Kickboxing como ferramenta de educação contra a violência

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“Sou da época em que os professores diziam que nossa obrigação era salvar o mundo por meio da educação física, pois cada menino que saísse da rua e fosse praticar qualquer esporte poderia estar saindo da vida do crime e dos perigos da rua, aprendendo disciplina e se tornando um cidadão melhor”
– Pollyanna Silva, professora da rede pública e atleta de kickboxing

A escola é espaço para desenvolvimento da cultura de paz e combate à violência. A professora e atleta Pollyanna Silva tem feito isso por meio do treinamento de kickboxing com o projeto Escola de Combate, desenvolvido com estudantes do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 316 de Santa Maria.

O trabalho desperta nos jovens e nas crianças a importância do esporte para a construção de cidadão mais conscientes, humanos e solidários. Por meio do kickboxing, os estudantes conseguem diferenciar os conceitos de luta e briga para buscarem diversos aspectos de equilíbrio na vida.

O Escola de Combate começou em 2019. Inicialmente, funcionou na Escola Classe 116 de Santa Maria e, atualmente, está no CEF 316. Esporte e educação sempre caminharam juntos na vida de Pollyanna.

“Sou da época em que os professores diziam que nossa obrigação era salvar o mundo por meio da educação física, pois cada menino que saísse da rua e fosse praticar qualquer esporte poderia estar saindo da vida do crime e dos perigos da rua, aprendendo disciplina e se tornando um cidadão melhor. Sempre trabalhei na periferia e em escolas desafiadoras. Sempre tentando algo novo e que fizesse as crianças perceberem o encantamento do esporte”, conta a professora.

Essa semente do esporte plantada pela prática do kickboxing germinou no coração do estudante do terceiro ano do ensino médio Marcelo Ramos, 18 anos. Ele viu uma palestra de Pollyanna e se apaixonou pela modalidade. “Entrei aqui completamente desmotivado por tantas coisas da vida! Hoje estou aqui cheio de sonhos. Penso em ser professor de kickboxing e ajudar outros estudantes. Também quero ser policial e já comecei os estudos”, conta. Marcelo iniciou no esporte há dois anos e já conquistou medalhas de bronze em 2021, no Open Brasília e no Campeonato Mundial.

Maria Luiza Martins, 15, migrou da ginástica artística para o kickboxing há um ano e já foi campeã em 2021 | Fotos: Henrique Medeiros/Ascom SEEDF

Os treinos da Escola de Combate são mistos, entre meninos e meninas, e abordam as sete modalidades atuais do kickboxing: musical forms, point fight, light contact, kick light, full contato, low kick e aK1 rules.

Maria Luiza Martins, 15 anos, migrou da ginástica rítmica para o kickboxing  há um ano. Ela se identifica mais com a modalidade musical forms e aproveita a bagagem adquirida na ginástica para o dia a dia no kickboxing. “O esporte tem sido importante para trabalhar a minha confiança. Eu gosto da forms porque tenho liberdade de fazer vários movimentos e criar”, revela. Ela também já segue o caminho de títulos comum entre os alunos da Escola de Combate: foi campeã mundial de artes marciais em 2021.

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Professora, atleta e mãe

Pollyanna Silva divide a vida entre professora da rede púbica há mais de 20 anos, sendo atleta e mãe de três filhos. A lista de títulos conquistados com o kickboxing, de 2015 até 2021, é grande: campeã pan-americana ISKA na modalidade formas tradicionais, campeã mundial UMK – cinturão, medalha do mérito esportivo pela Confederação Brasileira de Lutas e Artes Marciais, campeã intercontinental de formas tradicional individual e campeã da Taça José Antônio Ferreira Machado de kickboxing.

Valores como a importância da disciplina, respeito e trabalho diário sempre são destacados com os estudantes que passam pelas aulas da professora. “Eu vejo o crescimento desses meninos como pessoas ,e isso me emociona muito. As mães contam como eles progrediram fora do ambiente escolar também. Isso não tem preço”, reforça Pollyanna.

Trilha campeã

O esporte já gerou inúmeros resultados para crianças da Escola Classe 116 e do Centro de Ensino Fundamental 316. Estudantes foram para o Pan-americano da Iska (International Sport Kickboxing Association) e várias outras competições internacionais.

O espírito da competição vem de berço. Ana Luiza Ferereira, 12 anos, é filha de Pollyanna e treina artes marciais desde os 4. “Eu amo competir, estar com meus amigos e ganhar. Minha mãe é uma inspiração para mim”, diz. A jovem já tem títulos de campeã intercontinental e pan-americana na modalidade.

Gabriel Alvez, 19, concluiu o ensino médio no ano no ano passado e continua como voluntário do Escola de Combate: 16 medalhas no kickboxing

Gabriel Alves, 19 anos, começou no Escola de Combate como aluno há três anos. Terminou o ensino médio no ano passado e segue como voluntário do projeto. Ele é inspiração para vários estudantes do projeto com sua história de dedicação e resultados como atleta. Já são 16 medalhas no kickboxing e o título de campeão mundial. Por meio do esporte, viajou para várias partes do mundo, como Suíça e Holanda.

“Eu não tinha muitas perspectivas de vida antes do esporte. Hoje eu tenho muitas ambições como atleta e fico feliz em inspirar outras pessoas”, relata. Gabriel concilia a vida de atleta com a faculdade de educação física, iniciada em 2022.

*Com informações da Secretaria de Educação

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