Entidades de reabilitação precisam de recursos para atender pacientes pós-Covid

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Estudos recentes mostram que cerca de um em cada quatro pacientes de Covid-19 vai precisar de algum tipo de reabilitação. O número sobe para metade nos casos de pacientes que foram hospitalizados.

Para atender esse grande número de pacientes, a rede de reabilitação vai precisar de recursos. O alerta foi dado pelo superintendente-geral da Associação Fluminense de Reabilitação, Telmo Hoelz, durante reunião da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados realizada na segunda-feira (21).

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Telmo Hoelz: sem suporte não há como atender quem precisa de reabilitação

“A estimativa é de que 23% de pessoas que adquiriram Covid com ou sem internação demandarão por algum tipo de serviço de atenção. Se você projetar isso para o Brasil, considerando 17 milhões e 700 mil casos, que eram nossos números na semana passada, nós estamos falando de 4 milhões e 71 mil pessoas com necessidade de atenção, desde a mais básica orientação de fisioterapia respiratória até outras coisas de uma gravidade muito maior”, calcula Hoelz.

“A nossa luta em busca de recursos para fazer frente aos nossos gastos é muito grande, e hoje, se não houver um suporte para isso, não há condição”, ressaltou.

Monitoramento
A representante do Centro Especializado de Reabilitação da Apae de Pará de Minas, Thais Noronha, explicou que as sequelas muitas vezes demoram para aparecer e, por isso, os pacientes com Covid-19, internados ou não, precisam ser monitorados. Ela destacou ainda que, apesar de estarem aptos, os serviços de reabilitação precisam ser reorganizados para atender esses novos pacientes.

No sentido de organizar o fluxo de pacientes, o governo do estado do Piauí elaborou e colocou em prática desde outubro do ano passado um protocolo de atendimento para pacientes pós-Covid-19. O representante da Associação Reabilitar do Piauí, Aderson Luz, destacou que foram organizados uma triagem e um sistema de transporte para pacientes que moram a até 120 quilômetros da capital Teresina.

“Se esse paciente tem critérios para a reabilitação, ele é encaminhado para o ambulatório pós-Covid e nesse ambulatório é feita a triagem e o paciente pode ser encaminhado para os serviços de pneumologia, cardiologia, neurologia, nefrologia, nutrição, psicologia, fono e a reabilitação cardio-pulmonar”, detalhou.

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Tereza Nelma: reabilitação precisa de assistência técnica e recursos

Ministério da Saúde
O representante do Ministério da Saúde, Angelo Gonçalves, afirmou que já existe um projeto em fase final de elaboração para garantir o acompanhamento desses pacientes da atenção básica até o centro de reabilitação.

“Entramos num grande projeto do Ministério da Saúde onde estava englobada tanto a atenção especializada quanto a atenção primária. Esse projeto contempla também a atenção desse paciente desde quando ele tem alta no hospital até ele chegar no nosso centro de reabilitação”, relatou ele, ressalvando que ainda não é possível determinar o prazo para o início do funcionamento.

Angelo Gonçalves disse ainda que, entre as medidas em elaboração pelo ministério, está um curso on-line de capacitação dos profissionais de reabilitação para atendimento dos pacientes pós-Covid.

Parlamentares que acompanharam a reunião cobraram celeridade. A deputada Tereza Nelma (PSDB-AL) reforçou que as entidades precisam de respaldo técnico para esse atendimento. “É importantíssima a capacitação, mas ainda estão discutindo com o [hospital] Sarah Kubitschek, enquanto isso o povo está esperando e a gente está fazendo”, disse.

Tereza Nelma pediu também ao governo que garanta recursos para que os centros de reabilitação possam continuar atendendo os pacientes com a alta demanda gerada pela Covid.

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