Pablo Valadares/Câmara dos Deputados Fábio Mitidieri: esporte proporciona convívio social aos estudantes

Debatedores destacam importância dos Jogos Escolares para saúde mental dos jovens na pandemia

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Atletas, dirigentes e deputados destacaram a importância dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) para a formação cidadã dos adolescentes. O tema foi discutido em audiência pública da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados.

A 19ª edição dos JEBs ocorrerá entre os dias 29 de outubro e 5 de novembro, no Rio de Janeiro. A competição contará com a participação de 6.200 estudantes de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal, com idades entre 12 e 14 anos, em 17 modalidades esportivas.

O presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), Antônio Hora Filho, afirmou que os jogos cumprem o papel importante de retomar, na pandemia, o contato social de adolescentes por meio do esporte.

“Pesquisas recentes apresentam um crescimento muito preocupante das taxas de doenças entre os jovens, entre as quais depressão, que ocasiona até, infelizmente, tentativas de suicídio”, apontou. O esporte pode ser uma ferramenta de fortalecimentos dos laços de proteção social, de contribuição para formação da cidadania e, principalmente, envolver esses adolescentes em uma atividade saudável.”

A audiência foi solicitada pelo deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), que revelou ter disputado edições anteriores dos Jebs e dos Jogos Universitários. “É muito importante os jovens voltarem a ter esse contato, mesmo com todos os mecanismos de preservação e de cuidados necessários com a pandemia. O esporte e o mundo precisam disso neste momento”, comentou.

Formação de atletas
Os primeiros Jogos Escolares foram disputados em 1976, mas eles não foram realizados todos os anos – a última edição ocorreu em 2004. Se não houvesse essa lacuna, o Brasil poderia ter tido um desempenho nos Jogos Olímpicos, na opinião do secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Marcelo Magalhães.

“Se você pegar o quadro de medalhas e fizer um comparativo, em todas as grandes potências o esporte começa na escola. O Brasil estava na contramão disso. Quando a gente deveria fortalecer essa plataforma, a gente a abandonou”, afirmou.

Um dos embaixadores dos Jebs é o ex-jogador de vôlei Giba, campeão olímpico em Atenas 2004. Ele disse que considera a medalha de campeão mundial infantojuvenil, em 1993, em Istambul (Turquia), ainda mais importante.

“Istambul veio depois de eu ter jogado os Jebs, os Jubs e todos os outros jogos. Depois de eu ter sido cortado de uma peneira no antigo Esporte Clube Banespa de São Paulo, por não ter altura. A mensagem que eu mando, que eu vou transmitir em todos os dias do Jebs é a seguinte: ninguém pode acabar com o seu sonho, a não ser você mesmo”, declarou Giba.

Ainda na audiência pública, foi veiculada uma gravação com o depoimento da estudante Sofia Luce Melo de Carvalho, de 11 anos, que pratica ginástica rítmica em Sergipe. “Eu comecei na ginástica com 7 anos. E com 9 consegui conquistar uma medalha de prata no Campeonato Brasileiro. Nesse mesmo ano eu já consegui representar meu país lá no campeonato sul-americano, onde eu consegui duas medalhas de ouro”, relatou. Ela está animada com os Jebs: “É a primeira vez que eu participo dos Jogos Escolares e será uma honra representar meu estado”.

Competição
Nos Jebs deste ano, os 6.200 estudantes nascidos entre 2007 e 2009 disputarão 2.247 medalhas ao longo de uma semana em competições de atletismo, basquete, badminton, ciclismo, futsal, ginástica rítmica e artística, handebol, judô, karatê, natação, taekwondo, tênis de mesa, voleibol, vôlei de praia, luta livre e xadrez. As competições demonstrativas serão seis: skate, escalada, dança, polo aquático, esgrima e curling.

Nesta edição, haverá o mesmo número de participantes por estado, e os estados vão levar delegações com participação proporcional masculina e feminina.

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