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A universidade durante a pandemia ainda não é o modelo híbrido ideal

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As universidades têm muitas questões urgentes de curto prazo para lidar agora: grandes cortes nos orçamentos, uma relutância crescente entre os alunos em pagar mensalidades inteiras para educação online, o adiamento em grande escala de admissões, a diminuição de estudantes internacionais que pagam integralmente as taxas, um aumento acentuado na necessidade de assistência financeira entre os alunos devido ao impacto da pandemia e da recessão que se seguiu e, finalmente, a questão de como reabrir.

No entanto, os líderes universitários não devem gastar mais seu tempo nas questões momentâneas e esquecer o longo prazo. A crise atual também criou oportunidades para refazer o modelo de ensino nas instituições. Até um ano atrás, o aprendizado remoto em tão grande escala nunca foi considerado possível, nem era necessariamente uma ambição. De repente, as universidades se viram obrigadas a considerar outras opções de ensino, experimentar alternativas e começar a planejar novas formas de transmitir seus conteúdos.

Tanta coisa mudou em 12 meses e, apesar dos melhores esforços para se adaptar a uma nova forma de aprendizado, muitos desafios permaneceram. Acima de tudo, a pandemia destacou a necessidade de as universidades oferecerem um ambiente de aprendizagem consistente entre o campus e aqueles que acessam as aulas remotamente para garantir o sucesso e a resiliência no futuro – o ensino híbrido.

Novos horizontes para o ensino superior

O recente relatório da European University Association (Associação das Universidades Europeias), denominado “Universities without walls – A vision for 2030”, reforçou a visão das universidades abertas, descritas como instituições cooperativas e em rede, que assumem a forma de comunidades com fronteiras livres para construir pontes entre países, culturas e setores.

Este documento é o resultado de extensas consultas e deliberações com membros e parceiros da European University Association ao longo de um período de seis meses, em 2020. O relatório apresenta uma visão de universidades resilientes e eficazes, servindo a sociedade em direção a um futuro melhor.

Em particular, o relatório enfoca a sustentabilidade, a importância da abertura, o papel das missões universitárias e como tornar essa visão uma realidade. Além disso, frente a um mundo em rápida mudança, afirma que “a natureza e a estrutura das universidades serão híbridas. As instituições serão abertas como espaços físicos e virtuais e trabalharão para cultivar ambos no engajamento com a sociedade”.

Mas o que realmente significa um sistema de ensino híbrido?

No sentido literal da palavra, híbrido se refere a uma nova espécie, forma ou cultura que é um cruzamento, fusão ou dissolução de espécies, formas ou culturas já existentes. No ensino superior, isso significa novos designs ou formatos para as instituições e sistemas de ensino.

De quais maneiras a hibridez transformará o futuro das universidades?

É hora de considerar como deve ser um modelo de aprendizagem “híbrido”. Assim como os projetos para o local de trabalho, o aprendizado no campus pode ser o local para colaboração, discussão, trabalho prático, supervisão presencial, esportes ou socialização, enquanto o ensino formal pode ser ministrado virtualmente. Isso ainda exigirá uma análise profunda dos aplicativos e plataformas digitais de que os usuários precisarão, bem como das ferramentas audiovisuais e de colaboração.

O ensino superior é um privilégio e pode ter um custo que está fora do alcance para muitos estudantes. O objetivo deve ser tornar as universidades acessíveis a todos e, com a tecnologia, nivelar o campo da formação profissional. Ao investir em uma abordagem híbrida que ofereça uma experiência de aprendizagem de primeira classe, dentro e fora do campus, as universidades têm o potencial de se abrir para alunos que, de outra forma, teriam dificuldade para comparecer, ampliando o conjunto de talentos e, por fim, promovendo a diversidade na força de trabalho.

Além disso, ao contemplar o futuro após a Covid-19, a sustentabilidade precisa se encaixar em todas as facetas da tomada de decisão das universidades, incluindo a tecnologia. Existem muitos benefícios sustentáveis ​​que vêm com um cenário de sistema híbrido de ensino, desde data centers ecológicos até a redução no tempo de viagem e na atividade do campus.

Se as universidades permanecerem firmes e continuarem seu ímpeto de mudança, elas podem revisar seriamente suas ofertas para torná-las muito mais inclusivas e atraentes para todos, ao mesmo tempo que estarão mais bem preparadas para o que quer que o mundo lance no futuro.

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