Mascote do Mundial de bocha homenageia multicampeão paralímpico

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O Campeonato Mundial de bocha paralímpica deste ano, que será realizado no Parque Olímpico da Barra, zona oeste do Rio de Janeiro, entre 5 e 13 de dezembro, terá uma homenagem a Dirceu José Pinto, dono de quatro ouros em Paralimpíadas, que faleceu em 2020. A Associação Nacional do Desporto para Deficientes (Ande), responsável pela modalidade no país e organizadora do evento, divulgou nesta quinta-feira (1) que o nome da mascote da competição, escolhida em votação popular, será Dibo, uma contração das palavras Dirceu e bocha.

“Uma homenagem mais que merecida ao melhor atleta de bocha paralímpica de todos os tempos. Agradeço por ter tido a oportunidade e a honra de conviver com ele, principalmente em momentos que marcaram a história da bocha no Brasil e no mundo. Dirceu foi um exemplo para todos nós, não só pelas conquistas, mas pela pessoa que sempre foi”, disse o presidente da Ande, Artur Cruz, em nota à imprensa.

Dirceu faleceu aos 39 anos por problemas cardíacos. Ele conheceu a bocha em 2002, após descobrir uma doença degenerativa muscular, uma distrofia na região da cintura (coxa e abdome). Seis anos depois, nos Jogos de Pequim (China), o paulista conquistou duas medalhas de ouro, no individual e na disputa de pares (ao lado de Eliseu dos Santos) da classe BC4 (cadeirantes com lesão de origem não cerebral e que não recebem assistência nas partidas), repetindo a dose na Paralimpíada de Londres (Reino Unido), em 2012. Na Rio 2016, veio a prata nas duplas mistas, com Eliseu e Marcelo dos Santos.

Dirceu Pinto conquistou cinco medalhas paralímpicas, sendo quatro de ouro – Alaor Filho/MPIX/CPB/Direitos Reservados

A mascote foi desenvolvida pelo designer e ilustrador Thulio Toledo, que também é jogador de bocha, na classe BC3 (atletas que utilizam o apoio de uma calha para direcionar os arremessos e podem usar instrumentos para empurrar a esfera). Segundo ele, a personagem foi inspirada nas belezas naturais do Rio de Janeiro e da própria modalidade.

“Quem pensa no Rio, lembra de praia, Cristo, Pão de Açúcar, Selarón. Porém, essa beleza toda do Rio é sempre engrandecida pela luz do sol e pelo calor do seu povo. Assim como o sol, a nossa bola alvo [a bola branca, de nome Jack, perto da qual os jogadores devem arremessar as esferas vermelhas e azuis] é a responsável pelo objetivo da nossa modalidade. Tudo gira em torno dela e todo o jogo é baseado nela, como é no sistema solar”, descreveu Thulio, também no comunicado da Ande.

“No corpo [da mascote], existem alguns elementos também que ligam à identidade visual da competição, que têm a ver com a escadaria do Selarón. Nos braços, um bracelete dourado, no formato do calçadão [das praias]”. Já a escolha das cores vermelha e azul tem relação direta com as bolas, os elementos do jogo como o tie-break [desempate] e a linha em V, da demarcação da quadra”, completou o jogador-artista.

Segundo a Ande, mais de 40 países e 170 atletas já confirmaram presença no Mundial. A competição será disputada com a divisão de jogadores por gênero, principal novidade do ciclo da Paralimpíada de Paris (França). Até os Jogos de Tóquio (Japão), no ano passado, a separação se dava somente por classe, com homens e mulheres competindo juntos.

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