Gustavo Sales/Câmara dos Deputados Leonora Horn Schneider defende criação de conselho federal da área

Demandas do setor de turismo incluem piso salarial e qualificação de mão de obra

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Representantes do setor de turismo apresentaram nesta quinta-feira (19) suas demandas em audiência pública promovida pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. O debate abordou a formação dos profissionais da área no Brasil.

Presidente da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR), Leonora Horn Schneider disse que as metas da sua gestão incluem definir um piso salarial  para o turismólogo e instituir um conselho federal de turismo, para regulação e controle dos trabalhadores. “Queremos definir o salário-base nosso, um valor mínimo, para o turismólogo ter valorização e existir uma unidade nacional com relação a editais de concursos públicos, que são muito raros”, declarou.

Professor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Eduardo Silveira destacou que cerca de 30% dos turismólogos recebem entre R$ 918 e R$ 2.200. Outros 20% ganham entre R$ 2.200 e R$ 3.700. As agências de viagens são as que mais empregam no setor.

Marcelo Jacques Fonseca, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), acrescenta que 98% do segmento são formados por microempresas. Ele acredita que o setor já deu início à retomada de suas atividades e que, para fortalecê-lo, é importante qualificar a mão de obra.

Recursos para pesquisa
No evento, vários profissionais pediram recursos para pesquisas na área, além de investimentos na formação de alunos e de professores e mais diálogo do governo com a Academia.

“O Ministério do Turismo poderia financiar projetos de pesquisa que contribuíssem para os objetivos estabelecidos no plano nacional de turismo. O desenvolvimento sustentável, a competitividade e a inovação são alguns exemplos dessas metas”, citou o professor da Universidade de São Paulo (USP) Glauber Eduardo Santos. Ele sugeriu ainda que o governo financie estágios no exterior, a fim de que os alunos aprendam práticas mais modernas no setor.

O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que propôs a realização da audiência pública, afirmou que a comissão vai abraçar o que for necessário para avançar na valorização do profissional e do estudante de turismo. “Quanto ao financiamento para pesquisas, acho que teremos mais êxito perseverando junto ao próprio Ministério do Turismo para criar rubrica específica, mas sem esquecer Capes e CNPq”, avaliou.

Visão do governo
A representante do Ministério da Educação no evento, Joelma Khremer, disse que conta com a Câmara para encaminhar proposta robusta sobre políticas de capacitação para o setor. A formação do turismólogo é feita por institutos federais e escolas técnicas, além de instituições de ensino superior e serviços nacionais de aprendizado.

A diretora de Qualificação do Turismo da Secretaria Nacional de Desenvolvimento e Competitividade do Ministério do Turismo, Andrea de Souza Pinto, informou, por sua vez, que já é desenvolvida a política nacional de qualificação em turismo, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e a rede de pesquisadores em todas as instituições federais.

Segundo dados apresentados pelo docente Carlos Eduardo Silveira, hoje existem no Brasil 220 cursos de formação em turismólogo, 78% de bacharelado, 21% de tecnólogo e 1% de licenciatura.

Outras demandas
O professor Alexandre Panosso Neto, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo, frisou a importância de se desenvolver políticas que garantam o primeiro emprego ao turismólogo. “Deve-se dar condições de trabalho ao profissional de turismo, por meio da união da Academia, do mercado e do poder público”, apontou.

O também professor Sérgio Leal, que representou o Fórum Nacional de Cursos Superiores de Turismo, Hospitalidade e Lazer, defendeu, entre outros pontos, que sejam elaboradas novas diretrizes curriculares para a área de turismo.

Professora do Instituto Federal de Alagoas, Artemísia dos Santos Soares pediu a manutenção ou retomada, em muitos casos, da bolsa permanência para instituições de baixa renda. Reivindicou também investimento em laboratórios multidisciplinares, equipados com recursos digitais específicos para as diferentes modalidades, como hotelaria, eventos e guia de turismo.

Além disso, Artemísia solicitou aportes em laboratórios especializados para a área de gastronomia, restabelecimento da contratação de professores para completar o corpo docente e a distribuição, pelo governo, dos cursos nos campi conforme a vocação econômica local.

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