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Especialistas afirmam que falta de defensivos e fertilizantes agrícolas é estrutural

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Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Carlos Goulart: existe risco para as próximas safras

O diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, disse que uma das estratégias do governo para lidar com uma possível falta de defensivos agrícolas em safras futuras é antecipar pedidos de registro de novos fornecedores na Anvisa. Segundo o que Reginaldo Minaré, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou aos deputados da Comissão de Agricultura da Câmara nesta sexta-feira (22), a falta de defensivos e de fertilizantes é inédita em 25 anos e deve perdurar.

De acordo com Carlos Goulart, não há perspectiva de carência de fertilizantes para a safra de verão, mas existe risco para as próximas safras. Ele explicou que existem problemas ligados à melhora dos números da pandemia de Covid-19 e o aumento global de consumo de energia, problemas políticos com grandes produtores como a Bielorrússia, e até o alagamento de minas de potássio no Canadá. O Brasil importa 85% do trio potássio, nitrogênio e fósforo, usados na composição dos fertilizantes denominados NPK.

Defensivos
No caso dos defensivos, além da aceleração de registros, o governo pretende conversar com as autoridades chinesas para que o país priorize as remessas de glifosato para o Brasil. Isso porque o Brasil precisa deste insumo para ter produtos agrícolas para exportar para a China. Por esse motivo, Carlos Goulart afirma que está em negociação uma cooperação técnica entre China e Brasil para a redução da nossa dependência em fertilizantes:

“A China tem interesse de que não falte também insumos para o Brasil porque é uma cadeia interdependente. Ela produz insumos que são trazidos para o Brasil e que são convertidos em produção agrícola. Isso é revertido para o Brasil, gerando excedente grande. Excedente que é majoritariamente destinado à própria China.”

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Jerônimo Goergen: “Não somos um país proativo, somos reativos”

Críticas
O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), autor do requerimento para a audiência, sugeriu que a comissão acompanhe de perto a negociação com a China:

“No curto prazo já é difícil. E se errarmos, o médio e o longo também não vão acontecer. Isso não é de agora. O Brasil tem uma característica. Não somos um país proativo, somos reativos. A gente corre atrás quando a coisa já está caindo. E a pandemia apurou uma série de processos que todos relataram aqui”, disse.

Para Reginaldo Minaré, da CNA, também é preciso estimular a produção de fertilizantes orgânicos baseados em excrementos de porco e até de algas.

A diretora do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, Eliane Kay, disse que a situação de crise tende a continuar porque a China, maior produtora de fósforo amarelo, base de vários defensivos, se comprometeu a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Esse compromisso levou a metas de redução de consumo de energia em algumas regiões de até 90%.

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