12 de Dez de 2018 - Jornal em tempo real
 

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Brasileiros se mobilizam para acompanhar eclipse lunar

Ainda no início da tarde as imagens do eclipse lunar já inundavam as redes sociais. A partir da Ásia, o fenômeno ficou visível especialmente de países do Oriente Médio e do Norte da África. A Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) transmitiu ao vivo em seu serviço de vídeo online (streaming) imagens do eclipse de diferentes pontos do globo, a partir de observatórios em países como os Emirados Árabes Unidos, Grécia e Israel. Na transmissão, foi possível ter diferentes ângulos e efeitos luminosos do evento na superfície lunar.

No Brasil, pessoas se mobilizaram em diversas cidades para acompanhar o evento, que recebeu o nome de “Lua de Sangue” por conta do efeito avermelhado que se forma na refração dos raios solares na superfície lunar. Os tons alaranjados e avermelhados se deviam à passagem dos feixes de luz pela atmosfera terrestre. A expectativa também era pelo planeta Marte, que apareceria de maneira mais visível do que de costume.

No Rio de Janeiro, o Aterro do Flamengo foi o espaço escolhido por muitas pessoas que saíram do trabalho e ocuparam o gramado para mirar a lua. Aviões que decolaram do Aeroporto Santos Dumont chegaram a fazer desvios para passar em um ângulo melhor para que os passageiros pudessem visualizar o fenômeno.

A psicóloga Inês Carneiro estava em um dos grupos de amigos que se reuniram no local. Eles decidiram fazer um piquenique para esperar o evento. “O eclipse tá lindo. As pessoas se reuniram espontaneamente, há pessoas meditando na praia, que está mais cheia que de costume. Está um clima muito alegre”, relatou Inês.

São Paulo

Em São Paulo, além dos parques, como o Ibirapuera, a selva dos arranha-céus foi ambiente propício para arrumar um posicionamento melhor para ver, e registrar o eclipse. A fotógrafa Sara de Sanctis escolheu o terraço do prédio onde mora, onde os amigos fizeram um churrasco. Outros moradores também optaram pelo terraço como local de observação.

“A gente não viu o eclipse total. Vimos somente a penumbra. Mas foi bom reunir os amigos. Acabamos aproveitando para comemorar o aniversário de um dos amigos no espaço”, relatou a fotógrafa, de origem italiana, mas que mora no Brasil há cinco anos.

Brasília

Na capital, a Esplanada dos Ministérios ficou totalmente parada por conta do trânsito. Na Torre de TV, cartão-postal da cidade e ponto mais alto da avenida, centenas de pessoas se reuniram. Um pouco mais acima, o Memorial dos Povos Indígenas recebeu o projeto Culturas Vivas, que convidou pessoas para acompanhar o fenômeno em meio a uma intensa programação, que contou com cânticos tradicionais Krahô e exibição de filmes.

A advogada Diana Melo e o grupo de mães do qual faz parte levaram filhos para o espaço, que não tem teto e permitiu uma vista particular da lua. “A gente gosta de trazer as crianças e a gente mesmo ver como a vida é diversa. Foi muito mágico estar no espaço, escutar uma apresentação indígena e dançar com eles, sendo que o povo Timbira está também na minha terra, o Maranhão”, contou.

A Praça dos Três Poderes ficou lotada de pessoas com câmeras, binóculos e telescópios. A secretária Leonice Santos foi pela primeira vez olhar o eclipse e se espantou com o público. “Tá bastante tumultuado”, comentou. Parte dos instrumentos foi disponibilizada pelo Clube de Astronomia de Brasília. Muitas pessoas esperavam nas filas para conferir a lua por meio das lentes.


Romilda Rodrigues era uma das que aguardavam a vez de conferir a visão ampliada. “Eu adoro astronomia e venho ver quando tem eclipse. Faz diferença olhar no telescópio. A olho nu a luz da lua atrapalha. Quando você vê no telescópio tem mais nitidez, parece mais próximo de você, é mais emocionante”, comentou.

Leandro Viegas, servidor público, era uma dos com tripé e binóculo para conferir melhor o evento. Acostumado à observação no local, ele notou a diferença do público, que atribuiu à divulgação do evento. “Eu acompanho, em casa temos telescópio. Em casa, costumamos observar. Mas neste teve a diferença da mídia falando tanto, dizendo para não perder a lua”, disse.

O servidor fez os registros usando a câmera e o binóculo. Mostrou as fotos com os ralos tons avermelhados. O efeito da “Lua de Sangue” ficou menos visível na capital pelo posicionamento dela, diferentemente de cidades do litoral do país.

A estudante Susana Lins, passando férias na capital, sentiu falta da coloração. “Achei mais ou menos. Eu esperava mais, uma coisa mais bonita, mas é só uma sombra. Foi como outro eclipse que eu já tinha visto no ano passado”, lamentou.

O pai, o advogado Rodrigo Lentz, levou Susana e o irmão, Breno, como parte da programação de férias. Aproveitou o tempo de espera na fila para explicar aos filhos o que era o eclipse. Lentz sabendo do evento promovido pelo Clube de Astronomia e foi à praça. “A gente se surpreendeu com o número de pessoas”, exclamou.

Edição: Carolina Pimentel





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