Oposição vai ao MPF e TCU contra suposto superfaturamento na compra de Covaxin

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Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Deputados da oposição cobram investigação em discursos no Plenário

O líder do PT, deputado Bohn Gass (PT-RS), afirmou que os partidos de oposição se organizaram para pedir a abertura de inquérito na Procuradoria Geral da República (PGR) e no Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar a denúncia de superfaturamento na compra de doses da vacina indiana Covaxin.

A informação foi dada durante pronunciamento no Plenário nesta quarta-feira (23). O líder petista disse ainda que entrou com um pedido de informações com o detalhamento do contrato e seus intermediadores. Ele destacou que a compra superfaturada seria justamente na vacina comprada por meio de uma empresa e não direto do laboratório.

“Um contrato em que o custo estimado de cada dose é US$ 1,4 e o governo pagou US$ 15. E o mais interessante é que esta, diferente das outras compras, é feita por intermediação de empresas. E o mais interessante é que a empresa contratada é denunciada de fraude, e há uma sócia dessa empresa também denunciada de fraude”, ironizou.

A denúncia de superfaturamento na compra de doses de Covaxin foi tema de diversos pronunciamentos durante a sessão, a maioria da oposição. Os deputados cobraram que o tema seja investigado não apenas pelos órgãos de controle, mas também pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que a CPI trilha “um bom caminho” ao identificar atitudes administrativas com grande suspeição de corrupção. “A CPI tem instrumentos para isso, para compreender por que uma irregularidade já avisada ao próprio Presidente da República não foi interrompida e por que nós, no Brasil, contratamos, o que a própria Índia se surpreendeu”, avaliou.

O deputado Ênio Verri (PT-PR) destacou que a decisão de comprar Covaxin pode ter custado a vida de muitos brasileiros. “É triste saber quantas pessoas morreram porque o governo não comprou vacina a preços muito menores esperando essa, em que ele pagou mais caro e com prazo de entrega muito maior. Isso tem que ser investigado”, afirmou.

Deputados que não fazem parte de partidos da minoria também cobraram posicionamento do governo. A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que os deputados não podem fechar os olhos e ouvidos para as denúncias. “Em relação à Covaxin nós temos que perguntar: por que a pressão do governo para essa aprovação [pela Anvisa]? Por que aceitar um contrato mil vezes mais caro do que oferecido anteriormente? Por que um intermediário envolvido em investigação de corrupção?”, questionou.

A vacinação foi tema de discursos de alguns parlamentares governistas, mas nenhum comentou o caso do imunizante indiano. O deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) criticou a proposta de criação de um “passaporte” para os imunizados por considerar que ele obrigaria a vacinação de todos os brasileiros. “Ninguém pode ser obrigado a ser vacinado”, disse.

Já o deputado General Girão (PSL-RN)acusou o governo do Rio Grande do Norte de “se apropriar” do mérito da vacinação com doses compradas pelo governo federal. “O Governo do Estado do Rio Grande do Norte se apropria das vacinas, dizendo que são eles que estão vacinando”, reclamou.

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