Refugiados afegãos são encaminhados para hotéis na capital paulista

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O fluxo migratório se deve à ascensão ao poder do Talibã, grupo religioso fundamentalista. De acordo com a Polícia Federal, chegaram ao Brasil pelo Aeroporto de Guarulhos 407 afegãos, em julho, 292, em agosto, e 459, em setembro, até o dia 14. Em setembro de 2021, entraram no país 12 afegãos e, em outubro, 57. “Com pouco ou nenhum conhecimento de português e sem condições financeiras, parte deles viu-se obrigada a se alojar no próprio aeroporto”, informou o Ministério Público Federal (MPF).

Visto humanitário

Em setembro do ano passado, os ministérios das Relações Exteriores e da Justiça editaram uma portaria para facilitar a concessão de visto humanitário às pessoas que vêm do Afeganistão. Segundo o Itamaraty, foram autorizados 6,1 mil vistos a partir dessa nova política. A concessão dos vistos temporários se deve à grave crise humanitária e de violação de direitos humanos enfrentada pelo seu país de origem.

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Acolhida em hotéis

O hotel na zona leste que receberá os afegãos será administrado pela Comunidade Educacional de Base Sítio Pinheirinho, com um custo de cerca de R$ 187 mil por mês. O governo paulista aportou R$ 50 milhões ao município para ampliação de vagas de acolhimento em hotéis. A nova unidade, aberta ontem, utilizará aproximadamente R$ 3 milhões na adequação e custeio. 

A prefeitura informou também que cinco afegãos que já compreendem a língua portuguesa serão transferidos do Clube Municipal Vila Independência para o hotel para auxiliar os novos acolhidos. Ao todo, 221 migrantes estão abrigados na cidade de São Paulo, incluindo as famílias encaminhadas ao novo hotel. 

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) mantém 19 hotéis voltados para o acolhimento de famílias e idosos que vivem em situação de rua na capital paulista, com 1.949 vagas.

Talibã

Faz um ano que os Estados Unidos retiraram as tropas do Afeganistão depois de 20 anos de ocupação. Na ocasião, o presidente afegão, Ashraf Ghani, deixou o país, e o controle do palácio presidencial foi assumido pelos talibãs.

O Talibã se tornou conhecido como um grupo religioso fundamentalista na primeira metade da década de 1990 e foi organizado por rebeldes que haviam recebido apoio dos Estados Unidos e do Paquistão para combater a presença soviética no Afeganistão, que durou de 1979 a 1989, em meio à Guerra Fria. A chegada ao poder foi consolidada em 1996, com a tomada da capital, Cabul.

Uma vez no controle do governo, o Talibã promoveu execuções de adversários e aplicou sua interpretação da Sharia, a lei islâmica. Um violento sistema judicial foi implantado: pessoas acusadas de adultério podiam ser condenadas à morte e suspeitos de roubo sofriam punições físicas e até mesmo mutilações. O uso de barba se tornou obrigatório para os homens, e as mulheres não podiam ser vistas publicamente desacompanhadas dos maridos. Além disso, elas precisavam vestir a burca, cobrindo todo o corpo. Televisão, música e cinema foram proibidos, e as meninas não podiam frequentar a escola.

A ocupação americana foi uma reação aos ataques às torres gêmeas do World Trade Center, arranha-céus situados em Nova York. Dois aviões atingiram os edifícios em 11 de setembro de 2001, levando-os ao chão e causando quase 3 mil mortes. Os Estados Unidos acusaram o Talibã de dar abrigo ao grupo terrorista Al Qaeda, que assumiu a autoria do atentado. Em outubro de 2001, tiveram início as operações militares no Afeganistão.

Os radicais, entretanto, conseguiram retomar o controle do país no ano passado, implantando um novo governo fundamentalista. 

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