mundo de hoje.

É difícil a gente imaginar porque acha que tudo é só pela visão. Inclusive, hoje em dia, as pessoas estão com a visão muito poluída, é muita informação visual, e a gente fica naquele esquema de quase não ver mais de tanto que a gente vê. – Roseann Kennedy – I5D 4810

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