Acusado de racismo, presidente da Câmara interpela líder do Psol

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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), encaminhou uma interpelação extrajudicial à líder do Psol, Talíria Petrone (Psol-RJ), pedindo explicações sobre a acusação de racismo que a deputada fez contra ele na sessão de terça-feira (22). Para Lira, trata-se de uma ofensa extremamente grave à sua honra, considerando-se que racismo é um crime.

Lira comentava a tentativa de invasão de indígenas à Câmara, que terminou em confronto com a polícia. Após vários discursos de parlamentares condenando a atuação da polícia, ele afirmou que as tentativas de invasão por parte dos indígenas têm sido feitas há algum tempo. “Na semana passada, alguns representantes dos índios chegaram aqui e invadiram o Congresso Nacional, subiram ao teto das cúpulas e ficaram usando algum tipo de droga, fumando e dançando aqui em cima”, disse.

Talíria Petrone discursou em seguida. “É lamentável que ele chame os rituais que são parte das culturas indígenas — do alto do seu racismo, ele não deve conhecer de uso de drogas — de dança sei lá o quê”, afirmou Petrone, na sessão de terça-feira.

Nesta quarta-feira (23), a líder do Psol foi à tribuna e disse que considera a interpelação extrajudicial “inaceitável e absurda” por se tratar de uma opinião política. Ela reafirmou que a frase dita pelo presidente, na opinião dela, reflete racismo estrutural contra os povos indígenas e disse que não será intimidada.

Em resposta, Lira afirmou que vai manter os trâmites legais da interpelação, que sua fala está registrada na taquigrafia e que apenas relatou o que foi filmado e reportado pela Polícia Legislativa. “Não houve, do nosso ponto de vista e de outras lideranças, nenhum tom racista e também não cabe a essa presidência se sujeitar a qualquer ilação de uma coisa tão séria quanto a alegação de vossa excelência”, respondeu.

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